Mostrando postagens com marcador Ciclismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ciclismo. Mostrar todas as postagens

Stop Motion com GoPro

Stop Motion com GoPro

A GoPro produz excelentes vídeos. Mas a característica que mais curto é a possibilidade de fazer fotos automaticamente a cada 2 segundos.

Pedalei e resolvi fotografar todo o caminho, gerando mais 600 imagens distintas, vistas isoladamente com uma beleza própria, mas que podem também ser vistas em sequência, criando um efeito de “stop motion” muito bacana.

Eu consegui!!

RockyBalboa5

Sabe aqueles desafios secretos que fazemos para nós mesmos e vamos protelando por anos a fio, tanto que chegamos a duvidar que um dia seremos capazes de cumpri-los?
Não falo de grandes desafios como encontrar a cura do câncer, mas desafios que parecem pequenos para a imensa maioria da humanidade e que têm uma importância muito particular.
O meu era conseguir chegar ao trabalho de bicicleta. Uma moleza para qualquer um, mas para mim, muito acima do peso, uma empreitada comparada a chegar à lua.
Tá! Nem tanto…
Mas bem difícil já que tenho de conciliar um monte de tarefas, sempre com pouco tempo, e que só consigo cumprir acelerando meu carro.
Além do tempo apertado, também preciso uma certa preparação pois geralmente numa atividade física meus poros expelem litros de suor, complicando qualquer contato social que não seja precedido de um bom banho frio.
Mas hoje, depois de ter acordado às 4h20 para pedalar e não ter conseguido, decidi que seria o dia.
Depois de um tempo em que a gente pega o ritmo de uma atividade física, é muito difícil viver sem ela. O corpo pede pelo movimento, passamos a ser dependentes da endorfina produzida com o exercício aeróbico. Então, esse vício positivo faz a gente tomar decisões nem sempre sensatas.
Estava atrasado, o horário de almoço foi corrido, meu filho demorou para sair da escola, cheguei tarde em casa e mesmo almoçando muito rápido não consegui me adiantar para cumprir minha decisão. Minha consciência gritava que não seria possível, ainda assim, vesti meus shorts e uma camiseta velha, juntei uma trouxa com toalha e roupas para troca, montei na bike e saí pedalando, antes de ter tempo de me arrepender.
Não demorou para me dar conta que tinha feito uma burrada. O calor estava intenso, a luz do meio-dia não deixava sombras, mas a única solução era encarar. E encarei. O trânsito de carros estava uma loucura, todo mundo apressado, atravessando a ciclovia sem escrúpulos. Muitas outras bicicletas disputando espaço, umas mais rápidas, outras mais lentas. Pessoas invandindo… Para quem se acostuma a pedalar nas madrugadas vazias, com muito ar fresco, encarar a ciclovia no início da tarde é como desafiar o caos.
Depois de um tempo de pedal, numa subida amena, encontrei-me diante do meu Everest, uma altura desafiadora até para os magrinhos em suas leves bikes com trocentas marchas. Avancei o quanto pude e tive que desmontar. Empurrei. O relógio já denunciava o meu atraso, era preciso apertar o passo, mas como? Onde foi parar o oxigênio? Estava me sentindo uma jamanta carregada subindo a serra do mar. Uma sombra sob uma árvore virou um oásis. Parei, respirei por dois minutos e continuei. Quando atravessei a pé a parte mais difícil, montei na bike e segui até a entrada do prédio, feliz com meu desafio vencido, gritando para quem pudesse ouvir: “eu consegui!!”. Não é todo dia que a gente tem essa sensação.
Muito suado, ergui os braços comemorando a minha vitória. As pessoas em volta se contagiaram com minha alegria. Lembrei da famosa cena com o Rocky Balboa vencendo a escadaria, pena que faltou o embalo da trilha sonora.

Fim de férias, sobrou a madrugada

Acabaram as férias e o tempo livre para andar de bike durante o dia. A solução é encontrar um outro horário e, para mim, a única solução foi acordar mais cedo para pedalar, vencendo a preguiça com ainda mais força de vontade.

O despertador berrou às 5h, mas a tentação da preguiça fez com que eu esperasse só mais um pouquinho e, quando dei por mim, já marcava 5h25. Vinte e cinco minutos que passaram muito rápido, literalmente num fechar e abrir de olhos. Pensei em desistir, tentando imaginar que seria possivel encontrar uma alternativa de horário, mas minha bexiga me obrigou a levantar.

Água fria no rosto para despertar, duas bananas e um copo d’água me colocaram disposto. Saí com a francesa na rua escura, garantindo o celular, cópia do documento, uns trocados e as chaves de casa em sua bolsa de quadro. Acendi as lanternas e ganhei a rua.

