Turquia, a exposição da crise na RBR

A corrida seria mais uma das  chatas da temporada, sem ultrapassagens, sem muita emoção. A surpresa era a McLaren andar tão perto da Red Bull, mas depois da metade da corrida, estava claro que não haveria troca de posições, até que Vettel resolve ir pra cima de Webber.

A ultrapassagem era certa e, quando estava mais de meio carro à frente do companheiro, resolve jogar para a direita para fazer a tomada para a curva. Se fosse um cara mais cauteloso, Webber seguraria o carro e deixaria o jovem piloto alemão o ultrapassar, mas como já mostrou em outras oportunidades, o australiano não tem medo e não se importa com uma batida, então, manteve a trajetória e os dois carros ganharam asas e  voaram para fora da pista. Vettel saiu no prejuízo, Webber perdeu o bico, voltou e garantiu a 3ª colocação.

Algumas voltas depois, nova disputa com a dupla da McLaren, Button mais rápido ultrapassou Hamilton, mas o jovem piloto inglês deu o troco, deixou o carro escorregar para cima do companheiro que, se tivesse a mesma cabeça do australiano, também dificultaria, mas Button é um lorde inglês, soube manter a cabeça fria e aceitar a ultrapassagem, terminou atrás, na 2ª posição, marcando importantes pontos, para mim, o favorito para o campeonato.

Massa largou e terminou na mesma posição, sempre atrás de Kubica, fez o que pode com uma Ferrari visivelmente fraca, tanto que Alonso também sofreu, mas depois de ter largado atrás, fez uma boa corrida, terminando em 8º, com uma boa disputa com Petrov.

Schumacher chegou na frente do ótimo companheiro de equipe, mostrando uma evolução no retorno à categoria. É craque.

Barrichello fez um ótima corrida, ultrapassou, brigou, mas ficou longe da zona de pontuação, sua Williams sofre com um motor fraco.

Senna largou bem e fazia uma bela corrida até quebrar, rotina naHispania. Di Grassi, ótimo piloto, brigou com Senna, mas ambos foram coadjuvantes, arrastando-se com seus péssimos equipamentos.

Apostava que nessa corrida a Ferrari evoluísse e chegasse perto da Red Bull, papel que acabou ficando com a McLaren. Parece que a equipe de Maranello ficará mais uma vez no papel de coadjuvante, incapaz de desenvolver o carro nessa nova F1, sem testes e de baixos custos.

A Red Bull é a melhor equipe, mas se não priorizar um dos pilotos, corre o risco de perder o campeonato.

A McLaren mostrou evolução, tem ótimos pilotos e pode virar o jogo. Torço por Button na briga interna da equipe.

TV Digital no net

A TV digital chegou em São José dos Campos através da Vanguarda TV, emissora regional com programação da Rede Globo.

Provavelmente será a única por muitos anos. O investimento das outras emissoras para implantar o sinal digital em outras praças, como a nossa região, só se justifica quando o retorno financeiro é garantido. Aliás, no Vale do Paraíba só existe a presença efetiva da TV Vanguarda e da Band Vale, outros canais são retransmitidos, mas sem programação regional.

Estava ansioso pela chegada do sinal digital, pela oportunidade de receber o sinal full HD na minha casa, poder assistir ao futebol, aos filmes, aos grandes eventos com uma qualidade perfeita de imagem, mas mais do que isso, estava ansioso para poder assistir TV em qualquer lugar, no carro, numa sala de espera, na mesa do escritório, sem brigar com a antena contra os ruídos e fantasmas. Finalmente consegui, comprei um receptor USB MobTV MT-100 da TecToy, claro que escolhi a marca pela tradição dos videogames da Sega, mas também por causa do software que acompanha o aparelho, totalmente em português. Provavelmente há melhores, mas estou bastante satisfeito com meu novo brinquedo.

Recomendo a todos que forem viciados em TV, basta instalar o software, plugar o aparelhinho com o tamanho de um pendrive na saída USB e assistir a programação com perfeição de imagem. O sinal é de baixa resolução, fica muito bom numa pequena janela, caso seja expandido para toda a tela, os defeitos aparecem. Sei que existe aparelho parecido com recepção full HD, mas para acompanhar o Globo Esporte no horário de almoço, ficar atento aos lances dos grandes jogos da Copa, enfim, qualquer evento importante que esteja acontecendo na TV, disponível na tela do netbook, está ótimo!!!

Meus carros: F100 1958

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Foram tantas histórias com o Fusca laranja que se resolvesse registrar nesse blog todas elas, acabaria virando um livro, quem sabe um dia vira alguma coisa, por enquanto vou guardá-las e me adiantar na série, senão corro o risco de entendiar meus queridos seguidores. Assim, tomo a liberdade de dar um pequeno salto no tempo e dar-lhes uma triste notícia, o Fusca Laranja foi vendido, por uma segunda vez (disse que tem muita história) e, dessa vez, não foi devolvido, apesar do adiantado estado de embriaguez do comprador.

Apaixonado por carros, adquiri o costume de visitar a feira no estacionamento do Anhembi, em São Paulo. Acordava cedo todos os domingos, pegava o ônibus até o Tietê e seguia a pé até o lugar, aproveitando para ver os carros que ficavam de fora do Parque, ocupando as avenidas, estacionados desde a madrugada, aguardando compradores. Não tinha muito dinheiro, mas gostava de poder ver tantos carros à venda reunidos num mesmo espaço, poder apreciar as raridades e rir silenciosamente das esculturas de massa plástica que mal podiam manter-se em pé, tentando iludir com um brilho falso e um pretinho nos pneus carecas. O passeio era coroado com uma deliciosa fogazza em uma simpática barraca de uma família napolitana.

