Meus Carros – O do meu pai

O carro do meu pai. A minha primeira experiência com ronco de motor e cheiro de gasolina queimada. Inesquecível, cheio de histórias.

Um Dodge Kingsway 1951 Station Wagon, que a gente chamava de “Perua Dodge”. Um carrão americano, enorme e cheio de estilo e de vontades. Acompanhou tanto tempo a nossa família que deixou de ser simplesmente um carro, foi um dos nossos, sofreu e compartilhou alegrias. Gosto de pensar assim, carros não são máquinas frias, tem sentimentos, dias bons e ruins, alguns são sempre simpáticos, outros são mal humorados. Gosto de carros sorridentes, como aquele belo sorriso gringo que a nossa Perua Dodge estampava.

A nossa era temperamental. Às vezes se negava a chegar ao destino, hoje penso que sua personalidade era tão forte que era a única a ter coragem de discordar do meu pai, mudando o que ele planejava. Talvez preferisse parar no meio do caminho e nos proporcionar um piquenic num posto de gasolina de beira de estrada, ou simplesmente ficava cansada e preferia voltar para casa debruçada sobre um guincho, nos deixando ainda mais animados, apesar do mau humor do meu pai.

Uma viagem de carro naquela época, mesmo que curta, era certeza de aventura. Sabíamos a hora que saíamos de casa, mas nunca podíamos prever quando e nem menos se chegaríamos. Quando minha mãe anunciava que iríamos passear no fim de semana, ficava todo empolgado. Pouco me importava o destino, não me interessava se iríamos para a casa de um tio próximo ou se cruzaríamos o estado, o que me importava era o tempo que ficaria no carro, admirando as ruas pela janela apressada, apontando para cada carro que via na rua, gritando para mostrar para todos que sabia qual era a marca e o modelo. Na véspera, minha mãe preparava coxinhas, pastéis, pães e um monte de outras delícias, para nos abastecer durante o caminho, pois contava com a possibilidade de ficarmos parados, por um tempo que só a perua sabia.

O carro era enorme, abrigava a todos com um certo conforto e, apertando um pouquinho, dava pra encaixar primos e tios. Num domingo saímos bem cedo para um passeio típico de uma família católica, juntos com primos e tios, seguimos rumo à cidade de Aparecida. Não sei até que ponto chegamos, mas conheci cada posto de gasolina da Dutra. Muitos anos mais tarde, quando meu pai comprou um Fiat 147 novinho, levou meus tios para o passeio, pagando essa dívida, mas claro que todos nós, incluindo os primos, ficamos em casa.

Mas a história mais curiosa que passei nessa Perua Dodge se deu quando minha irmã nasceu, no começo de 1973. Sozinho com os 3 filhos e querendo visitá-la na maternidade, meu pai ordenou que nos arrumássemos para sair. Sem minha mãe por perto, vesti uma roupa qualquer e me enfiei no carro. Um dia de verão escaldante, o banco de corvin colava na pele. Seguimos, saindo da periferia da zona norte em direção ao centro de São Paulo. Tudo ia bem até que no meio de um trânsito caótico, que já existia na época, justamente no ponto mais baixo do “Buraco do Adhemar”, no Anhangabaú, entre DKWs, Fuscas, Kombis e Corcéis, a Perua resolveu engasgar e morrer. Nada a tirava do lugar, era enorme e pesada, impossível empurrá-la para frente ou para trás. Um guarda de trânsito, irritadíssimo com o transtorno que estávamos causando, ordenou a um motorista de Kombi, aquela corujinha, que encostasse na traseira do nosso carro e nos empurrasse para fora. Até hoje lembro da cara irritada do sujeito, praticamente colado ao nosso vidro de trás, gritando muitos palavrões, ensopado de suor. Nos tirou para fora e nos deixou no meio de um entroncamento enorme, acho que naquela convergência entre a 23 de Maio e a 9 de Julho. Não havia semáforo, um guarda ficava numa torre amarela, no meio do cruzamento, apitando e apontando freneticamente os braços, tentando reger o caos.

Com uma estranha calma, meu pai virou para trás e perguntou se queríamos sorvete, assim, no meio de carros raspando e buzinas disparando. Pulamos de alegria, cada um escolheu um sabor. Então ele pediu para que ficássemos quietos dentro do carro e saiu. Voltou um tempo depois com as mãos cheias de picolés. Deu um para cada um, abriu o capô e enquanto chupava o seu picolé, segurou o outro sobre a bomba de gasolina do carro. Nos lambuzamos e em pouco tempo ele fecha o capô, entra no carro, dá a partida e sai tranquilamente, como se nada tivesse acontecido. Curioso para saber o que tinha feito com aquele sorvete que estava sobrando, ele me responde que estava muito calor e que a Perua chupou todo o picolé, deixando só o palito. Simples assim. Só entendi muito tempo depois.

Outros tantos momentos como esse aconteceram, a maioria virou apenas flashes de memória. Um desses flashes traz a imagem nítida da minha mãe rezando o terço na descida da serra para Santos, preocupada com uma tal de Curva da Onça.

