Marvel Vs. Capcom 3



A tempos que não surge algo realmente novo no universo do videogame. A maior parte dos lançamentos são versões atualizadas de jogos que fazem sucesso desde a era 8 bits, mas isso não quer dizer que seja ruim, quando gastávamos os dedos no Nintendinho e no Master System, soltávamos a imaginação tentando vislumbrar como seria os personagens com movimentação em 3D e gráficos tão avançados quanto desenhos animados. Hoje podemos experimentar esse sonho.

As produtoras viram nessa tendência uma excelente forma de faturar. Pra quê investir em novos títulos se podem reeditar grandes clássicos? Dinheiro fácil para o negócio e satisfação garantida tanto para os velhos gamers quanto para os que estão chegando agora.

Marvel Vs. Capcom 3 é isso. Um grande game de luta que brilhou nos arcades e no Dreamcast (depois no PS2, sem tanto brilho) e que retorna repaginado, como já aconteceu com Street Fighter, mas claro que com a vantagem das disputas online, elevando a diversão para um universo muito além daquele "contra" no fliperama ou a briguinha com o vizinho. A contar pelos gráficos e jogabilidade apresentados na demonstração da E3, o game tem tudo para fazer sucesso.

Tchau, Saramago

saramago

Ninguém lê uma obra de José Saramago e não se transforma. Sua lógica aguda e cristalina nos faz rever e reavaliar o mundo e as coisas. Hoje ele se foi, logicamente iria um dia, mas fica a tristeza e a certeza de uma grande perda.

Não nascemos prontos



Vale a pena ver, ouvir e pensar em tudo o que Mario Sergio Cortella diz. Esse vídeo está dividido em 4 partes, basta ver a primeira e seguir os links para as partes seguintes.

Groselha vitaminada Milani, Iahuuu!

Abri a geladeira e resolvi tomar um copo do iogurte que meu filho costuma se entupir. De cara lembrei do meu leite com Groselha Milani e, surpreendentemente, lembrei de todo o jingle. Humm, que delícia! Não foi difícil encontrar a propaganda no YouTube, difícil deve ser encontrar a groselha nas prateleiras, será que ainda existe?

Groselha vitaminada Milani, Iahuuu!

É uma delícia! No leite, no refresco e no lanche!

Pra tomar a toda hora, na sua casa, na festinha na merenda

Tudo fica uma delícia, guarde o nome e não se engane

Groselha vitaminada Milani! Também em sabor morango e framboesa! Iahuuu!

Massa renova por mais 2 anos

A Ferrari divulga a renovação do contrato de Felipe Massa por mais dois anos, notícia que estabelece uma certa tranquilidade no mercado de especulações que já dava como certa a saída do piloto brasileiro e arriscava vários nomes de possíveis substitutos.

Massa pode arregaçar as mangas e trabalhar para fazer sua Ferrari render o que se espera de um time grande, livre das pressões sensacionalistas da imprensa. Ótimo. Mas esse anúncio não é garantia de tranquilidade, haja vista o que aconteceu com Raikonen no passado, com contrato assinado, expulso de Maranello para abrir a vaga para Alonso.

O que garante o piloto na equipe não é um papel assinado. Massa só terá tranquilidade quando andar bem mais forte do que tem andado e conquistar melhores resultados que o espanhol.

O anúncio de hoje é um bom sinal, mas não tem valor.

Polícia prende 8 assaltantes da Rolex

Em pouco tempo a polícia de São Paulo conseguiu prender oito assaltantes da famosa relojoaria. Palmas para a polícia!

Esses bandidos são muito ousados, enfrentaram a segurança do shopping e fizeram uma ação cinematográfica. Roubaram em atacado. Caçá-los e aprisioná-los era uma questão de honra para o sistema de segurança estatal.

Seria melhor se esse sistema funcionasse tão bem no varejo, protegendo o cidadão comum que perde seus relógios, seu dinheiro e seu sossego nos semáforos da cidade, crime tão banalizado que deixou de ser notícia.

Encontrei Jesus!

jesus

Uma amiga foi ao Maranhão e me trouxe um grande presente, duas latinhas de Jesus, isso mesmo, Jesus em lata!

O refrigerante é um orgulho maranhense, criado em 1920 pelo farmacêutico Jesus Noberto Gomes, que segundo consta foi ateu, tem um sabor próximo do tutti-frutti, bem doce, com uma bonita cor rosa. Mais consumido que a Coca-cola no estado, teve sua fórmula comprada pela engarrafadora da líder mundial (será que mais uma empresa Sarney?) e é produzido com exclusividade para os consumidores maranhenses.

Quem quiser experimentar tem três opções, comprar um pacote turístico para as lindas paisagens maranhenses, pedir para algum conhecido que fez a primeira opção ou torcer para a Coca-Cola distribuir para o resto do país.

Ainda não conheci o Maranhão, mas já experimentei um pouco do seu sabor. Quer saber? Gostei! No começo percebi um gosto ou cheiro de xarope, mas depois, num grande gole geladinho, senti um sabor bem agradável, refrescante. Deu uma sensação de “quero mais”, quem sabe não passe para a primeira opção e faça as encomendas para quem preferir permanecer na segunda?

Teatro do SESI SJC – Deolindo e Genoveva

deo

Ontem, entediado com o feriadão num dia frio e a ressaca de um resfriado, resolvi sair para uma volta na cidade.

As luzes do novo Teatro do SESI em São José dos Campos chamaram a atenção. Estacionei sem dificuldades, entrei no novo espaço admirando a arquitetura, feliz por ter a oportunidade de desfrutar desse belíssimo espaço tão próximo de casa, um privilégio que dá um orgulho danado. Coincidentemente havia começado a distribuição de ingressos e resolvi experimentar a atração do dia, Deolindo e Genoveva, da trupe Cia. Lúdica. Não demorou para o espaço encher, pessoas de todos os cantos começaram a aparecer, crianças, jovens e melhor idade, aguardando o início do espetáculo.