Num passeio desses, dentro do estacionamento, encontrei aquela que me seduziu a primeira vista, uma linda pickup Ford F100, 1958, toda linda, com a lataria inteiramente restaurada num vermelho cereja, com enorme escapamento que se erguia verticalmente um pouco atrás da cabine, cromado como todas as outras peças que adornavam aquela maravilha. O vendedor, mais orgulhoso por sua preciosidade e animado em matar minha curiosidade, abriu o capô, quer dizer, a frente inteira da belezura, pois havia integrado capô e paralamas, abrindo-os para a frente e expondo o belíssimo motor V8, amarelo, com todas as peças brilhantes. Os pneus gigantes, montados sobre rodas largas harmonizavam todo o conjunto.

O preço era inatingível, uma obra de arte para poucos, mas saí do encontro bastante inspirado.

Na semana seguinte, vasculhei a cidade a procura de uma caminhonete daquele ano, velha, afundada na poeira, com a esperança de poder recuperá-la e transformá-la naquela maravilha, armado apenas com a minha boa vontade e nenhuma grana no bolso.

Para um garoto como eu, nada era impossível, acho que todos os garotos de 20 anos sentem-se indestrutíveis e poderosos, talvez uma síndrome de Super-Homem que ainda não foi devidamente estudada, que nos tira o juízo e nos faz idiotas, vitoriosos, tolos e, principalmente, destemidos.

Encontrei várias, muitas sem salvação, outras bonitas, bem conservadas, mas caras. Nenhuma tão suficientemente boa para o meu nível de exigência e barata para o meu bolso. Não podia desistir da idéia, quando pensava em fraquejar do meu objetivo, a imagem daquela gigante vermelha me vinha à mente, com seu enorme motor roncando naqueles escapamentos brilhantes.

Trabalhava na borracharia e sempre fui muito falante, acho que os clientes entravam e saiam enquanto eu continuava contando a mesma história, falando sobre meu desejo, minha procura. Um dia um deles me animou, disse que conhecia um cara que tinha uma caminhonete dessas encostada no fundo do quintal. Insisti e descobri que esse sujeito era um cara conhecido, freguês da oficina, genro de um importante político da região.

Fui atrás, encontrei a casa do sujeito, uma bela residência com gramado e piscina. A F100 abandonada no fundo do quintal estava em tristes condições: pneus vazios, coberta por folhas, com carburador desmontado, sem bateria e sem tanque de combustível. O sujeito me recebeu, mostrei toda minha animação, contei os meus desejos e o convenci a limpar o seu quintal, dando-lhe a certeza de que estava entregando aquele carro de família para alguém que o trataria muito bem.

Soube que a caminhonete era um presente que ele tinha recebido do pai, última unidade de uma frota de uma antiga empresa da família, que havia sido guardada por ter o mesmo ano do seu nascimento. Havia passado por uma reforma, o motor era completamente zero, a pintura era recente, mas um descuido havia causado uma batida na porta do motorista que podia ser facilmente recuperada com um pouco de carinho. O problema era que sua mulher odiava o ornamento no quintal. Todos sabem como são convincentes as mulheres, principalmente quando querem mudar a decoração.

Negociamos um preço e chegamos facilmente a um acordo. Paguei o que podia para limpar o espaço e me comprometi a saldar o restante quando ele me entregasse os documentos atualizados.

A primeira providência para ressucitá-la foi comprar uma bateria nova, enorme, caríssima. Depois, bastou recuperar o carburador, reinstalar o filtro e adaptar um vasilhame plástico de combustível dentro da cabine, alimentando o motor com uma mangueira transparente. O motor acordou com poucas tentativas. O câmbio na coluna de direção, com 3 marchas, era um mistério, mas logo peguei o jeito, pisei na embreagem, consegui engatar a primeira e saí devagarzinho. Me animei, engatei a 2ª e vi o lindo velocímetro subir o ponteiro. Pisei no freio e levei um susto, só umas duas rodas frearam e a bicha balançou feio, me obrigando a segurar o coração, antes que saísse pela boca. Diminuí e, com a responsabilidade de garotos de 20 anos que se acham indestrutíveis, cheguei em casa, distante a mais de 15 quilômetros, enfrentando um trânsito intenso, sem documentos, dirigindo um veículo completamente estranho, com vários problemas mecânicos e um câmbio complicado.

Meu pai quase me matou quando viu aquilo entrando no quintal. Minha mãe surtou. Minhas irmãs me chamaram de maluco. Eu sorria de orelha a orelha, pulando de felicidade.

Agora faltava pouco, trabalhar para conseguir o dinheiro para pagar o saldo restante, comprar as peças para deixá-la em mínimas condições de rodar com alguma segurança pelas ruas e, depois, sonhar com pneus e rodas gigantes, pintura e funilaria nova, hummm, faltava tanto e tão pouco ao mesmo tempo!

O dia-a-dia era transitado com minha valente bicicleta e, quando saía para lugares mais distantes, ônibus. Assim, aos poucos fui encarando a realidade. Meu carro era inútil, mal saía do quintal e minha grana era curta demais. Não demorou para sentir saudades do meu Laranjão.

Aos poucos, fui dando razão aos apelos do meu pai, cheguei a acreditar que havia feito um dos piores negócios do mundo. Então, derrotado, tentei trocar minha preciosidade por um Opala 4 portas, completamente podre, mas que andava. O sujeito, vendo o meu desespero, aceitou o negócio com a condição que ainda lhe pagasse uma boa diferença de volta, dividida em dolorosas parcelas. Aceitei o negócio, fechado numa mesa de bar regada com a cerveja que podíamos pagar. No dia seguinte, levei a F100 para o abate, disposto a fazer a troca. Mas o sujeito mudou de idéia, graças à Deus!!!

Na hora, desanimado com o mico que tinha nas mãos, resolvi rodar por alguns desmanches procurando um tanque de gasolina que pudesse ser adaptado, diminuindo o risco de ver a gasolina explodir no meu colo enquanto dirigia. Estacionei na porta da loja, entrei e procurei a peça que me faltava. Quando voltei para a F100, um sujeito observava atentamente cada detalhe da lataria.