Um certo dia meu pai resolveu vender a Perua, cansado das reclamações da minha mãe que, por sua vez, estava cansada de empurrar aquele monstro sobre rodas. Um senhor passou pela rua, viu a placa, parou, trocou algumas palavras e fechou o negócio. Chorei, enquanto minha mãe comemorava. No dia seguinte, arrependido, meu pai procurou o sujeito e tentou desfazer o acordo, chegou a oferecer mais do que havia recebido, mas o comprador estava feliz e não aceitou. Nunca mais soube dela.

Outro dia encontrei essa foto na internet, uma Dodge idêntica, com a mesma cor e o mesmo jeito. Gosto de pensar que a mesma.

Meus Carros – O primeiro

jeepedal

Amo carros. Um amor intenso, uma atração que faz parte do meu DNA. A minha lembrança mais remota da infância é sentado num chão cercado de carrinhos de plástico barato, um tipo de brinquedo que não existe mais, réplicas feitas de um plástico mole, moldadas numa forma única, destacando-se apenas as rodas, presas por eixos de metal. Rodas que se soltavam com facilidade, um perigo para as crianças, muitos acidentes devem ter acontecido com garotos entupindo as gargantas com elas ou se espetando com os eixos. Nada grave comigo, só uns arranhões que deixaram algumas marcas. Toda vez que minha mãe se despedia, indo para as compras na feira, pedia um novo carrinho, às vezes ganhava, muitas não. Minha maior diversão era recortar as portas e os capôs, imaginando que dentro deles encontraria os bancos, o volante, o painel e, quem sabe, uns bonequinhos. Claro que era uma fantasia boba, mas insistia na possibilidade, tanto que levava uns tapões na bunda, com minha mãe irritada por ter destruído outro fusca.

Nos anos 70, automóvel novo só era possível para quem tinha muito dinheiro. As famílias de classe média baixa ficavam felizes quando possuíam um carro velho. A esperança era encontrar a sorte nos carnês do Baú da Felicidade. Havia na minha casa uma gaveta com muitos carnês pagos, com o sorriso do apresentador. Lembro da minha empolgação quando, num passeio de domingo, cruzamos com uma carreata de fuscas novos, enfeitados com balões, guiados por felizes sorteados no Programa Silvio Santos, saindo da Vimave.

Carro era o sonho coletivo, turbinado pelos programas dominicais, as músicas da Jovem Guarda e pelas vitórias de Emerson Fittipaldi.

Um certo dia, saí com minha mãe para uma longa caminhada, até uma enorme loja de tecidos no Jaçanã, onde ela compraria um lote de panos para confeccionar as roupas da família. Usar “roupa pronta” era um luxo distante para nós. Na volta, passamos na casa “da comadre”, madrinha da minha irmã. Quando entrei no quintal, topei com a coisa mais maravilhosa que poderia existir, um Jipinho de pedal, feito de lata, lindo, pintado num verde oliva do exército, com rodinhas brancas e calotinhas vermelhas. Fiquei encantado. O filho da madrinha era bonzinho e cedeu alguns instantes de felicidade, deixando-me sentar naquele sonho sobre rodas.

Chorei muito no momento da despedida. Depois, quando cheguei em casa, tive febre, daquelas que deixam a mãe preocupada, pois não abaixava mesmo depois da medicação. Uns dois dias se passaram e minha mãe já tinha me levado para umas duas benzedeiras, sem resultado. Já planejava o último recurso, me carregar na madrugada seguinte para um atendimento no “ienepê esse”.

Porém meu pai não demorou a descobrir o remédio, naquela noite chegou com um Jipinho novo nas costas, idêntico ao que tinha me encantado. Essa cena de felicidade extrema está gravada para sempre e adoro relembrá-la.

Esse Jipinho se tornou o meu maior companheiro, não me contentava só com o quintal, saía pelas calçadas, circulando pelo quarteirão, todos os dias, sob sol intenso, sem nunca cansar. Adorava manobrá-lo para frente e para trás, com balizas perfeitas encaixando entre caixas de garrafas vazias. Outras crianças da rua também curtiram meu carro, revezando nas ladeiras, muitas vezes freando só na beira das guias.

A despedida não poderia ser mais triste, saiu da minha vida amontoado numa carroça, totalmente enferrujado, amassado e sem rodas. Pequeno para as minhas pernas compridas, mas com a sua missão cumprida.

Carros que gostaria de ter…

Lada Niva, quando foi lançado no Brasil, tive o privilégio de sentar num zerinho que estava exposto numa loja da Praça da República em São Paulo.

Por pouco não comprei, fiz as contas e naquela época de inflação alta preferi não arriscar uma prestação que poderia me levar à falência. O sonho foi adiado e nunca mais realizado, outras prioridades foram aparecendo.

Quando vejo um Niva cruzando meu caminho, relembro aquele primeiro contato, com o carrinho cheirando a novo. Quem sabe um dia… Em 2008 disseram que voltariam a importá-lo e venderiam por 30 mil, cheguei a me empolgar, fazendo as contas para encomendar o meu em longas prestações, mas pelo jeito o negócio furou.

A esperança não acabou, a AutoVaz fabrica até hoje o carrinho, do mesmo jeito, quem sabe um dia voltam a importá-lo, ou encontre um antigo, totalmente original, com um preço bom.

O retorno da dupla


Pena Branca & Xavantinho formaram uma das melhores duplas de música caipira de todos os tempos. Talvez empatados apenas com Tonico & Tinoco. Música raiz, de qualidade, longe do apelo pop das duplas atuais, mas com uma sensibilidade sonora maravilhosa. Impossível não se emocionar ouvindo suas gravações.