A sala bastante confortável, com ótimos recursos de som e luz, estalando de nova, impressiona. Logo as luzes acendem e começa a apresentação, uma trupe de artistas num misto de camelôs e fanfarra apresentam-se tendo como fio condutor a história de Deolindo e Genoveva, baseada no conto O Almirante de Machado de Assis.

Infelizmente não foi uma grande noite de teatro. O público mal reagiu, não entrou no jogo proposto e não soube aproveitar as oportunidades de interação. Por outro lado, os artistas também não pareceram desafiados a mudar essa situação, diante da indisposição resolveram continuar com o roteiro, sem criar um espetáculo. Os malabares caíram, os movimentos ficaram desarmoniosos, os clowns ficaram sem graça. Atrasos nas entradas de cena deixaram a apresentação sem ritmo. Os erros no texto, mal disfarçados, mostravam o tamanho da falta de concentração.

A música estava perfeita para um cochilo ou para um barzinho de dor de cotovelo, oposta da proposta visual. Não acho que foi mal executada, pior, simplesmente não combinava com a encenação, como se tocasse música fúnebre num aniversário infantil

Sou fã de teatro e fico triste por fazer esses comentários, mas não posso fugir da verdade, pela primeira vez saí de uma apresentação com a sensação de que seria melhor ter ficado em casa, pelo menos poderia ver algumas cenas de Tony Ramos e Fernanda Montenegro na novela. Mesmo assim, continuo acreditando que foi só uma noite infeliz e que numa nova apresentação, com artistas descansados e animados, com uma platéia envolvida, Deolindo e Genoveva seja bem melhor.

Mas há muito o que comemorar, o espaço está lá, funcionando, com uma programação extensa e, melhor, de graça, para oferecer cultura para o povo. Iniciativas como essa devem ser sempre aplaudidas de pé.

Oh, so close!

O automobilismo nesse final de semana foi emocionante, uma boa briga com a dupla da Red Bull e outra com a dupla da McLaren na F1 e, em Indianapolis, depois de horas de gira-gira, alternando entre bandeiras verde e amarela, esse acidente dá o tom do espetáculo e do perigo que é correr nessa pista.

Turquia, a exposição da crise na RBR

A corrida seria mais uma das  chatas da temporada, sem ultrapassagens, sem muita emoção. A surpresa era a McLaren andar tão perto da Red Bull, mas depois da metade da corrida, estava claro que não haveria troca de posições, até que Vettel resolve ir pra cima de Webber.

A ultrapassagem era certa e, quando estava mais de meio carro à frente do companheiro, resolve jogar para a direita para fazer a tomada para a curva. Se fosse um cara mais cauteloso, Webber seguraria o carro e deixaria o jovem piloto alemão o ultrapassar, mas como já mostrou em outras oportunidades, o australiano não tem medo e não se importa com uma batida, então, manteve a trajetória e os dois carros ganharam asas e  voaram para fora da pista. Vettel saiu no prejuízo, Webber perdeu o bico, voltou e garantiu a 3ª colocação.

Algumas voltas depois, nova disputa com a dupla da McLaren, Button mais rápido ultrapassou Hamilton, mas o jovem piloto inglês deu o troco, deixou o carro escorregar para cima do companheiro que, se tivesse a mesma cabeça do australiano, também dificultaria, mas Button é um lorde inglês, soube manter a cabeça fria e aceitar a ultrapassagem, terminou atrás, na 2ª posição, marcando importantes pontos, para mim, o favorito para o campeonato.

Massa largou e terminou na mesma posição, sempre atrás de Kubica, fez o que pode com uma Ferrari visivelmente fraca, tanto que Alonso também sofreu, mas depois de ter largado atrás, fez uma boa corrida, terminando em 8º, com uma boa disputa com Petrov.

Schumacher chegou na frente do ótimo companheiro de equipe, mostrando uma evolução no retorno à categoria. É craque.

Barrichello fez um ótima corrida, ultrapassou, brigou, mas ficou longe da zona de pontuação, sua Williams sofre com um motor fraco.

Senna largou bem e fazia uma bela corrida até quebrar, rotina naHispania. Di Grassi, ótimo piloto, brigou com Senna, mas ambos foram coadjuvantes, arrastando-se com seus péssimos equipamentos.

Apostava que nessa corrida a Ferrari evoluísse e chegasse perto da Red Bull, papel que acabou ficando com a McLaren. Parece que a equipe de Maranello ficará mais uma vez no papel de coadjuvante, incapaz de desenvolver o carro nessa nova F1, sem testes e de baixos custos.

A Red Bull é a melhor equipe, mas se não priorizar um dos pilotos, corre o risco de perder o campeonato.

A McLaren mostrou evolução, tem ótimos pilotos e pode virar o jogo. Torço por Button na briga interna da equipe.

TV Digital no net

A TV digital chegou em São José dos Campos através da Vanguarda TV, emissora regional com programação da Rede Globo.

Provavelmente será a única por muitos anos. O investimento das outras emissoras para implantar o sinal digital em outras praças, como a nossa região, só se justifica quando o retorno financeiro é garantido. Aliás, no Vale do Paraíba só existe a presença efetiva da TV Vanguarda e da Band Vale, outros canais são retransmitidos, mas sem programação regional.