Antes que pudesse reagir, me perguntou se aquela caminhonete era do sujeito que me vendeu. Confirmei e disse que era minha, havia comprado a pouco tempo. Então perguntou se queria vendê-la. Respondi que sim e, como reza a lei da oferta e procura diante de uma pergunta dessas, disse que venderia por um valor que a essa altura me foge da memória, mas que seria suficiente para comprar uns quatro Opalas iguais ao que eu tinha tentado trocar naquela manhã. Para a minha surpresa, o sujeito era o dono do desmanche, me levou até o escritório e preencheu o cheque, sem barganhar. Pediu que um funcionário me acompanhasse até o banco e garantisse o meu saque, a bordo de uma caríssima F1000 cabine dupla, à diesel. Claro que sua intenção não era desmanchá-la, garantiu que a deixaria nova, acredito que até hoje faz parte de alguma coleção.

Cheguei à borracharia com um saco cheio de dinheiro. Meu pai mal podia acreditar, só conseguia me chamar de rabudo por ter conseguido arrancar tanto por um “lixo” como aquele.

Foi mesmo muita sorte, mas o fato é que estava vendendo caro o meu sonho. Sabia que nunca poderia realizá-lo, mesmo assim, até hoje, penso em como teria sido bom. Quando vejo uma F100 dessas, num filme ou num desfile de carros antigos, lembro da minha, uma velha senhora resgatada por um garoto sonhador.

De tanto que já falei dela, ganhei da minha esposa uma linda miniatura de presente, nesse último aniversário. Todos os dias a vejo e relembro aquele primeiro ronco e aquela freada torta que quase me matou.

Quero revelar meu filme!!

filme

Hoje tive uma experiência estranha, acordei cedo para a rotina normal dos sábados e antes de sair de casa peguei meu rolo de filme para revelar no laboratório do bairro.

Cheguei cedo e dei com a cara na porta, feriado. Tudo bem, Dia do Trabalho, todos tem direito a um merecido descanso, mesmo os comerciantes a uma semana do dia das mães, cada um sabe como anda o seu negócio.

Prefiro filmes Fuji e procuro revelá-los no mesmo lugar porque o laboratório mantém uma espécie de exclusividade com a marca, garantindo para mim uma qualidade que me agrada.

Mas diante das portas fechadas, virei para o vizinho com uma imensa marca amarela na porta, com um gigante logotipo Kodak. Entrei no lugar e coloquei o rolo de filme no balcão, pedindo para revelar. A moça olha para mim e para o rolo, para mim e para o rolo, isso mesmo, duas vezes o mesmo movimento, então responde que não trabalham mais com esse tipo de filme, mas que se eu não tivesse pressa poderia deixar para retirar em alguns dias.

Ué, como vocês não revelam mais filmes? Tudo bem! Não tem problema, procuro outra loja. Sigo para um hipermercado próximo, cheguei a revelar meus filmes algumas vezes por lá, mas desisti por causa da má qualidade do atendimento. Depois de enfrentar uma fila desorganizada, coloco o filme no balcão. Flashback? Não, o sujeito olha para mim e para o rolo, para mim e para o rolo e responde que não fazem mais esse serviço, mas diante do meu olhar de reprovação, completa com uma mentira descarada, Nossa máquina está quebrada.

A mesma coisa se repetiu em outras duas lojas de shopping. Não tinham nem mais filmes para a venda. Desisti, prefirindo esperar a reabertura do meu laboratório de confiança na próxima segunda-feira.

Não estou alheio ao que acontece no mundo, fui um dos entusiastas da fotografia digital, desde o começo, ainda guardo minha primeira câmera, com resolução VGA e sem tela de LCD para conferir o resultado, tenho bons equipamentos digitais e os uso com regularidade. Sei que a qualidade atual dos sensores é fantástica e que as impressoras conseguem resultados bem satisfatórios. Satisfatórios, mas não excelentes.

A reprodução das cores e a qualidade das imagens ainda é melhor no metodo analógico, sem contar que gosto de manter aquela sensação de surpresa ao ver as imagens reveladas, conferir ainda no balcão como ficaram aquelas tiradas a um certo tempo, reviver pela primeira vez as cenas da nossa vida nos pedaços de papel e não na tela do computador.

Apesar de saber a muito tempo da queda do uso do sistema químico de fotografia, ainda não tinha sentido na pele essa ausência. Entendo os motivos dos comerciantes, se não há consumo, porque gastar com equipamentos e produtos químicos? Provável que só tenham lucro com grande quantidade. Poucos não valem a pena. É bem possível que o velho japonês não continuará a revelar meus filmes por muito tempo, insistirei, adoro o formato, por isso não duvido que em breve estarei pagando mais caro, mandando meus filmes para serem revelados pelo correio, até que um dia não existam mais.

Contava que a fotografia coexistiria por um bom tempo nos dois sistemas, pelo jeito, o jogo virou.

Não sinto saudades dos discos de vinil, achava um saco ter que trocar a agulha do toca-discos, odiava as fitas cassete, só as mantinha para ouvir no carro, mas detestava limpar cabeçotes com cotonetes. As fitas VHS foram embora tarde, DVD é muito melhor e não vejo a hora de todo mundo ter um tocador Blueray para encontrá-los mais facilmente nas locadoras. Mas os filmes, a espera da revelação com aquele friozinho na barriga, a qualidade das imagens e das cores, registradas para sempre, vão deixar saudades. Uma perda lamentável.

Silvio Santos e a Corrida de Fórmula B


Dizem que é brega, que já está ultrapassado e que não aguentam mais. Mas quando podem, assistem.

Apesar da idade, das fórmulas velhas e ultrapassadas, das gags, das frases batidas e esgarçadas, Silvio Santos continua divertindo a todos.