Xavantinho foi mais cedo, Pena Branca agora. Ambos numa despedida precoce, mas aonde quer que estejam, devem estar felizes, finalmente juntos.

O cd “Renato Teixeira & Pena Branca e Xavantinho – Ao vivo em Tatuí” não sai do meu MP3, hoje ouvi como faço quase todos os dias, mas com uma dor de saudade.

“Meus queridos amigos, aceitem de coração aquele abraço apertado, boa noite do Pena Branca. Boa noite gente!”

iPad, que cazzo é isso?


“Há espaço para uma categoria entre os smartphone e o notebook. E precisávamos criar algo melhor do que um netbook”, com essa frase, Steve Jobs apresentou o iPad, uma espécie de prancheta eletrônica com o formato idêntico ao iPhone, provavelmente com as mesmas funções, mas num tamanho bem maior.

A tela colorida e de alta definição impressiona, deve ser realmente mágico ter numa única tela seus vídeos, livros, fotos, músicas, jogos, internet e o que mais a imaginação puder alcançar, tudo na ponta dos dedos, sem fios e outros penduricalhos, como teclado e mouse.

Mas, por mais entusiasmado que sou com equipamentos eletrônicos, chego a ser compulsivo por tecnologia, não consigo enxergar uma utilidade importante para que eu adote imediatamente essa novidade. Claro que muitos podem me acusar, afinal, já passei dos quarenta e quando nasci o aparelho doméstico mais sofisticado era uma TV preto e branco à válvula. De lá pra cá, não dá pra descrever o tamanho da evolução, o que era absurdamente dispensável virou equipamento de primeira necessidade. Talvez queime minha língua e em pouco tempo não consiga respirar se não tiver um iPad, mas agora me julgo completamente lúcido a ponto de afirmar que esse iPad é a coisa mais inútil que já vi nas mãos do ídolo dos nerds, Steve Jobs.

Explico. Em casa e no trabalho tenho à disposição um computador razoável com boa conexão de internet, com eles satisfaço minhas necessidades de trabalho e lazer tecnológico.

Se quero jogar, tenho à disposição minha coleção de videogames, ainda em uso, primeiro Xbox, Dreamcast, PS2, GameCube, Wii, PS3, sem contar os portáteis GameBoy e PSP, esse último até me permite acessar a internet Wi-Fi e jogar online.

Para fotografar não dispenso a companhia da minha FZ-18, com um zoom respeitável de 18X com a qualidade da lente Leica. Mas poderia muito bem me virar com a câmera do meu bom e velho V3.

Todas as minhas músicas cabem no meu Walkman da Sony, melhor e mais barato que um iPod que tem uma excelente qualidade de som e uma tela respeitável para ver meus vídeos em MP4. Um luxo, poderia ficar satisfeito com um MP3 genérico de camelô.

Não tenho cacife para ter um iPhone, nem menos um iPod Touch. Nunca me interessei em ter um Notebook, gosto de teclado espaçoso e mouse, com boa tela e som, odeio ser obrigado a desligar por falta de bateria, acabaria ligando na tomada e usando como um Desktop comum.

Concordo que para carregar os meus brinquedos preciso de um cinto de utilidades do Batman, com muito espaço também para os diferentes cabos, mas não carrego todos de uma vez, geralmente levo cada um para uma ocasião diferente, devidamente acomodados nos bolsos ou numa mochila. Esse iPad reúne todas as funções, mas também está longe de ser portátil. Nessa apresentação gostaria de ver o Mr. Jobs tentando enfiar esse gigante no bolsinho da calça, como costumou fazer nas apresentações do iPod.

Tento imaginar algumas situações do meu cotidiano onde poderia usar um iPad:

  • Sentando num banco de uma praça e sacando o aparelho para ler um livro. Será que a luz tropical me permitiria enxergar alguma coisa? Duvido. E quando me distraísse? Sobreviveria a um trombadinha que veria no aparelho uma oportunidade de dinheiro fácil? Livro ninguém rouba. O risco máximo é emprestar e nunca mais ver de volta. Sem violência.
  • Numa reunião de trabalho, com todos fazendo anotações como seres humanos normais, em agendas, papéis soltos ou até netbooks, saco esse iPad não sei de onde e começo arrastar o dedo por sua tela? Sou tímido demais pra isso e também jamais ousaria chamar mais atenção que a reunião.
  • No transporte público, quando finalmente consigo algum assento, revelo meu iPad para a lotação cansada e com um fone de ouvido bluetooth passo a assistir meus seriados favoritos? Duvido que consiga alcançar a porta de saída inteiro.
  • Talvez seja útil para o trânsito de São Paulo, no meio do engarrafamento encaixo o iPad entre a barriga e o volante e acesso meus emails, atualizo meu blog e twitto. Se estiver sozinho na parada, consigo fazer isso algumas vezes, mas se meu vizinho de congestionamento gostar da idéia e também sacar o seu e com o tempo o negócio se multiplicar, não demorará para virar uma infração de trânsito super-hiper-grave (super hiper grave?, superhipergrave?), tornando-me alvo preferido de marronzinhos.