Estava ansioso pela chegada do sinal digital, pela oportunidade de receber o sinal full HD na minha casa, poder assistir ao futebol, aos filmes, aos grandes eventos com uma qualidade perfeita de imagem, mas mais do que isso, estava ansioso para poder assistir TV em qualquer lugar, no carro, numa sala de espera, na mesa do escritório, sem brigar com a antena contra os ruídos e fantasmas. Finalmente consegui, comprei um receptor USB MobTV MT-100 da TecToy, claro que escolhi a marca pela tradição dos videogames da Sega, mas também por causa do software que acompanha o aparelho, totalmente em português. Provavelmente há melhores, mas estou bastante satisfeito com meu novo brinquedo.

Recomendo a todos que forem viciados em TV, basta instalar o software, plugar o aparelhinho com o tamanho de um pendrive na saída USB e assistir a programação com perfeição de imagem. O sinal é de baixa resolução, fica muito bom numa pequena janela, caso seja expandido para toda a tela, os defeitos aparecem. Sei que existe aparelho parecido com recepção full HD, mas para acompanhar o Globo Esporte no horário de almoço, ficar atento aos lances dos grandes jogos da Copa, enfim, qualquer evento importante que esteja acontecendo na TV, disponível na tela do netbook, está ótimo!!!

Meus carros: F100 1958

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Foram tantas histórias com o Fusca laranja que se resolvesse registrar nesse blog todas elas, acabaria virando um livro, quem sabe um dia vira alguma coisa, por enquanto vou guardá-las e me adiantar na série, senão corro o risco de entendiar meus queridos seguidores. Assim, tomo a liberdade de dar um pequeno salto no tempo e dar-lhes uma triste notícia, o Fusca Laranja foi vendido, por uma segunda vez (disse que tem muita história) e, dessa vez, não foi devolvido, apesar do adiantado estado de embriaguez do comprador.

Apaixonado por carros, adquiri o costume de visitar a feira no estacionamento do Anhembi, em São Paulo. Acordava cedo todos os domingos, pegava o ônibus até o Tietê e seguia a pé até o lugar, aproveitando para ver os carros que ficavam de fora do Parque, ocupando as avenidas, estacionados desde a madrugada, aguardando compradores. Não tinha muito dinheiro, mas gostava de poder ver tantos carros à venda reunidos num mesmo espaço, poder apreciar as raridades e rir silenciosamente das esculturas de massa plástica que mal podiam manter-se em pé, tentando iludir com um brilho falso e um pretinho nos pneus carecas. O passeio era coroado com uma deliciosa fogazza em uma simpática barraca de uma família napolitana.

Num passeio desses, dentro do estacionamento, encontrei aquela que me seduziu a primeira vista, uma linda pickup Ford F100, 1958, toda linda, com a lataria inteiramente restaurada num vermelho cereja, com enorme escapamento que se erguia verticalmente um pouco atrás da cabine, cromado como todas as outras peças que adornavam aquela maravilha. O vendedor, mais orgulhoso por sua preciosidade e animado em matar minha curiosidade, abriu o capô, quer dizer, a frente inteira da belezura, pois havia integrado capô e paralamas, abrindo-os para a frente e expondo o belíssimo motor V8, amarelo, com todas as peças brilhantes. Os pneus gigantes, montados sobre rodas largas harmonizavam todo o conjunto.

O preço era inatingível, uma obra de arte para poucos, mas saí do encontro bastante inspirado.

Na semana seguinte, vasculhei a cidade a procura de uma caminhonete daquele ano, velha, afundada na poeira, com a esperança de poder recuperá-la e transformá-la naquela maravilha, armado apenas com a minha boa vontade e nenhuma grana no bolso.

Para um garoto como eu, nada era impossível, acho que todos os garotos de 20 anos sentem-se indestrutíveis e poderosos, talvez uma síndrome de Super-Homem que ainda não foi devidamente estudada, que nos tira o juízo e nos faz idiotas, vitoriosos, tolos e, principalmente, destemidos.

Encontrei várias, muitas sem salvação, outras bonitas, bem conservadas, mas caras. Nenhuma tão suficientemente boa para o meu nível de exigência e barata para o meu bolso. Não podia desistir da idéia, quando pensava em fraquejar do meu objetivo, a imagem daquela gigante vermelha me vinha à mente, com seu enorme motor roncando naqueles escapamentos brilhantes.

Trabalhava na borracharia e sempre fui muito falante, acho que os clientes entravam e saiam enquanto eu continuava contando a mesma história, falando sobre meu desejo, minha procura. Um dia um deles me animou, disse que conhecia um cara que tinha uma caminhonete dessas encostada no fundo do quintal. Insisti e descobri que esse sujeito era um cara conhecido, freguês da oficina, genro de um importante político da região.

Fui atrás, encontrei a casa do sujeito, uma bela residência com gramado e piscina. A F100 abandonada no fundo do quintal estava em tristes condições: pneus vazios, coberta por folhas, com carburador desmontado, sem bateria e sem tanque de combustível. O sujeito me recebeu, mostrei toda minha animação, contei os meus desejos e o convenci a limpar o seu quintal, dando-lhe a certeza de que estava entregando aquele carro de família para alguém que o trataria muito bem.

Soube que a caminhonete era um presente que ele tinha recebido do pai, última unidade de uma frota de uma antiga empresa da família, que havia sido guardada por ter o mesmo ano do seu nascimento. Havia passado por uma reforma, o motor era completamente zero, a pintura era recente, mas um descuido havia causado uma batida na porta do motorista que podia ser facilmente recuperada com um pouco de carinho. O problema era que sua mulher odiava o ornamento no quintal. Todos sabem como são convincentes as mulheres, principalmente quando querem mudar a decoração.

Negociamos um preço e chegamos facilmente a um acordo. Paguei o que podia para limpar o espaço e me comprometi a saldar o restante quando ele me entregasse os documentos atualizados.