Muita gente não sabe ou não se lembra que SS era a principal estrela da TV Globo, isso mesmo, dominava todo o domingo com seus programas, aliás, o domingo só começava quando ele aparecia na tela, com a animada canção “Silvio Santos vem aí, lá lá, la ra la lá!”, estendia-se durante todo o dia e finalizava com a Praça da Alegria, comandada por Manoel da Nóbrega. Saiu, foi para a Tupi, o programa chegou a ser transmitido simultaneamente com a TV Record, de sua propriedade, pelo menos em São Paulo. A Globo, sem Silvio, transmitia só as séries e filmes americanos, a famosa fase dos enlatados, e perdia feio na audiência. Não tenho os dados, mas garanto que o dono do Baú mantinha mais de 80% da audiência.

As famílias brigavam por um espaço no sofá, todos, juntos, colados, assistindo ao programa, interminável, rindo, comentando e se divertindo.

Mais ou menos nessa época, quando a base do animador era o Cine Teatro Sol, na Av. Ataliba Leonel, mais tarde batizado como Teatro Silvio Santos, no bairro do Carandiru, numa estrutura quase mambembe, vi o ídolo das famílias ao vivo e, principalmente, em cores.

No mesmo bairro havia um fotógrafo que cobrava mais barato por fotos de documentos, com revelação na mesma hora. A escola exigia que entregasse 2 fotos 3X4, para fazer a Carteirinha do Estudante, para quem não se lembra, uma carteirinha com a identificação do aluno na capa, nas primeiras páginas trazia hinos nacionais, seguida por várias páginas a serem carimbadas com “presente” e “ausente” e, no miolo, o temido boletim. A maior parte do ano ficava desatualizada, mas era uma bela carteirinha, volumosa, parecida com uma Carteira Profissional, cheia de folhas. Adorava! Carregava orgulhoso a minha, no bolso da camisa branca da escola, completando o uniforme com calça de tergal azul e sapato preto, de couro, bico de pato.

Enfim, numa tarde depois da escola seguimos, minha mãe e eu, para o tal fotógrafo, numa roupa caprichada, com o pente no bolso, para sair bonito na chapa. Uma viagem de ônibus, o ponto era próximo da loja. Mas para a volta era preciso voltar um bom pedaço a pé. No caminho, passamos em frente ao famoso teatro, com um movimento frenético de mulheres na calçada. Minha mãe arriscou e perguntou a uma delas o que estava acontecendo, soube que estavam gravando um programa do Silvio Santos, mas que estavam para fora porque havia dado problema numa câmera.

Quase no mesmo instante apareceu um sujeito na porta do teatro e pediu que todas entrassem porque recomeçaria a gravação. Minha mãe, curiosa para ver o apresentador, popular desde a sua juventude, quis entrar junto. Sabia que a platéia era exclusivamente feminina, mas falou com o segurança para que me deixasse entrar, só por um tempinho. O sujeito olhou para mim, não viu uma grande ameaça no alto dos meus 8 ou 9 anos e consentiu com a cabeça.

Entramos, sentamos, a platéia silenciou e logo entrou aquele homem, que antes para mim só existia dentro da tela, em carne e osso, quase pálido, não fosse a maquiagem, vestindo um autêntico terno da Camelo, marca que fazia questão de anunciar. A mesma voz, mais alta, mais clara, encheu os ouvidos do auditório, a claquete exigia palmas, o show estava começando, Corrida de Fórmula B, um programa de perguntas em que dois competidores exageradamente maquiados e ridiculamente vestidos, disputavam um prêmio. Mas no meio da gravação, uma voz manda parar. A câmera havia pifado mais uma vez.

Ih, que droga, minha mãe, já preocupada em chegar rápido em casa para dar tempo de botar o feijão de molho e preparar o jantar para o meu pai que chegaria faminto do trabalho, não poderia esperar. Tive certeza que sairíamos naquele instante. Mas Silvio sabia que a platéia era importante, então, pediu uma rápida licença, talvez para um gole de água, e logo voltou exibindo uma animação ainda maior do que a gente se acostumou a ver nos programas. Veio para perto da gente, no meio da platéia, brincou com todo mundo, conversou, contou piadas, nosso amigo íntimo a muito tempo, mostrando simplicidade e aumentando ainda mais o seu carisma. Com a câmera quebrada, o show tinha ficado ainda melhor.

Depois de um tempo aproveitando do seu convívio, precisamos sair, o medo de perder o ônibus e demorar para chegar em casa era maior em minha mãe.

Nunca mais pude ver o patrão do SBT desse jeito, acho que nem minha mãe, que hoje nem precisa se preocupar em correr para cozinhar tanto feijão. Mas garanto que Silvio Santos está em sua casa todos os domingos, junto com o cheiro de caramelo de pudim e do molho de tomate sendo cozido por horas, com perfume de manjericão.

GPS: Quem já foi vítima, põe o dedo aqui!

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Não há dúvida que o GPS é um belo acessório, quase obrigatório nas grandes cidades. Muitas vezes uma salvação, principalmente em situações em que a gente se encontra completamente perdido, numa madrugada, depois de uma festa, numa cidade desconhecida e sem ninguém sóbrio o suficiente para indicar um caminho. Várias vezes me questionei em como consegui sobreviver tanto tempo sem GPS e celular.

Claro que o aparelhinho está longe da perfeição. Às vezes dou risada sozinho, com as sugestões estapafúrdias da loira que tem dentro dele, mas nada que realmente seja prejudicial, até hoje o máximo que experimentei foi uma confusão com a numeração dos endereços, mas sempre cheguei tranquilamente na via correta.

Nesse feriado, buscando uma alternativa para comemorar o aniversário do meu filho, resolvi levá-lo para o Hopi Hari. Bastou selecionar o nome do parque numa busca rápida do banco de dados e logo recebi um caminho que me pareceu convincente, saindo do Vale do Paraíba pela Rodovia D. Pedro I e depois desviando em Itatiba para seguir por uma vicinal até Vinhedo.