Então, talvez, o único lugar que acabe sendo sossegado usar essa novidade seja quando estiver em casa, roubando-me o tempo que deveria brincar com meu filho e conversar com minha esposa.

Assim, não vejo outro destino para essa tranqueira tão festejada que não seja a lata de lixo. Mais um aparelho inútil que exerce com maestria a função de poluir o planeta e arrancar a grana dos nerds.

McLaren - Mesmas cores, nova bigorna


E a McLaren apresenta o MP4-25, com as mesmas cores do ano passado, um prata cromado com vermelho para destacar o patrocinador. Assim, com um carro muito parecido com a Mercedes GP, contrariou a expectativa da nossa enquete, onde a maioria esperava o resgate do tradicional laranja, cor oficial da equipe.

Aerodinamicamente, destaca-se o bico elevado e uma nova asa bigorna, reestilizada. Comparando com a grande rival, prefiro a Ferrari, mas carro bonito é carro rápido, então é preciso esperar os primeiros treinos para saber qual foi a melhor solução.

E os brasileiros na F1?

Vejo o alarde da Globo anunciando um campeonato com quatro brasileiros na disputa da temporada 2010 da F1 e penso o quanto se esforçam para atrair o público comum e mal informado.

Dizer que quatro brasileiros estão na disputa é uma bobagem, honesto é afirmar que quatro estão participando, talvez com algumas chances de vitória e, quem sabe, um realmente tenha chance de disputa. Mas com esse tipo de publicidade, a Globo só consegue gerar ainda mais frustração, pois cria uma expectativa mentirosa que acaba por manchar o nome e a reputação dos pilotos.

Massa é da Ferrari, tem um ótimo relacionamento com a equipe que reconhece publicamente ter tirado suas chances do campeonato 2008, com falhas grotescas. Talvez esse sentimento de culpa da Scuderia tenha garantido a permanência do brasileiro, mandando o finlandês campeão embora para trazer Alonso. Mas tudo leva a crer que o bicampeão terá privilégios e que a vida de Massa não será fácil. Terá que provar mais uma vez que merece a confiança do time e para isso conta com a improvável dificuldade do espanhol em se adaptar. Tem chances de vitória e, quem sabe, de brigar pelo campeonato, mas essas chances são pequenas.

Barrichello continua um dos melhores pilotos do grid. É bom, apesar do que os humoristas de plantão costumam repetir. Mas estréia na Williams, equipe tradicional que costuma mostrar competência na criação de um carro, mas sem o apoio de um grande fabricante, terá o mesmo motor Cosworth das equipes estreantes, uma incognita. Pode ser um motor muito bom, mas também pode ser o maior fracasso, com falta de potência e quebras. As chances de vitória são remotas, se conseguir pontuar ou conquistar alguns lugares no podium já poderá ficar bem satisfeito.

Lucas Di Grassi não tem nada de bobo. Mostrou-se um dos melhores da GP2 e talvez tenha conquistado o melhor cockpit entre as equipes estreantes. A Virgin tem grana pra construir uma espaçonave, então é bem possível que consiga fazer um carro que termine uma corrida. Se pontuar durante a temporada, será naquelas corridas atípicas em que muito carro quebra ou bate, como Mônaco em dia de vendaval ou um grande crash na largada de Spa. Torço apenas para que conquiste bons resultados individuais e que mostre competência para conquistar vagas melhores no futuro.

Bruno Senna associou-se a Campos Meta acreditando que o peso do sobrenome levantasse patrocinadores para fazer a equipe andar, mas até agora o plano fracassou. Nenhuma grande empresa, brasileira ou espanhola, resolveu arriscar e é bem possível que não tenha carro para estrear. Caminha para mais uma decepção.
Não sei quem o orienta nas decisões sobre sua carreira, mas está claro que não tem feito as melhores escolhas. Ficou parado em 2009 depois de ter perdido todas as possibilidades de andar na F1 2009, claro que não por sua culpa, apenas não era o momento. Mas abriu mão de correr pela Mercedes na DTM, o que lhe tirou qualquer possibilidade de associar-se à equipe alemã na F1, seja no time oficial, seja nos que correm com seus motores.
Não quis retornar à GP2 e provavelmente precisará de muitos quilômetros de treino para se readaptar às reações de um Fórmula 1.
Se conseguir carro para largar, talvez não tenha equipamento para completar uma volta. E se conseguir passar disso, possivelmente não terá tempo para retomar a precisão da pilotagem. Passeará muito pela grama, com escapadas de pista inexplicáveis.
Nenhuma chance de sucesso imediato.

Assim, resta a pergunta, quem disputará a temporada 2010? A resposta todo mundo já imagina, Schumacher, Alonso, Hamilton, Massa e Vettel. O resto só terá uma participação.

F10




Mais uma vez a Ferrari lança um belíssimo carro. Mas depois da empolgação com o belo carro 2009 que teve um desempenho sofrível, agora prefiro manter a cautela.
O branco tomou conta dos aerofólios, destacando o novo patrocinador, mas criou um visual atraente, resgatando um pouco a combinação branco/vermelho dos clássicos anos 70.
Esconderam o que todos queriam ver, o novo difusor, deficiência que determinou a falta de sucesso anterior e que agora promete muito, afinal, talvez tenha sido o modelo com mais tempo de desenvolvimento nos últimos 10 anos.
Mas o difusor não era o único desafio, precisavam também diminuir o consumo do motor, exigência do novo regulamento sem reabastecimento, para conseguir um melhor desempenho com menor peso. Será que conseguiram?
A resposta mesmo só depois da primeira corrida, mas não vejo a hora dos testes começarem, quando todas equipes estiverem prontas, comparando os resultados.