A primeira providência para ressucitá-la foi comprar uma bateria nova, enorme, caríssima. Depois, bastou recuperar o carburador, reinstalar o filtro e adaptar um vasilhame plástico de combustível dentro da cabine, alimentando o motor com uma mangueira transparente. O motor acordou com poucas tentativas. O câmbio na coluna de direção, com 3 marchas, era um mistério, mas logo peguei o jeito, pisei na embreagem, consegui engatar a primeira e saí devagarzinho. Me animei, engatei a 2ª e vi o lindo velocímetro subir o ponteiro. Pisei no freio e levei um susto, só umas duas rodas frearam e a bicha balançou feio, me obrigando a segurar o coração, antes que saísse pela boca. Diminuí e, com a responsabilidade de garotos de 20 anos que se acham indestrutíveis, cheguei em casa, distante a mais de 15 quilômetros, enfrentando um trânsito intenso, sem documentos, dirigindo um veículo completamente estranho, com vários problemas mecânicos e um câmbio complicado.

Meu pai quase me matou quando viu aquilo entrando no quintal. Minha mãe surtou. Minhas irmãs me chamaram de maluco. Eu sorria de orelha a orelha, pulando de felicidade.

Agora faltava pouco, trabalhar para conseguir o dinheiro para pagar o saldo restante, comprar as peças para deixá-la em mínimas condições de rodar com alguma segurança pelas ruas e, depois, sonhar com pneus e rodas gigantes, pintura e funilaria nova, hummm, faltava tanto e tão pouco ao mesmo tempo!

O dia-a-dia era transitado com minha valente bicicleta e, quando saía para lugares mais distantes, ônibus. Assim, aos poucos fui encarando a realidade. Meu carro era inútil, mal saía do quintal e minha grana era curta demais. Não demorou para sentir saudades do meu Laranjão.

Aos poucos, fui dando razão aos apelos do meu pai, cheguei a acreditar que havia feito um dos piores negócios do mundo. Então, derrotado, tentei trocar minha preciosidade por um Opala 4 portas, completamente podre, mas que andava. O sujeito, vendo o meu desespero, aceitou o negócio com a condição que ainda lhe pagasse uma boa diferença de volta, dividida em dolorosas parcelas. Aceitei o negócio, fechado numa mesa de bar regada com a cerveja que podíamos pagar. No dia seguinte, levei a F100 para o abate, disposto a fazer a troca. Mas o sujeito mudou de idéia, graças à Deus!!!

Na hora, desanimado com o mico que tinha nas mãos, resolvi rodar por alguns desmanches procurando um tanque de gasolina que pudesse ser adaptado, diminuindo o risco de ver a gasolina explodir no meu colo enquanto dirigia. Estacionei na porta da loja, entrei e procurei a peça que me faltava. Quando voltei para a F100, um sujeito observava atentamente cada detalhe da lataria.

Antes que pudesse reagir, me perguntou se aquela caminhonete era do sujeito que me vendeu. Confirmei e disse que era minha, havia comprado a pouco tempo. Então perguntou se queria vendê-la. Respondi que sim e, como reza a lei da oferta e procura diante de uma pergunta dessas, disse que venderia por um valor que a essa altura me foge da memória, mas que seria suficiente para comprar uns quatro Opalas iguais ao que eu tinha tentado trocar naquela manhã. Para a minha surpresa, o sujeito era o dono do desmanche, me levou até o escritório e preencheu o cheque, sem barganhar. Pediu que um funcionário me acompanhasse até o banco e garantisse o meu saque, a bordo de uma caríssima F1000 cabine dupla, à diesel. Claro que sua intenção não era desmanchá-la, garantiu que a deixaria nova, acredito que até hoje faz parte de alguma coleção.

Cheguei à borracharia com um saco cheio de dinheiro. Meu pai mal podia acreditar, só conseguia me chamar de rabudo por ter conseguido arrancar tanto por um “lixo” como aquele.

Foi mesmo muita sorte, mas o fato é que estava vendendo caro o meu sonho. Sabia que nunca poderia realizá-lo, mesmo assim, até hoje, penso em como teria sido bom. Quando vejo uma F100 dessas, num filme ou num desfile de carros antigos, lembro da minha, uma velha senhora resgatada por um garoto sonhador.

De tanto que já falei dela, ganhei da minha esposa uma linda miniatura de presente, nesse último aniversário. Todos os dias a vejo e relembro aquele primeiro ronco e aquela freada torta que quase me matou.

Quero revelar meu filme!!

filme

Hoje tive uma experiência estranha, acordei cedo para a rotina normal dos sábados e antes de sair de casa peguei meu rolo de filme para revelar no laboratório do bairro.

Cheguei cedo e dei com a cara na porta, feriado. Tudo bem, Dia do Trabalho, todos tem direito a um merecido descanso, mesmo os comerciantes a uma semana do dia das mães, cada um sabe como anda o seu negócio.

Prefiro filmes Fuji e procuro revelá-los no mesmo lugar porque o laboratório mantém uma espécie de exclusividade com a marca, garantindo para mim uma qualidade que me agrada.

Mas diante das portas fechadas, virei para o vizinho com uma imensa marca amarela na porta, com um gigante logotipo Kodak. Entrei no lugar e coloquei o rolo de filme no balcão, pedindo para revelar. A moça olha para mim e para o rolo, para mim e para o rolo, isso mesmo, duas vezes o mesmo movimento, então responde que não trabalham mais com esse tipo de filme, mas que se eu não tivesse pressa poderia deixar para retirar em alguns dias.