Logo deu pra sentir o ventinho frio da madrugada, a primeira reação foi pensar que poderia ter me agasalhado melhor, mas logo desisti com a certeza que iria esquentar bem rápido. Cheguei na ciclovia e apontei para a direção de uma subida falsamente leve, no sentido para o interior do bairro, logo cruzando com outros ciclistas a caminho do trabalho. Ao contrário do que a maioria imagina, nesse horário as pessoas que estão nas ruas são as trabalhadoras. Malandros, ladrões e assaltantes não costumam acordar tão cedo, por isso me sinto muito mais seguro.

Venci a subida e alcancei uma linda praça, mas que na escuridão perde muito do seu encanto. Um vulto num banco me alertou, mas percebi rapidamente que era um aposentado esticando as pernas num alongamento. Sigo, com um pouco mais de subida. Dessa vez não sinto as pernas queimarem e me entusiasmo, mas ao passar em frente a um batalhão de polícia, lembro que é preciso ter cautela e resolvo dar meia volta, afinal, vai que algum malandro tenha caído da cama…

Encosto, desligo a lanterna dianteira para economizar as pilhas e engato o dínamo. Descer livremente embalado pela inércia de uma bicicleta é uma das sensações mais gostosas que existe, com o vento fresco batendo por todo o corpo e aquele barulhinho gostoso da roda girando livremente. Apoiado sobre os pedais, jogando o corpo para trás para aliviar as pancadinhas na roda dianteira quando passo pelos desníveis, tenho a sensação de completo domínio sobre a bike.

Mas é preciso ter cautela e não deixar os aros 28 tão livres, pois ganham velocidade muito fácil, melhor manter os dedos nas alavancas de freio. Mais umas pedaladas num trecho plano, o movimento de pessoas aumenta, apressadas em direção aos pontos de ônibus. Olhares dos que chegaram antes do coletivo apontam para mim, penso que por causa do farol à dínamo, incomum e que desperta lembranças do passado no interior sem luz elétrica.

Mais uma descida, um pouco mais forte, com cruzamentos mais largos, ainda vazios, sem concorrência na luz verde. Galhos baixos de árvores raspam pela cabeça, mais um pouco e chega o final da ciclovia, beirando a Dutra. Melhor voltar, desengatar o dínamo, acender a lanterna e encarar a subida de volta.

Estou atrasado, mas num certo momento, durante o esforço do retorno, noto o sol no horizonte. Páro e observo.

Chego em casa, com um sorriso enorme, uma sensação de extremo prazer, me perguntando por que demorei tanto pra fazer isso.

publicado nos meus blogs: bikeurbana.wordpress.com e blogdovelhao.blogspot.com

Hoje deu pedal

Bicicleta

Amanhã fará uma semana com minha Elops 3 e, apesar da chuva, consegui pedalar bastante nos momentos em que a água parava de cair.

Incrível como nosso corpo muda com o exercício. Hoje consegui pedalar por uns 20Km sem ficar muito comprometido e se não fosse a ameaça da chuva, teria pique para pedalar por pelo menos mais 10Km. Pouco para quem está acostumado, mas para quem estava a anos completamente parado, andando de carro para ir até a padaria, considero uma evolução e tanto.

As pernas já estão mais habituadas ao movimento, os músculos ardem menos. O assento ainda dói, mas nem tanto, dá pra aguentar, basta movimentar um pouco mais e subir nos pedais quando passar pelas depressões.

Com menos dor, mais prazer. É indescritível a sensação de liberdade que a bicicleta proporciona, com vento batendo, som ambiente e cenário passando mais devagar pelos olhos.

O maior problema é a atitude dos motoristas. Os idiotas acham que por estar num carro têm o direito de desrespeitar todos os outros. Acho que mal enxergam os ciclistas. Nas conversões, atravessam e ficam parados na faixa da ciclovia, como se tivessem o direito de estar ali. A solução é reclamar, dou um trim-trim de longe e aponto a ciclovia, alguns tentam abrir espaço, outros idiotas dão risada e mal se mexem. Devia haver multa para tamanho desrespeito. Imagino o que seria se estivesse pedalando na rua.

Os pedestres também atrapalham, duro é desviar de casais que caminham pela ciclovia fechando todo o espaço, tão distraídos um com o outro que mal ouvem o “dá licença” ou o trim-trim. Temi por um casal de velhinhos.

Mas não se pode ter tudo. Motoristas babacas e pedestres distraídos na ciclovia fazem parte do trânsito e devem ser encarados apenas como dificuldades. O importante é manter o alto astral, a educação e ter uma atitude cortês, pois o prazer de pedalar é mais importante.