Novo visual

Está complicado conseguir mudar o projeto visual do Blog, mas aos poucos chego lá. Peço desculpas pelos eventuais problemas na visualização, mas é porque gostaria de encontrar um formato que permitisse inserir imagens maiores sem comprometer a diagramação.
A solução foi incluir a seção "Foto do Dia" onde pretendo disponibilizar fotos tiradas no cotidiano, transformando esse blog também num fotoblog.
Como costumo dizer, muitas vezes o mais simples é mais bonito e mais sofisticado, não sou fã do rococó. Então essa atual versão foi a que mais me agradou. Se tiverem alguma sugestão, fiquem à vontade.

Enquete McLaren 2010

A Formula 1 2010 está noticia uma novidade a cada dia. Todo mundo esperava e a Mercedes GP confirmou as cores prata/preto na nova equipe de Schumacher. Todos que acompanham o mundo da velocidade passaram a se perguntar, como será as cores da McLaren em 2010?
Dê sua opinião na enquete ao lado.

Vanguarda TV em HD – São José e Taubaté

logo

Demorou, mas finalmente a Vanguarda TV divulgou o início das transmissões em HD para São José e Taubaté. Como esperado, oficialmente começam na Copa do Mundo, com testes a partir de maio.

Considerando que a previsão do governo é acabar com as transmissões analógicas em 2016, o início da TV digital no Vale do Paraíba é tardio, ainda mais que dificilmente os outros canais vão transmitir o sinal em HD tão cedo. Mas é um começo.

Os jogos de futebol ficarão bem mais interessantes, os noveleiros poderão conferir as rugas das atrizes, os seriados e filmes serão impressionantes e os grandes eventos esportivos, como a Formula 1, serão um espetáculo visual.

Não vejo a hora de começar.

Para conferir todas as explicações, incluindo datas e área de cobertura, siga o link:

http://www.vnews.com.br/hotsitetvdigital.php?id=531

Feliz 2010!

P1020458 Este ano promete! Carnaval, Copa do Mundo, Eleições… Quem sabe Vanguarda com sinal digital em São José dos Campos o que garantiria poder acompanhar a F1 em HDTV. Jogos aguardados como God of War III e Formula One.

Claro que também um ano de muito trabalho e ralação, mas nisso é melhor pensar quando acabar as férias.

O importante é fortalecer os laços de amizade, conhecer novas pessoas, viver a vida e ser feliz.

Comecei bem, com uma linda bacalhoada no forno, preparada por esse português que vos tecla. Juro que pensei em todos os amigos e em todas as pessoas que gosto.

Abração grandão a todos!!

Eau Rouge - Spa

shift Não é a toa que a pista preferida da maioria dos pilotos é a de Spa-Francorchamps, curvas alucinantes em alta velocidade. Para quem pode e não é piloto, há a possibilidade de fazer um curso de pilotagem no circuito, para mim, só se conseguir emplacar a sena do ano novo.

Para a minha realidade, consigo me contentar com os videogames, agora com Shift estou curtindo o antigo circuito, sem tantas áreas de escape e com a velha Bus Stop.

Mas a mais emocionante é a Eau Rouge, o desafio é mergulhar em alta velocidade, disputando lado a lado sem tirar o pé, ops, o dedo do botão do controle que faz acelerar.

Quem sabe um dia eu venha a conhecer essa curva de verdade, por enquanto, estou curtindo com Shift.

http://www.spa-francorchamps.be/en07/home/index.php

Marvel Ultimate Alliance 2 - Nosso presente

mua2

Um dos meus presentes de Natal foi uma cópia de Marvel Ultimate Alliance 2 para o PS3, aliás, um presente que meu filho tratou logo de se apoderar, dizendo que era “nosso” game.

Não é um título que compraria para mim, mas certamente compraria para meu filho, já que o garoto é fã do universo Marvel. Tá bom, assumo minha culpa, afinal, acho que fui bem influente nisso, comprando revistas, levando-o ao cinema para curtir os heróis em ação e, claro, oferecendo vários games e bonecos, principalmente sobre Spiderman. Tá bom, também assumo que ofereci minha inestimável coleção de gibis para que ele também pudesse ver os traços do passado. Tá bom, assumo, sou fã do universo Marvel e quem me deu o presente me conhece desde criança, minha querida irmã.

A lembrança que trago no coração sobre o Natal é aquela tarde ensolarada, quando todos os adultos da casa dormem empanturrados com o almoço farto e as crianças vão para a rua desfilar seus brinquedos novos. Bicicletas reluzentes com rodinhas novas. O videogame diminuiu esse movimento infantil nas tardes de natal. Agora é comum ouvirmos crianças dusputando espaço com o Playstation na sala, a bicicleta perdeu o título de melhor presente. Sinal dos tempos.