Ué, como vocês não revelam mais filmes? Tudo bem! Não tem problema, procuro outra loja. Sigo para um hipermercado próximo, cheguei a revelar meus filmes algumas vezes por lá, mas desisti por causa da má qualidade do atendimento. Depois de enfrentar uma fila desorganizada, coloco o filme no balcão. Flashback? Não, o sujeito olha para mim e para o rolo, para mim e para o rolo e responde que não fazem mais esse serviço, mas diante do meu olhar de reprovação, completa com uma mentira descarada, Nossa máquina está quebrada.

A mesma coisa se repetiu em outras duas lojas de shopping. Não tinham nem mais filmes para a venda. Desisti, prefirindo esperar a reabertura do meu laboratório de confiança na próxima segunda-feira.

Não estou alheio ao que acontece no mundo, fui um dos entusiastas da fotografia digital, desde o começo, ainda guardo minha primeira câmera, com resolução VGA e sem tela de LCD para conferir o resultado, tenho bons equipamentos digitais e os uso com regularidade. Sei que a qualidade atual dos sensores é fantástica e que as impressoras conseguem resultados bem satisfatórios. Satisfatórios, mas não excelentes.

A reprodução das cores e a qualidade das imagens ainda é melhor no metodo analógico, sem contar que gosto de manter aquela sensação de surpresa ao ver as imagens reveladas, conferir ainda no balcão como ficaram aquelas tiradas a um certo tempo, reviver pela primeira vez as cenas da nossa vida nos pedaços de papel e não na tela do computador.

Apesar de saber a muito tempo da queda do uso do sistema químico de fotografia, ainda não tinha sentido na pele essa ausência. Entendo os motivos dos comerciantes, se não há consumo, porque gastar com equipamentos e produtos químicos? Provável que só tenham lucro com grande quantidade. Poucos não valem a pena. É bem possível que o velho japonês não continuará a revelar meus filmes por muito tempo, insistirei, adoro o formato, por isso não duvido que em breve estarei pagando mais caro, mandando meus filmes para serem revelados pelo correio, até que um dia não existam mais.

Contava que a fotografia coexistiria por um bom tempo nos dois sistemas, pelo jeito, o jogo virou.

Não sinto saudades dos discos de vinil, achava um saco ter que trocar a agulha do toca-discos, odiava as fitas cassete, só as mantinha para ouvir no carro, mas detestava limpar cabeçotes com cotonetes. As fitas VHS foram embora tarde, DVD é muito melhor e não vejo a hora de todo mundo ter um tocador Blueray para encontrá-los mais facilmente nas locadoras. Mas os filmes, a espera da revelação com aquele friozinho na barriga, a qualidade das imagens e das cores, registradas para sempre, vão deixar saudades. Uma perda lamentável.

Silvio Santos e a Corrida de Fórmula B


Dizem que é brega, que já está ultrapassado e que não aguentam mais. Mas quando podem, assistem.

Apesar da idade, das fórmulas velhas e ultrapassadas, das gags, das frases batidas e esgarçadas, Silvio Santos continua divertindo a todos.

Muita gente não sabe ou não se lembra que SS era a principal estrela da TV Globo, isso mesmo, dominava todo o domingo com seus programas, aliás, o domingo só começava quando ele aparecia na tela, com a animada canção “Silvio Santos vem aí, lá lá, la ra la lá!”, estendia-se durante todo o dia e finalizava com a Praça da Alegria, comandada por Manoel da Nóbrega. Saiu, foi para a Tupi, o programa chegou a ser transmitido simultaneamente com a TV Record, de sua propriedade, pelo menos em São Paulo. A Globo, sem Silvio, transmitia só as séries e filmes americanos, a famosa fase dos enlatados, e perdia feio na audiência. Não tenho os dados, mas garanto que o dono do Baú mantinha mais de 80% da audiência.

As famílias brigavam por um espaço no sofá, todos, juntos, colados, assistindo ao programa, interminável, rindo, comentando e se divertindo.

Mais ou menos nessa época, quando a base do animador era o Cine Teatro Sol, na Av. Ataliba Leonel, mais tarde batizado como Teatro Silvio Santos, no bairro do Carandiru, numa estrutura quase mambembe, vi o ídolo das famílias ao vivo e, principalmente, em cores.

No mesmo bairro havia um fotógrafo que cobrava mais barato por fotos de documentos, com revelação na mesma hora. A escola exigia que entregasse 2 fotos 3X4, para fazer a Carteirinha do Estudante, para quem não se lembra, uma carteirinha com a identificação do aluno na capa, nas primeiras páginas trazia hinos nacionais, seguida por várias páginas a serem carimbadas com “presente” e “ausente” e, no miolo, o temido boletim. A maior parte do ano ficava desatualizada, mas era uma bela carteirinha, volumosa, parecida com uma Carteira Profissional, cheia de folhas. Adorava! Carregava orgulhoso a minha, no bolso da camisa branca da escola, completando o uniforme com calça de tergal azul e sapato preto, de couro, bico de pato.

Enfim, numa tarde depois da escola seguimos, minha mãe e eu, para o tal fotógrafo, numa roupa caprichada, com o pente no bolso, para sair bonito na chapa. Uma viagem de ônibus, o ponto era próximo da loja. Mas para a volta era preciso voltar um bom pedaço a pé. No caminho, passamos em frente ao famoso teatro, com um movimento frenético de mulheres na calçada. Minha mãe arriscou e perguntou a uma delas o que estava acontecendo, soube que estavam gravando um programa do Silvio Santos, mas que estavam para fora porque havia dado problema numa câmera.

Quase no mesmo instante apareceu um sujeito na porta do teatro e pediu que todas entrassem porque recomeçaria a gravação. Minha mãe, curiosa para ver o apresentador, popular desde a sua juventude, quis entrar junto. Sabia que a platéia era exclusivamente feminina, mas falou com o segurança para que me deixasse entrar, só por um tempinho. O sujeito olhou para mim, não viu uma grande ameaça no alto dos meus 8 ou 9 anos e consentiu com a cabeça.