Se você está como eu estava, saia dessa, venha pedalar. Garanto que vale a pena.

Minha amiga bicicleta

elops3
Adoro pedalar. Pelo menos adorava por toda a minha infância, adolescência e começo da fase adulta, quando um acidente me nocauteou por um tempo e o conforto do carro passou a ser uma realidade.
Minha querida Caloi 10 foi roubada, comprei outra, uma Caloi 12, que permanece guardada como nova até hoje, depois de 20 anos. Cresci. Para os lados! Fiquei incompatível com minha bike.
A alguns anos tentei voltar. Comprei uma Barra Forte usada. Era boa, mas muito pesada, sem marchas, desanimava quando pensava em encarar uma subida. Vendi para a faxineira depois do tanto que ela insistiu.
Tentei outra, uma Caloi 100, leve, toda em alumínio, com pneus largos e 21 marchas. Mas quem mede mais de 1,85m e pesa mais de 100Kg não consegue ficar confortável numa bicicleta tão pequena. Pedalando do alto do selim me sentia completamente inseguro, como se estivesse num monociclo de circo, daqueles bem altos, com o palhaço se equilibrando sobre uma pequena roda. Meu corpo se projetava para a frente, jogando o peso para os braços apoiados no guidão, fazendo doer, além do assento, os punhos.
A indústria nacional de bicicletas tem problemas. Chegaram à conclusão que é mais barato fabricar bicicletas de tamanho único, como se todo ciclista medisse 1,70m e pesasse menos de 90Kg. Bicicleta no Brasil é feita para criança ou para quem não pode pagar a condução, pelo menos essa é a visão que nos fizeram acreditar, para privilegiar a indústria automobilística. Quem quiser encarar a bicicleta como esporte poderá gastar mais com as importadas, específicas para a prática na estrada ou nas montanhas.
Pessoas comuns, acima do peso, com medidas fora do padrão devem se conformar. A solução mais fácil é desistir.
Foi o que fiz, desisti. Não gosto de fazer exercícios, detesto muito suor e dores. Caminhar é um sacrifício. Correr? Nem pensar! Natação… Não me sinto confortável num reservatório de água onde algum velhinho que faz hidroginástica deixa escapar um xixi. Além de sempre ter um engraçadinho reparando nas adiposidades alheias. Academia… Não é comigo. A idéia de ficar confinado num lugar fechado, abafado, com um monte de gente fedendo a suor chega a me dar náuseas. Me desculpem o machismo, mas também não acho legal a idéia de dividir vestiários com os “mocinhos” narcisistas admirando-se nos espelhos.
Mas é preciso ficar saudável. Não me atiro tanto sobre as besteiras, procuro manter uma alimentação adequada, com fibras, como a TV recomenda, mas não dá para virar comedor de alface de um dia para o outro. Meu problema não é a comida, mas o sedentarismo. Há anos não pratico uma atividade física regular. Preciso fazer alguma coisa, antes que a conta chegue, tão alta que eu não consiga pagar.
Há pouco fui a uma loja da Decathlon, recém inaugurada na cidade. Encontrei uma bicicleta certa para o meu tamanho, com um quadro grande, rodas aro 28, bastante robusta, equipada com todos acessórios que deveriam ser obrigatórios nas bicicletas nacionais: páralamas, buzina, cesto, farol com dínamo, refletores, luz traseira, bolsa… Um sonho. O vendedor indica que a bicicleta, Elops 3 da B’Twin, é importada da França e que tem garantia de 5 anos para o quadro e 2 anos para as peças, algo impensável até para a melhor Caloi que só é garantida por 6 meses.
O preço é salgado. Penso, volto num outro dia e resolvo experimentar, dou uma volta entre as prateleiras da loja e logo percebo que é a minha bike, precisa, confortável, com um movimento de pedal delicioso. Volto para pensar em casa, afinal, uma compra dessas precisa ser feita com consciência para que não seja mais um entulho no quintal. Resolvo, me comprometo.
Pedalei com a bike da loja até em casa. Doeu tudo, principalmente a bunda. Achei que não conseguiria sentar novamente.
Hoje, fiz o primeiro passeio oficial, senti as pernas queimando numa subida mais íngrime, mesmo com a marcha mais leve. Sofri e não desisti, fui mais longe, cheguei ao limite para não ficar quebrado no dia seguinte. Mas me diverti, muito, com o vento batendo gostoso numa descida.
Espero ter força de vontade para continuar, até que não precise mais de um selim tão macio e que as pernas peçam por uma marcha mais rápida. Quem sabe até chegar ao ponto de resgatar minha Caloi 12 da poeira e ganhar as estradas.