Me livrei do celofane, abri a caixa, tirei o disco e coloquei direto no aparelho, uma atualização e a tela se abre com uma equipe de heróis correndo pelas ruas da Latvéria, Homem-Aranha, Wolverine, Homem de Ferro e Capitão América, uau, nada mal! Até quatro jogadores podem jogar ao mesmo tempo, num modo cooperativo. Perfeito para curtir com meu filho. As fases não oferecem grandes dificuldades, mas são interessantes, principalmente jogando em boa companhia como a minha, fica mais divertido poder assumir o papel do personagem preferido e poder ir para o pau, descarregando poderes especiais e com a novidade de poder combinar os poderes com os outros heróis, por exemplo, Wolverine pode refletir com suas garras de Adamantium os raios emitidos pelo Homem de Ferro e, assim, derrubar vários inimigos num único golpe. Bem legal! Depois, aos poucos, outros heróis vão aparecendo no menu de opções, até alguns conhecidos apenas pelos mais aficcionados, como Punho de Ferro.

O roteiro segue alguma série especial da Marvel, com certeza mais atual do que o tempo que lia gibis, mas tem algo a ver com uma guerra civil que dividiu os heróis. Um lado liderado pelo Homem de Ferro defende que todos os heróis devem ser registrados pelo governo , revelando suas identidades. Outro lado, liderado pelo Capitão América, não aceita essa imposição e se rebela. Claro que optei pelo lado rebelde.

Jogando no modo intermediário, as fases não são difíceis, mas não é um game para jogadores hardcore, mas um game para fãs e, visto assim, o melhor é relaxar e curtir as fases, descarregando todos os poderes possíveis a cada tela.

O resumo é que como todo bom game, Marvel Ultimate Alliance 2 é um acelerador de tempo. Com ele as horas passaram muito rápído e só não continuei porque outras coisas exigiam minha atenção. Mas ainda melhor foi poder curtir essas horas ao lado do meu filho, num momento inesquecível para os dois. Como ele disse, nosso presente de natal.

Shift!

nfss

Quem adora videogame e automobilismo geralmente gosta de jogos de corrida. Mas o que geralmente as pessoas que estão fora desse universo não sabem é que os diferentes games de corrida são muito diferentes entre si. Ou seja, um game de corrida vai muito além da visão de um carrinho movimentando-se para as laterais e desviando de obstáculos trazidos por uma pista que se movimenta de cima para baixo, esquema popularizado pelo bom e velho Enduro no Atari.

Os games atuais têm recursos que atraem desde os pilotos que não saíram da fase “Enduro” até os que se acham profissionais, possibilitando ajustes finos que existem nas pistas reais como acertos de asas aerodinâmicas, cambagem de pneus, mudanças finas na relação de marchas, suspensão, freios, enfim, um paraíso para os entusiastas de engenharia mecânica, além, de perfumarias no visual do carro, como pinturas, rodas, faixas e outros itens importantes para os que adoram carros tunados.

Mas apesar de oferecer uma variedade enorme de recursos, cada título tem sua particularidade, alguns dedicam-se apenas a uma marca, outros trazem informações reais de vários fabricantes, com um preciosismo extremo da simulação da pilotagem real. Outros investem na diversão do jogador, oferecendo capotagens, saltos e batidas cinematográficas, torcendo o nariz dos fabricantes que odeiam ver seus carros destruídos, ainda que num videogame.

Gosto de me divertir, mas dentro desse universo prefiro os games mais técnicos, chego a lamentar quando num descuido arrebento a frente do meu carro virtual. Por isso estão entre os meus títulos preferidos Forza Motorsport, Toca (todas as versões), Grid e, claro, Gran Turismo. Mas nunca deixei de dar uma olhada nas diferentes versões de Need for Speed, série mais popular que apostou em grandes perseguições e batidas fantásticas na maioria das suas versões, aliás, cheguei a gastar muitas horas com Underground, lembrando muito Velozes e Furiosos.

O fato é que contrariando um amigo fã da série, nunca gostei muito do que NFS tinha a oferecer, até que conheci a última versão, Shift, primeiro no PSP e depois no PS3.

Shift foge do esquema polícia e ladrão e vai para as pistas, focando no realismo dos carros, num nível de simulação que beira à perfeição, chegando até a reproduzir as reações da visão do piloto, embaçando ou escurecendo a tela, de acordo com a velocidade ou batida, num detalhamento gráfico de abrir a boca e não fechar até escorrer a baba. A franquia, dessa vez, ficou a cargo do estúdio Slightly Mad Studios, trazendo no currículo grandes títulos como GTR2 e GT Legends.

Não precisei de muito tempo para virar fã. O game, além de tecnicamente perfeito, instiga o jogador a buscar sempre a melhor performance, repetir até atingir o melhor tempo, além de um ótimo esquema multiplayer que funciona muito bem na PSN. Premia a técnica dando pontuação para curvas e ultrapassagens perfeitas, mas também não deixa de considerar aqueles arrojados que saem detonando todo mundo com pancadas espetaculares, não podia ser diferente, afinal, ainda é um NFS.

Seguindo outros títulos da EA, NFS Shift também tem um site dedicado onde é possível postar fotos personalizadas do game e trocar informações com outros jogadores.

Enquanto Gran Turismo 5 não chega, Shift não sai da bandeja do meu PS3.

A volta do Alemão

schumercedes

Tanto tempo que não posto alguma coisa nesse blog. Tantos motivos, falta de inspiração, enfim. Mas a notícia da volta do heptacampeão abalou tanto que até me tirou da inércia.