Entramos, sentamos, a platéia silenciou e logo entrou aquele homem, que antes para mim só existia dentro da tela, em carne e osso, quase pálido, não fosse a maquiagem, vestindo um autêntico terno da Camelo, marca que fazia questão de anunciar. A mesma voz, mais alta, mais clara, encheu os ouvidos do auditório, a claquete exigia palmas, o show estava começando, Corrida de Fórmula B, um programa de perguntas em que dois competidores exageradamente maquiados e ridiculamente vestidos, disputavam um prêmio. Mas no meio da gravação, uma voz manda parar. A câmera havia pifado mais uma vez.

Ih, que droga, minha mãe, já preocupada em chegar rápido em casa para dar tempo de botar o feijão de molho e preparar o jantar para o meu pai que chegaria faminto do trabalho, não poderia esperar. Tive certeza que sairíamos naquele instante. Mas Silvio sabia que a platéia era importante, então, pediu uma rápida licença, talvez para um gole de água, e logo voltou exibindo uma animação ainda maior do que a gente se acostumou a ver nos programas. Veio para perto da gente, no meio da platéia, brincou com todo mundo, conversou, contou piadas, nosso amigo íntimo a muito tempo, mostrando simplicidade e aumentando ainda mais o seu carisma. Com a câmera quebrada, o show tinha ficado ainda melhor.

Depois de um tempo aproveitando do seu convívio, precisamos sair, o medo de perder o ônibus e demorar para chegar em casa era maior em minha mãe.

Nunca mais pude ver o patrão do SBT desse jeito, acho que nem minha mãe, que hoje nem precisa se preocupar em correr para cozinhar tanto feijão. Mas garanto que Silvio Santos está em sua casa todos os domingos, junto com o cheiro de caramelo de pudim e do molho de tomate sendo cozido por horas, com perfume de manjericão.

GPS: Quem já foi vítima, põe o dedo aqui!

perdido

Não há dúvida que o GPS é um belo acessório, quase obrigatório nas grandes cidades. Muitas vezes uma salvação, principalmente em situações em que a gente se encontra completamente perdido, numa madrugada, depois de uma festa, numa cidade desconhecida e sem ninguém sóbrio o suficiente para indicar um caminho. Várias vezes me questionei em como consegui sobreviver tanto tempo sem GPS e celular.

Claro que o aparelhinho está longe da perfeição. Às vezes dou risada sozinho, com as sugestões estapafúrdias da loira que tem dentro dele, mas nada que realmente seja prejudicial, até hoje o máximo que experimentei foi uma confusão com a numeração dos endereços, mas sempre cheguei tranquilamente na via correta.

Nesse feriado, buscando uma alternativa para comemorar o aniversário do meu filho, resolvi levá-lo para o Hopi Hari. Bastou selecionar o nome do parque numa busca rápida do banco de dados e logo recebi um caminho que me pareceu convincente, saindo do Vale do Paraíba pela Rodovia D. Pedro I e depois desviando em Itatiba para seguir por uma vicinal até Vinhedo.

Sei chegar na D.Pedro I, então só liguei o bichinho quando estava lá. Logo me mandou desviar para um caminho esquisito, mas vi que era uma falha, pois não havia nada ali. Tudo bem, achei que devia ser só um defeito no mapa e segui em frente, até Itatiba, como já havia visto. No ponto esperado, um desvio me levou direto para uma estradinha, quase simpática, não fosse a quantidade de radares e a falta de placas indicadoras de velocidade, um crime. Logo à frente, me mandou subir uma rua sem movimento, com barrigudos lavando carros no feriado, meu desconfiômetro foi acionado. Em seguida, uma estradinha de terra. Tudo bem, quis acreditar que fosse um atalho, mas a poeira começou a aumentar e a buraqueira a ficar mais funda, então agradeci por não estar chovendo. Mais pra frente, um lixão a céu aberto, desviei de animais mortos, sofás velhos, urubus… Segui em frente e logo vi o meu ponto na telinha estar solto no meio do nada. O pessoal começou a ficar desesperado, mas tentei manter a calma.

Voltei um pouco para trás e logo avistei um outro carro passando! Devia estar usando o mesmo GPS… Segui e logo voltei ao mapa, numa estradinha confortável, bem asfaltada, com várias pousadas e sítios em volta. Um tempo depois, cheguei a Vinhedo, comemorei e continuei seguindo, vendo que o movimento de carros era mais intenso e acreditando que não faltava muito para chegar.

De repente, chego num entroncamento complicado e a loira grita, “Você chegou ao seu destino!!!”. Olho para todos os lados e não consigo enxergar uma roda gigante. Paro num posto de combustível e um frentista apressado me responde que tenho que pegar a Rodovia Anhanguera e seguir até Jundiaí, depois voltar pela Bandeirantes até chegar ao parque.

Peraí, achei que já estava no lugar e o cara me manda para mais uma aventura dessas? Duvidei. Perguntei a outro cara, mais paciente, que me explica o mesmo caminho, com mais detalhes. Fiquei muito P da vida!!! Por pouco não atirei o GPS pela janela!!!

Fazer o quê… Segui as indicações e depois de mais um tanto de quilômetros rodados, somando quase 4 horas de viagem, chego finalmente ao parque, exausto. Talvez seria mais perto e menos cansativo chegar ao Rio de Janeiro, com tempo para dar um mergulho na praia de Copacabana.

Na volta, deixo o aparelho guardado e sigo meus instintos, que me levam até São Paulo, pela rodovia dos Bandeirantes e de lá, marginal Tietê e Dutra, com aceitáveis 2 horas de viagem.

Ainda somos melhores que as máquinas.