Sei chegar na D.Pedro I, então só liguei o bichinho quando estava lá. Logo me mandou desviar para um caminho esquisito, mas vi que era uma falha, pois não havia nada ali. Tudo bem, achei que devia ser só um defeito no mapa e segui em frente, até Itatiba, como já havia visto. No ponto esperado, um desvio me levou direto para uma estradinha, quase simpática, não fosse a quantidade de radares e a falta de placas indicadoras de velocidade, um crime. Logo à frente, me mandou subir uma rua sem movimento, com barrigudos lavando carros no feriado, meu desconfiômetro foi acionado. Em seguida, uma estradinha de terra. Tudo bem, quis acreditar que fosse um atalho, mas a poeira começou a aumentar e a buraqueira a ficar mais funda, então agradeci por não estar chovendo. Mais pra frente, um lixão a céu aberto, desviei de animais mortos, sofás velhos, urubus… Segui em frente e logo vi o meu ponto na telinha estar solto no meio do nada. O pessoal começou a ficar desesperado, mas tentei manter a calma.

Voltei um pouco para trás e logo avistei um outro carro passando! Devia estar usando o mesmo GPS… Segui e logo voltei ao mapa, numa estradinha confortável, bem asfaltada, com várias pousadas e sítios em volta. Um tempo depois, cheguei a Vinhedo, comemorei e continuei seguindo, vendo que o movimento de carros era mais intenso e acreditando que não faltava muito para chegar.

De repente, chego num entroncamento complicado e a loira grita, “Você chegou ao seu destino!!!”. Olho para todos os lados e não consigo enxergar uma roda gigante. Paro num posto de combustível e um frentista apressado me responde que tenho que pegar a Rodovia Anhanguera e seguir até Jundiaí, depois voltar pela Bandeirantes até chegar ao parque.

Peraí, achei que já estava no lugar e o cara me manda para mais uma aventura dessas? Duvidei. Perguntei a outro cara, mais paciente, que me explica o mesmo caminho, com mais detalhes. Fiquei muito P da vida!!! Por pouco não atirei o GPS pela janela!!!

Fazer o quê… Segui as indicações e depois de mais um tanto de quilômetros rodados, somando quase 4 horas de viagem, chego finalmente ao parque, exausto. Talvez seria mais perto e menos cansativo chegar ao Rio de Janeiro, com tempo para dar um mergulho na praia de Copacabana.

Na volta, deixo o aparelho guardado e sigo meus instintos, que me levam até São Paulo, pela rodovia dos Bandeirantes e de lá, marginal Tietê e Dutra, com aceitáveis 2 horas de viagem.

Ainda somos melhores que as máquinas.



Muita gente que vai ao Hopi Hari passa direto pela portaria, dá uma parada no banheiro e segue para a Roda Gigante, deixando de perceber o Theatro di Kaminda, um excelente espaço teatral, muito bem equipado, com poltronas confortáveis e peças sempre muito bem produzidas. Dessa vez, assisti Arlequim e seus dois patrões, uma comédia della arte, de Carlo Goldoni, com 45 minutos de duração. Esse espetáculo já vale o ingresso.

Meus carros: O Fusca Laranja

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Fui às ruas para gritar pelas “Diretas Já”, estive bem perto do palanque montado no Anhangabaú, vendo lado a lado Lula e FHC, Montoro e Covas, Ulysses soberano, todos unidos numa luta pela democracia, pelo fim da ditadura militar. Deu no que deu, a morte repentina da esperança e a ascenção de um dos ícones da ARENA, assumindo a presidência depois de uma estranha manobra, virando a casaca a favor do poder, mais uma vez, José Sarney.

A inflação fazia parte da nossa vida, mas com o governo Sarney atingiu patamares insustentáveis, surgiu o Plano Funaro, sumiço de mercadorias, empréstimos compulsórios, poupança desvalorizada, o que custava $1,00 no início do dia, chegava à noite custando $10,00. Tentávamos nos iludir, tanto que às vezes acreditávamos na reposição de salário que chegaria no final do mês, aumento sempre insuficiente. Sentíamos como náufragos, afundados, lutando por um pequeno gole de ar da superfície, mas logo arrastados de volta para as profundezas. A tão aguardada “abertura” era apenas um refresco para iludir os eleitores, os modos e costumes da ditadura continuavam presentes, como puderam comprovar os alunos da PUC que tentaram assistir “Je Vous Salue, Marie”, desafiando a ordem do coronel bigodudo, num início de ano letivo, e vivenciaram mais uma invasão da truculenta polícia federal que tentou acabar com a festa. A confusão foi imensa, os policiais viram a massa de alunos e desistiram, poucos para tantos. Era minha estréia nos corredores da universidade, um movimento que chegava a me assustar.

Depois de uma promoção no BCN, motivada pelo reconhecimento da minha habilidade no teclado, que permitia operar com facilidade uma máquina de Telex, achei que seria bom cursar Contabilidade, empurrado por minha mãe que sonhava em ver o filho formado e com um bom cargo na instituição. Mas via minhas economias cada vez mais corroídas pela inflação. O amargo lucro que recebi do “Fusca azul pavão que nunca foi meu” se perdeu no complicado efeito da desvalorização da moeda. Precisava ganhar mais para conquistar o meu sonho.

Mais uma vez caí na sedução do meu pai. O velho havia montado uma oficina de borracharia, mas dizia que precisava da minha ajuda. Oferecia uma série de vantagens e de ganhos para que eu largasse meu emprego no banco e fosse ajudá-lo. No começo, resisti. Mas ele me obrigava a trabalhar nos finais de semana, me deixando exausto, sem descanso depois de uma longa semana dividida entre escritório e faculdade. Me pagava a metade do que recebia com a minha mão de obra, consertando pneus. Não era pouco. Os pneus sem câmara de ar eram restritos aos carros novos, raros naquela época. O mais comum era os pneus esvaziarem por câmeras desgastadas, com remendos mal feitos que vazavam com facilidade, poucas vezes furavam com pregos. O movimento era intenso.