Talvez o retorno seja equivalente à volta de M. Jordan no basquete, atraia os patrocinadores, movimente o mercado e, finalmente, não mude muita coisa. O cara consegue ter alguma diversão às custas do grande movimento publicitário, mas no final acaba fazendo número.

Mas será que Schumacher sairia da aposentadoria sem estar competitivo? Duvido. Considerando que é um grande campeão e que adora vencer corridas, sua volta não é apenas um desfile midiático. Só para lembrar, no desafio das estrelas, competição de Kart patrocinada por Massa e vencida por ele, todos os relatos destacavam a forma cuidadosa com que Michael acertava seu equipamento, procurando sempre a evolução para conseguir o melhor tempo. O cara é assim, perfeccionista, tem prazer em ser o melhor.

Aliado à Mercedes Benz que jamais voltaria sem a certeza de reviver as vitórias da flecha de prata e ao Brawn, seu estrategista e parceiro, o alemão será o grande protagonista do campeonato. Sua primeira vítima já tem nome, Nico Rosberg, uma estrela interrompida que deverá se contentar com o papel de simples coadjuvante. A lista deverá aumentar, Alonso será o grande derrotado.

Jogos de PS3 - made in Brazil

Todos já sabiam que a Synergex passaria a produzir jogos de Playstation na zona franca de Manaus e que já estavam disponíveis nas lojas. Mas apesar de SJC estar praticamente colada a São Paulo, as novidades demoram um pouco pra chegar por aqui.

As mesmas lojas de games que costumo frequentar continuam com os preços de lançamentos importados de PS3 na faixa de R$200 a R$230, com alguns títulos mais batidos custando na faixa de R$150, alguns europeus. Levando em conta que um lançamento nos EUA não custa mais que 60 dólares, paga-se aqui o dobro por um mesmo produto.

Mas parando na vitrine de uma loja de PCs me surpreendi ao ver Tomb Raider: Underworld, Fear 2 e Lego Batman para PS3 a R$115, com um detalhe, capa e manual totalmente traduzidos para o português. De cara pensei que podia ser algum engano do vendedor ou alguma pegadinha, procurando letras miúdas que indicassem ser 2X de 115. Mas não, era esse preço mesmo.

Então, apesar dos títulos disponíveis não serem exatamente uma novidade, fiquei muito contente por ver que finalmente estão levando a sério o público consumidor de games no Brasil.

Claro que muitos vão dizer que ainda preferem a importação direta, mas esse esquema é para poucos. Entre optar pela importação direta e poder pegar vários títulos na loja, sem canseira e despesas com frete, parcelando no cartão em quantas vezes for possível, sou mais a 2ª opção.

Ah, tem sempre a turma que prefere a pirataria. Eu, sinceramente, sempre fiquei no maior impasse entre desembolsar uma fortuna com um original e encher meu saco com um pirata.

Quando tinha o X360, cada vez que trazia um jack pra casa, botava no leitor e dava pau antes de carregar a primeira tela, xingava muito, pior se travasse no meio de uma fase. O sujeito da loja trocava, mas e o tempo e o transporte de voltar até lá? A chateação e o risco de destruir meu aparelho? Cansei de dar dinheiro para esse cara, um criminoso que só tem lucro e nada devolve para a sociedade.

Agora, com suporte oficial e um preço relativamente justo, finalmente sinto-me respeitado. Sinceramente espero que a indústria de videogames consiga efetivamente chegar ao Brasil, apesar dos altos impostos e da cegueira do governo, vencendo a pirataria.

Envelhecer

6201460.arnaldo_antunes_musica_250_250[1]

Estou nesse momento ouvindo o novo CD de Arnaldo Antunes, Iê Iê Ie.

Falar da genialidade do cara é desnecessário, legal é curtir e deixar suas palavras entrarem pelos ouvidos e não saírem mais. Adorei todas as faixas, mas coloquei Envelhecer para repetir até decorar a letra. Vale muito!

Para ouvir, clique na capa do álbum acima e dê play no link do Rádio UOL, não encontrei outro jeito mais fácil, ninguém colocou no YouTube.

A coisa mais moderna que existe nessa vida é envelhecer.

A barba vai descendo e os cabelos vão caindo pra cabeça aparecer.

Os filhos vão crescendo e o tempo vai dizendo que agora é pra valer.

Os outros vão morrendo e a gente aprendendo a esquecer.

Não quero morrer pois quero ver como será que deve ser envelhecer.

Eu quero é viver pra ver qual é e dizer bem a tu (?) o que vai acontecer.

Eu quero que o tapete voe no meio da sala de estar.

Eu quero que a panela de pressão pressione e que a pia comece a pingar.

Eu quero que a sirene soe e me faça levantar do sofá.

Eu quero por Rita Pavone no ringtone do meu celular.

Eu quero estar no meio de um ciclone pra poder aproveitar e quando eu esquecer meu próprio nome que me chamem de velho gagá.

Aa Aa Uu Uu Uu

Ser eternamente adolescente nada é mais demodê

Com os ralos fios de cabelo sobre a testa que não para de crescer

Não sei porque essa gente vira a cara pro presente e esquece de aprender.