Muita gente que vai ao Hopi Hari passa direto pela portaria, dá uma parada no banheiro e segue para a Roda Gigante, deixando de perceber o Theatro di Kaminda, um excelente espaço teatral, muito bem equipado, com poltronas confortáveis e peças sempre muito bem produzidas. Dessa vez, assisti Arlequim e seus dois patrões, uma comédia della arte, de Carlo Goldoni, com 45 minutos de duração. Esse espetáculo já vale o ingresso.

Meus carros: O Fusca Laranja

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Fui às ruas para gritar pelas “Diretas Já”, estive bem perto do palanque montado no Anhangabaú, vendo lado a lado Lula e FHC, Montoro e Covas, Ulysses soberano, todos unidos numa luta pela democracia, pelo fim da ditadura militar. Deu no que deu, a morte repentina da esperança e a ascenção de um dos ícones da ARENA, assumindo a presidência depois de uma estranha manobra, virando a casaca a favor do poder, mais uma vez, José Sarney.

A inflação fazia parte da nossa vida, mas com o governo Sarney atingiu patamares insustentáveis, surgiu o Plano Funaro, sumiço de mercadorias, empréstimos compulsórios, poupança desvalorizada, o que custava $1,00 no início do dia, chegava à noite custando $10,00. Tentávamos nos iludir, tanto que às vezes acreditávamos na reposição de salário que chegaria no final do mês, aumento sempre insuficiente. Sentíamos como náufragos, afundados, lutando por um pequeno gole de ar da superfície, mas logo arrastados de volta para as profundezas. A tão aguardada “abertura” era apenas um refresco para iludir os eleitores, os modos e costumes da ditadura continuavam presentes, como puderam comprovar os alunos da PUC que tentaram assistir “Je Vous Salue, Marie”, desafiando a ordem do coronel bigodudo, num início de ano letivo, e vivenciaram mais uma invasão da truculenta polícia federal que tentou acabar com a festa. A confusão foi imensa, os policiais viram a massa de alunos e desistiram, poucos para tantos. Era minha estréia nos corredores da universidade, um movimento que chegava a me assustar.

Depois de uma promoção no BCN, motivada pelo reconhecimento da minha habilidade no teclado, que permitia operar com facilidade uma máquina de Telex, achei que seria bom cursar Contabilidade, empurrado por minha mãe que sonhava em ver o filho formado e com um bom cargo na instituição. Mas via minhas economias cada vez mais corroídas pela inflação. O amargo lucro que recebi do “Fusca azul pavão que nunca foi meu” se perdeu no complicado efeito da desvalorização da moeda. Precisava ganhar mais para conquistar o meu sonho.

Mais uma vez caí na sedução do meu pai. O velho havia montado uma oficina de borracharia, mas dizia que precisava da minha ajuda. Oferecia uma série de vantagens e de ganhos para que eu largasse meu emprego no banco e fosse ajudá-lo. No começo, resisti. Mas ele me obrigava a trabalhar nos finais de semana, me deixando exausto, sem descanso depois de uma longa semana dividida entre escritório e faculdade. Me pagava a metade do que recebia com a minha mão de obra, consertando pneus. Não era pouco. Os pneus sem câmara de ar eram restritos aos carros novos, raros naquela época. O mais comum era os pneus esvaziarem por câmeras desgastadas, com remendos mal feitos que vazavam com facilidade, poucas vezes furavam com pregos. O movimento era intenso.

A ambição falou mais alto e acabei abrindo mão do meu emprego e largando a faculdade, partindo para uma ilustre carreira de borracheiro. No começo, como todo começo, tudo foi bem, e os ganhos eram suficientes para deixar os dois lados, pai e filho, satisfeitos. Dividíamos também aquele Fusca ex-Telesp, que já figurou por aqui. Mas não tardou para aparecer os desentendimentos. O carro era dele durante a semana inteira, servindo para a locomoção de casa até o trabalho, onde eu era apenas passageiro. Nas tardes de domingo, quando finalmente me livrava da pesada carga de trabalho, ficava livre para uns passeios com o carrinho. Toda a segunda-feira de manhã, quando ele dava a partida, conseguia ouvir barulhos que eu nunca percebia, me culpando por todos os defeitos que não existiam. Não podia aceitar aquilo calado e respondia, sem muito respeito, não o deixando esquecer que o meu azul pavão tinha sido injustamente vendido.

Um dia, cansado de tanto me ouvir e provavelmente preocupado com as minhas ameaças de comprar uma moto, meu pai chegou na borracharia dizendo que tinha visto um Fusca numa loja de carros e que, se eu gostasse, poderia fechar o negócio que ele me emprestaria a diferença. Corri para a loja, pronto para aceitar qualquer coisa que aparecesse, desde que tivesse rodas e saísse do lugar.

O carro tinha sido fabricado em 1975, com mais de 10 anos de uma vida bastante sofrida, refletida numa carroceria toda desengonçada, com amassados, assoalho enferrujado e um motor cansado. A cor era difícil de engolir, um laranja, bem forte, que podia ser reconhecido a quilômetros de distância. Olhei com cuidado, balancei a polia do motor e vi uma boa folga, dei a partida e depois de algumas golfadas de fumaça, funcionou. UAU!!!! Gritei de satisfação!!!! O carro era meu!!! Amor à primeira vista.

Senhores, o Fusca Laranja foi meu primeiro carro, com direito a nome estampado no documento, para que eu pudesse rodar livremente, pelo menos enquanto ele aguentasse.

Com o carrinho, passei por um monte de histórias. Impossível registrá-las agora, prometo que volto a contá-las. Me cobrem, tem aquela vez que viajei pela primeira vez, à noite, sem documentos… Tem aquela vez que me perdi de madrugada na desconhecida zona leste da cidade, dando carona para umas garotas da faculdade… Tem aquela vez que o cabo do acelerador quebrou e me obrigou a passar a noite no meio da rua, em pleno carnaval, sem roupa, sem dinheiro e sem comida… Tem aquela vez que…

Aguardem.