A ambição falou mais alto e acabei abrindo mão do meu emprego e largando a faculdade, partindo para uma ilustre carreira de borracheiro. No começo, como todo começo, tudo foi bem, e os ganhos eram suficientes para deixar os dois lados, pai e filho, satisfeitos. Dividíamos também aquele Fusca ex-Telesp, que já figurou por aqui. Mas não tardou para aparecer os desentendimentos. O carro era dele durante a semana inteira, servindo para a locomoção de casa até o trabalho, onde eu era apenas passageiro. Nas tardes de domingo, quando finalmente me livrava da pesada carga de trabalho, ficava livre para uns passeios com o carrinho. Toda a segunda-feira de manhã, quando ele dava a partida, conseguia ouvir barulhos que eu nunca percebia, me culpando por todos os defeitos que não existiam. Não podia aceitar aquilo calado e respondia, sem muito respeito, não o deixando esquecer que o meu azul pavão tinha sido injustamente vendido.

Um dia, cansado de tanto me ouvir e provavelmente preocupado com as minhas ameaças de comprar uma moto, meu pai chegou na borracharia dizendo que tinha visto um Fusca numa loja de carros e que, se eu gostasse, poderia fechar o negócio que ele me emprestaria a diferença. Corri para a loja, pronto para aceitar qualquer coisa que aparecesse, desde que tivesse rodas e saísse do lugar.

O carro tinha sido fabricado em 1975, com mais de 10 anos de uma vida bastante sofrida, refletida numa carroceria toda desengonçada, com amassados, assoalho enferrujado e um motor cansado. A cor era difícil de engolir, um laranja, bem forte, que podia ser reconhecido a quilômetros de distância. Olhei com cuidado, balancei a polia do motor e vi uma boa folga, dei a partida e depois de algumas golfadas de fumaça, funcionou. UAU!!!! Gritei de satisfação!!!! O carro era meu!!! Amor à primeira vista.

Senhores, o Fusca Laranja foi meu primeiro carro, com direito a nome estampado no documento, para que eu pudesse rodar livremente, pelo menos enquanto ele aguentasse.

Com o carrinho, passei por um monte de histórias. Impossível registrá-las agora, prometo que volto a contá-las. Me cobrem, tem aquela vez que viajei pela primeira vez, à noite, sem documentos… Tem aquela vez que me perdi de madrugada na desconhecida zona leste da cidade, dando carona para umas garotas da faculdade… Tem aquela vez que o cabo do acelerador quebrou e me obrigou a passar a noite no meio da rua, em pleno carnaval, sem roupa, sem dinheiro e sem comida… Tem aquela vez que…

Aguardem.

Muito obrigado!

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Fazer aniversário é sempre muito legal, uma comemoração pela benção da vida, torcendo para que a data se repita ainda por muito tempo.

Sou veterano nesse negócio de internet, tô surfando desde a época em que era restrita aos computadores da USP, com um login conquistado depois de puxar muito o saco de um professor,  mas claro que era uma época romântica, em que não havia spam e que todos os emails eram respondidos com rapidez impressionante, um negócio elitizado, quando “surfar” remetia às ondas do mar.

Até pouco tempo, o máximo que aparecia na minha caixa postal, em época de aniversário, eram os cupons de desconto das empresas que levam nosso dinheiro durante o ano inteiro, lutando por uma fidelização do consumidor. Esse ano as redes sociais bombaram as minhas contas de email, com muitas mensagens lindas, que me tomaram um tempo para responder, uma tarefa que fiz com um enorme prazer. Mas foi um claro sinal que agora a internet é pop!!! Todo mundo tem um acesso rápido, com um computador decente que roda liso. Uma vitória, um sonho realizado por todo velho nerd como eu.

Espero que ninguém tenha ficado de fora, mas se ficou, aqui vai um reforço, muito obrigado!!! Adorei todas as mensagens, lembranças, presentes.

China…

Button – Tenho que dar o braço a torcer, nunca dei muito crédito para esse cara, achava que tinha sido campeão em 2009 só por ter o melhor carro no começo da temporada. Duas vitórias em quatro corridas, surpreendendo ao vencer ótimos pilotos e equipes, por ter coragem no momento certo. Arriscou em manter-se na pista enquanto todos correram para os boxes ao mínimo sinal de chuva. Não errou e conquistou a vitória com soberania.

Hamilton – Deu show, como costuma fazer, arriscou nas ultrapassagens e conseguiu não errar tanto dessa vez, por isso chegou bem na segunda posição. Acho que a equipe não impediria uma tentativa de ultrapassagem sobre Button, mas o ímpeto acabou com seus pneus, já não tinha carro para brigar. Mais uma vez, o nome da corrida.

Rosberg – O alemãozinho só confirma o que todo mundo já sabia, corre muito. Fez milagre no passado com a fraca Williams e com um carro bom nas mãos, mostra competência. Consegue ir além do que a Mercedes pode oferecer no momento.

Alonso – Queimou a largada por pouco, tanto que foi difícil enxergar. A punição não foi tão grave, já que a corrida foi confusa para todos, com safety car e muitos pit stops. Correu o tempo inteiro no limite, cheguei a duvidar que o motor aguentasse e fez belas ultrapassagens, mostrando ser muito mais piloto que Massa em pista molhada. Deu o pulo do gato ao ultrapassar o brasileiro na entrada do box, acirrando a polêmica na briga interna da equipe, mas se não fizesse isso, seria obrigado a ficar muitas voltas atrás do companheiro.

Kubica – Competente, como sempre, faz a Lada (Renault) render muito mais do que pode. Chegar em 5º já não é mais surpresa.

Vettel – Perdeu a corrida. Ficou evidente que a Red Bull acertou o carro para a pista seca, por isso dominou os treinos e conquistou a pole position. Mesmo sendo mestre embaixo d’água, o alemão não conseguiu fazer o carro render. Ficou com gosto amargo de derrota.