Felizmente ou infelizmente sempre o tempo vai correr

Não quero morrer pois quero ver como será que deve ser envelhecer…

A queda do capo

3891351.briatore_na_australia_320_500[1]

Acaba de sair a notícia da queda de Flavio Briatore, após o escândalo da manipulação de resultados detonado pelos Piquet.

A princípio, uma empresa como a Renault nunca mancharia a reputação da sua marca com tramóias e armações, colocando em risco os valores que construiu durante décadas. Se está no esporte é para alavancar as vendas dos seus carros e para isso, precisa de resultados positivos, dentro e fora das pistas. Após tamanho escândalo, a demissão dos líderes da armação era a atitude mínima que poderia tomar. O prejuízo sofrido é tão grande que antes, sob a desculpa da crise financeira internacional e a falta de resultados, poderia sair da categoria sem grandes consequências para sua imagem, hoje, precisa garantir sua continuidade e investir ainda mais para que os futuros resultados positivos lavem até os últimos respingos da lama que Briatore deixou.

Apesar de nada justificar o que os comandados da Renault fizeram, incluindo Nelsinho Piquet, tão culpado quanto o arrogante italiano, penso que o brasileiro só ultrapassou o limite da ética por reconhecer sua incompetência diante da imensa pressão por um bom desempenho. Tentava convencer-se que não recebia o mesmo equipamento, mas no fundo sentia que não podia corresponder ao que se esperava de um piloto de fórmula 1. Envolver-se em tamanha maracutaia mostra o quanto estava abalado naquele momento.

Porém o abalo emocional não o livra da culpa. Alguns o defendem dizendo que precisou de coragem para fazer a denúncia e escancarar seu erro. Mas fazer isso somente depois de sua demissão não abona sua falta, ao contrário, só expõe ainda mais sua falta de inocência, sua fraqueza moral.

O principal mau caráter da história foi o Briatore. Contratou o piloto enquanto chefe da equipe e, ao mesmo tempo, era seu manager, funções que para mim são incompatíveis. Como um rolo compressor esmagou psicologicamente seu comandado e destruiu sua carreira para sempre, pôs em risco a vida do piloto a de todos os outros participantes (lembram o que uma mola fez com Felipe Massa? Imaginem o risco de todos os pedaços da Renault espalhados pela pista), só para conseguir um resultado positivo e aliviar a pressão sobre si mesmo. Quando descoberto, apelou para a mais baixa e ridícula defesa, acusando a homossexualidade do seu oponente, o que não interessa a ninguém.

Não deve ter sido a única atrocidade cometida na sua busca por resultados, um criminoso aprende sua arte aos poucos e aumenta suas apostas à medida do sucesso dos seus crimes. Muita coisa deve ter ficado para trás. Espero que seja a última.

Duro é saber que sua cela será um iate acompanhado de uma bela mulher e de uma taça de champanhe.

Peixinhos

09245270

Frases prontas, ditados populares, muitos conservam a sabedoria coletiva, outros são grandes idiotices.

Um dos que sempre ouvi foi “Filho de peixe, peixinho é”. Esse, sem dúvida, se encaixa na segunda categoria, afinal é de um determinismo cruel. Muito triste uma criança sentir-se obrigada a seguir os passos do pai e, pior, ser comparada a ele.

A muito tempo vi uma entrevista com Emerson Fittipaldi na TV Bandeirantes, no auge do sucesso que o piloto experimentava na Fórmula Indy. Visivelmente constrangido, o campeão respondeu sobre seu filho mais velho, quase lamentando o fato do rapaz se desinteressar pelas pistas e ter optado por outra profissão, acho que designer, ou qualquer outra coisa que na época me pareceu boiolice, afinal, não podia aceitar o fato de um cara rejeitar uma carreira automobilística, sonho que ainda vivia, mas que só pude fingir alguma satisfação nos videogames. Hoje, penso que esse Fittipaldi Kid teve uma sábia decisão, deixando o peso do sobrenome para o primo Christian embaçar.

Apesar da crueldade da inevitável comparação, muitos filhos de famosos insistem em seguir seus papais. Se o sucesso fosse transmitido geneticamente, com alguma melhoria, seria ótimo, mas a realidade é bem diferente. Poucos são os exemplos de superação, agora, de cabeça, só consigo me lembrar da Débora Bloch. Fernanda Torres chega perto, mas não supera a mamãe.

No último domingo, durante a transmissão do GP da Bélgica, Reginaldo Leme solta a bombática notícia sobre a investigação do incidente do Piquet pimpolho em Cingapura. Se confirmadas as suspeitas, Nelson Angelo fez uma cagada gigantesca, participando de uma fraude que manchará para sempre sua trajetória no esporte. O velho Piquet jamais aceitaria isso, provavelmente mandaria o chefe enfiar o carro no rabo. Mostraria no asfalto, como mostrou, ser melhor que qualquer piloto que estivesse ao seu lado. Se o que dizem é verdade, deve ter sofrido com tanta decepção.

Hoje, ao abrir o UOL vejo Sean Lennon imitando a famosa pose dos pais. Talvez a melhor contribuição que o filho de  Lennon deu para a música foi a inspiração para a belíssima canção “Beautiful Boy (Darling Boy)”, involuntária. Agora, com a pose, teve pelo menos o bom senso de trocar de posição, expondo a namorada. Ainda bem.