Muito obrigado!

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Fazer aniversário é sempre muito legal, uma comemoração pela benção da vida, torcendo para que a data se repita ainda por muito tempo.

Sou veterano nesse negócio de internet, tô surfando desde a época em que era restrita aos computadores da USP, com um login conquistado depois de puxar muito o saco de um professor,  mas claro que era uma época romântica, em que não havia spam e que todos os emails eram respondidos com rapidez impressionante, um negócio elitizado, quando “surfar” remetia às ondas do mar.

Até pouco tempo, o máximo que aparecia na minha caixa postal, em época de aniversário, eram os cupons de desconto das empresas que levam nosso dinheiro durante o ano inteiro, lutando por uma fidelização do consumidor. Esse ano as redes sociais bombaram as minhas contas de email, com muitas mensagens lindas, que me tomaram um tempo para responder, uma tarefa que fiz com um enorme prazer. Mas foi um claro sinal que agora a internet é pop!!! Todo mundo tem um acesso rápido, com um computador decente que roda liso. Uma vitória, um sonho realizado por todo velho nerd como eu.

Espero que ninguém tenha ficado de fora, mas se ficou, aqui vai um reforço, muito obrigado!!! Adorei todas as mensagens, lembranças, presentes.

China…

Button – Tenho que dar o braço a torcer, nunca dei muito crédito para esse cara, achava que tinha sido campeão em 2009 só por ter o melhor carro no começo da temporada. Duas vitórias em quatro corridas, surpreendendo ao vencer ótimos pilotos e equipes, por ter coragem no momento certo. Arriscou em manter-se na pista enquanto todos correram para os boxes ao mínimo sinal de chuva. Não errou e conquistou a vitória com soberania.

Hamilton – Deu show, como costuma fazer, arriscou nas ultrapassagens e conseguiu não errar tanto dessa vez, por isso chegou bem na segunda posição. Acho que a equipe não impediria uma tentativa de ultrapassagem sobre Button, mas o ímpeto acabou com seus pneus, já não tinha carro para brigar. Mais uma vez, o nome da corrida.

Rosberg – O alemãozinho só confirma o que todo mundo já sabia, corre muito. Fez milagre no passado com a fraca Williams e com um carro bom nas mãos, mostra competência. Consegue ir além do que a Mercedes pode oferecer no momento.

Alonso – Queimou a largada por pouco, tanto que foi difícil enxergar. A punição não foi tão grave, já que a corrida foi confusa para todos, com safety car e muitos pit stops. Correu o tempo inteiro no limite, cheguei a duvidar que o motor aguentasse e fez belas ultrapassagens, mostrando ser muito mais piloto que Massa em pista molhada. Deu o pulo do gato ao ultrapassar o brasileiro na entrada do box, acirrando a polêmica na briga interna da equipe, mas se não fizesse isso, seria obrigado a ficar muitas voltas atrás do companheiro.

Kubica – Competente, como sempre, faz a Lada (Renault) render muito mais do que pode. Chegar em 5º já não é mais surpresa.

Vettel – Perdeu a corrida. Ficou evidente que a Red Bull acertou o carro para a pista seca, por isso dominou os treinos e conquistou a pole position. Mesmo sendo mestre embaixo d’água, o alemão não conseguiu fazer o carro render. Ficou com gosto amargo de derrota.

Petrov – O piloto Lada mostrou que é bom de chuva, mesmo escapando em algumas curvas, fez ultrapassagens e chegou numa boa posição para um estreante.

Webber – Pela experiência e pelo ótimo carro, devia ter conquistado mais, pelo menos ter chegado na frente do russo. É ruim de doer.

Massa – Foi mal, perdeu muito tempo atrás da Williams de Barrichello e sofreu para passar Schumacher. Sofre em pista molhada, mas desconfio que não iria bem mesmo que a pista estivesse seca. O erro na classificação já deu o tom que a corrida não seria boa. Honesto, assumiu o erro e, político, aliviou a bronca por ter sido ultrapassado por Alonso na entrada dos boxes. Melhor assim, está prestes a renovar o contrato e não pode jogar seu futuro pela janela dando uma declaração inconveniente nesse momento. Terá outras oportunidades para virar o jogo sobre o espanhol.

Schumacher – Uma decepção. Sua atuação foi muito abaixo do que se podia esperar de um heptacampeão, mesmo tendo ficado 3 anos afastado e com 41 anos nas costas. Mas continuo acreditando que voltará a ser competitivo, talvez no próximo ano, quando já estiver com as condições físicas readaptadas e com o carro desenvolvido para o seu perfil de pilotagem. Por enquanto está sendo uma espécie de tutor para os novatos, ensinando-os a brigar por uma posição intermediária.

Os brasileiros – Barrichello costuma se superar quando tem um carro ruim, mas dessa vez a Williams estava tão ruim que nem ele conseguiu fazer alguma coisa. O fraco motor Cosworth rende muito pouco e impossibilita qualquer resultado em pistas com retas longas. Mesmo assim, foi o melhor na 2ª divisão da categoria, só abaixo das que  correm com motores de verdade.

Senna – ótimo resultado, chegou ao final da corrida, duas voltas atrás, mas duas voltas a frente do companheiro. Considerando que corre com um lixo sobre rodas, sem aerodinâmica e sem motor, fez milagre.

di Grassi – Se um dia tiver carro, poderá mostrar seu talento, por enquanto, está no mesmo barco de Senna, ganha experiência quando o carro não quebra. Dessa vez, quebrou.