Petrov – O piloto Lada mostrou que é bom de chuva, mesmo escapando em algumas curvas, fez ultrapassagens e chegou numa boa posição para um estreante.

Webber – Pela experiência e pelo ótimo carro, devia ter conquistado mais, pelo menos ter chegado na frente do russo. É ruim de doer.

Massa – Foi mal, perdeu muito tempo atrás da Williams de Barrichello e sofreu para passar Schumacher. Sofre em pista molhada, mas desconfio que não iria bem mesmo que a pista estivesse seca. O erro na classificação já deu o tom que a corrida não seria boa. Honesto, assumiu o erro e, político, aliviou a bronca por ter sido ultrapassado por Alonso na entrada dos boxes. Melhor assim, está prestes a renovar o contrato e não pode jogar seu futuro pela janela dando uma declaração inconveniente nesse momento. Terá outras oportunidades para virar o jogo sobre o espanhol.

Schumacher – Uma decepção. Sua atuação foi muito abaixo do que se podia esperar de um heptacampeão, mesmo tendo ficado 3 anos afastado e com 41 anos nas costas. Mas continuo acreditando que voltará a ser competitivo, talvez no próximo ano, quando já estiver com as condições físicas readaptadas e com o carro desenvolvido para o seu perfil de pilotagem. Por enquanto está sendo uma espécie de tutor para os novatos, ensinando-os a brigar por uma posição intermediária.

Os brasileiros – Barrichello costuma se superar quando tem um carro ruim, mas dessa vez a Williams estava tão ruim que nem ele conseguiu fazer alguma coisa. O fraco motor Cosworth rende muito pouco e impossibilita qualquer resultado em pistas com retas longas. Mesmo assim, foi o melhor na 2ª divisão da categoria, só abaixo das que  correm com motores de verdade.

Senna – ótimo resultado, chegou ao final da corrida, duas voltas atrás, mas duas voltas a frente do companheiro. Considerando que corre com um lixo sobre rodas, sem aerodinâmica e sem motor, fez milagre.

di Grassi – Se um dia tiver carro, poderá mostrar seu talento, por enquanto, está no mesmo barco de Senna, ganha experiência quando o carro não quebra. Dessa vez, quebrou.

Rádio Velhão - Trem das Cores

Hoje o Velhão aumenta mais um ano na contagem de tempo na terra, não foram tantos a ponto de atrofiar os dedos, mas já foram suficientes para deixar a cabeleira com um tom prateado, indisfarçável. Bons anos, vividos na paz, conhecendo e compartilhando o tempo com pessoas queridas. Sinto que o tempo tem me trazido cada vez mais serenidade e apurado meu olhar para as coisas boas da vida, suas cores, sua poesia.
Para comemorar, ao invés do raso "Parabéns", vou programar "Trem das Cores" como minha música do dia.
Ouçam também, de olhos fechados, colorindo o pensamento, permitindo-se a uns instantes de tranquilidade.
Tenham todos um belo dia.

Meus carros: O fusca azul pavão que nunca foi meu

fusca

Sou da época em que era comum os garotos trabalharem cedo, cresci sabendo que o trabalho é a parte mais importante da vida e, claro, a importância de poupar alguns trocados para não passar tantos apertos.

Assim, com uns quatorze anos já era um dos mensageiros do Banco de Crédito Nacional, o BCN, que desapareceu absorvido pelo gigante Bradesco. O salário era mínimo e a carga horária pesada, gastando a sola o dia inteiro pelas ruas da metrópole. Muitas vezes optava por esticar uma caminhada para embolsar o dinheiro da condução. Naquela época o trabalhador não tinha mordomia, o mínimo salário tinha que dar conta do transporte e da alimentação, o que sobrava mal dava para comprar uma calça jeans genérica e um par de tênis de tempos em tempos, roupa que era gasta para o próprio trabalho, assim, no início da minha adolescência, era um obediente escravo de banqueiro, pois os trocados que recebia mal eram suficientes para me manter com mínima dignidade no trabalho.

Mesmo assim, administrando a pobreza, conseguia guardar alguns trocados numa poupança, coisa pequena. Certo dia, enquanto espremia minhas espinhas de 17 anos, meu pai chegou com uma novidade, oferecia uma sociedade na compra de um carro. Achei estranho, mas ele continuou com a oferta, havia encontrado um fusca 1970, de uma viúva, abandonado a uns 5 anos no quintal, pois a dona não sabia dirigir e não queria se livrar do querido carro do falecido. O estado da lataria, largada a própria sorte sob sol e chuva por cinco anos, não era das melhores, mas era um carro que o defunto tinha desde 0km, sem nunca ter sido batido e com pouca quilometragem.

Com o saldo da minha poupança, 5 mil alguma coisa (não lembro mais a moeda da época), foi possível contentar a viúva e limpar o seu quintal. O carro seguiu direto para a oficina e depois de uma reforma na funilaria e uma bela revisão mecânica que consumiu outros 5 mil do meu pai, chegou em casa tinindo de novo, aquele azul pavão espelhado, as partes cromadas doendo os olhos, calotas, acessórios e equipamentos originais, enfim, um carrinho totalmente novo de novo.

Mas o problema é que ainda estava proibido para mim. Não tinha idade suficiente para me matricular numa auto-escola. No fundo sabia que a verdadeira idéia do meu pai era lucrar com o negócio, não pretendia ser tão generoso comigo, mas alimentava uma esperança.

Precisava mostrar que não abriria mão do Fusca tão fácil, por isso não desanimei, acordava cedo todos os sábados, com todos os utensílios necessários, dava a partida, engatava a primeira e ajeitava meu sonho no quintal, caprichava na limpeza, fantasiando em desfilar seu brilho pelas ruas.

Não comentei que na época tinha uma namorada que não agradava muito meu pai, então um dia recebi uma proposta de novela mexicana, caso desistisse do namoro, conseguia as chaves do carro.

Na época, nunca tinha sido apresentado a Maquiavel, estava ainda na fase romântica, um jovem tolo, por isso esbravejei, gritei que poderia me separar por outros motivos, mas meu coração não estava à venda. Hoje talvez optasse por aceitar a proposta, garantir meu nome no documento e depois continuar minha vida como bem entendesse, deixando o velho esperneando de raiva. Mas o fato é que preservei minha dignidade, sem acreditar que ele poderia levar a frente uma proposta tão baixa.

O carro continuou ocupando a garagem e os meus sonhos. No dia que completei 18 anos entrei na auto-escola. No dia que recebi minha carteira de motorista, fui para a aula noturna prometendo para os amigos que na noite seguinte voltaria dirigindo meu carro.

Era quase meia-noite quando desci do ônibus e corri para a casa, o dia tinha sido cansativo. Cheguei no portão e a garagem estava vazia.

Demorei muito para conseguir perdoar meu pai.

Velharias que valem a pena

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Quem nunca passou por um bazar de caridade com curiosidade, procurando alguma coisa rara e interessante que atire a primeira pedra.

Nesse sábado participei de um bazar desses, levei umas peças de informática que estavam empatando o samba aqui em casa e dei uma olhada nas novidades, entre elas, encontrei um aparelho de som “tinindo” de conservado, na caixa original, com isopores, acessórios e até manual. Um GPX Sing Along.

O aparelho deve ter sido projetado para os fãs de karaokê, pois tem entrada para dois microfones e no controle das fitas há um recurso que suprime o canal de voz para que o cantor doméstico fique à vontade para berrar no microfone. A caixa é hilária, estampada com fotos de felizes pessoas liberando a garganta, embaladas em roupas dos anos 80.

O equipamento tem mesmo um formato estranho, mas o que me surpreendeu foi a qualidade do som, cristalino, com uma sintonização de AM/FM perfeita, bem raro de se achar nos dias de hoje, com o botão do dial rodando macio, sem chiados ao passar pelas estações.

O preço da raridade? R$30!!! Uma ninharia!! Arranjei um cantinho para ele no quarto, sob o olhar crítico da esposa, mas não tem problema, agora vou amanhecer todos os dias, ouvindo o Pulo do Gato, num sonzão, em grande estilo.

Sucesso! Dobrou o número de seguidores!

A audência de seguidores aumentou 100% no último final de semana, um aumento significativo que merece um post de agradecimento, afinal, para um blog que sofre poucas atualizações e que não tem um tema específico, onde me dou o direito de escrever o que bem me dá na telha, ter dois seguidores fiéis, sem contar os parentes e amigos que visitam eventualmente, é um baita reconhecimento.

Por vocês, fiéis seguidores, prometo me dedicar ainda mais, escrevendo cada vez mais bobagens.

Obrigado!!

HP Lover

Ok, pode parecer propaganda, mas não é. Como já mencionei por aqui, sou viciado em tecnologia a muito tempo, já teclei em um monte de equipamento diferente, muitos já viraram peça de museu, desde os da Prológica e o primeiro padrão IBM da Cobra.

Meu primeiro PC de verdade, comprado para usar em casa, foi um 286 conquistado através de um consórcio informal entre colegas de escritório, uma forma de forçar uma poupança e poder adquirir alguma coisa, já que a inflação da época impedia qualquer financiamento maior que 3 parcelas, claro que as mensalidades eram corrigidas pelo valor do dólar.

Como todo PC-Frank, montado com peças de “garantia soy jo”, esse computador me deu muita dor de cabeça. O único saldo positivo foi que aprendi a desvendar as entranhas da máquina, tentando resolver seus problemas.

Depois, quando o mercado de informática passou a se interessar pelo usuário doméstico, vislumbrando um enorme potencial a ser explorado, as empresas passaram a pensar num computador pessoal mais sociável que reunisse várias soluções, aproveitando a onda da novidade Windows 95. Resolvi arriscar mais uma vez minhas economias num novo equipamento, um Compaq Presario com o avançado chip Intel Pentium 75, com um gabinete muito parecido com o Macintosh da época, totalmente integrado, com monitor e CPU ocupando o mesmo gabinete. Esse computador era assombrosamente bem construído, nunca deu um único defeito de hardware e trabalhou por muitos anos, turbinado por umas upgrades de HD, memória e processador.

Virei fã da Compaq. Quando chegou a hora da troca, optei por outro Compaq, um Presario com processador AMD. Outro hardware que era um tanque de guerra indestrutível, rendeu mais uns 6 anos até que não foi mais possível atualizá-lo. Vendi, mas até hoje preservo suas excelentes caixas de som.

Não gostei quando a Compaq, melhor fabricante de PC’s do mundo, foi abocanhada pela HP, mas resolvi dar um certo crédito e confiei minhas economias num novo HP, uma máquina poderosa com o recém lançado chip Pentium Dual Core e o polêmico Windows Vista. Gostei, equipamento robusto, com uma construção eficiente, um teclado e mouse maravilhosos, seguindo o a tradição da Compaq. Já com quase quatro anos de uso, o único componente que apresentou defeito foi o único que acrescentei depois, uma placa de vídeo genérica com chip NVidia.

Agora resolvi acrescentar um novo equipamento para a minha coleção, um netbook que pudesse me manter mais tempo linkado durante o dia, com facilidade para acessar de qualquer lugar e que não fosse um grande peso para ser arrastado. Pesquisei várias marcas, poucas me agradaram. Sou exigente com teclado, uso todos os dedos e preciso ter um espaço confortável para abrigá-los nos lugares certos quando estou digitando. As marcas comuns nas gôndolas não me convenceram, achava tudo muito pequeno e estreito, desconfortável.

Um colega de trabalho chegou com a novidade, um HP Mini. Pedi para experimentar e pela primeira vez consegui digitar um texto num aparelho do gênero sem errar uma única tecla. Os botões são amplos, o toque macio e preciso. Não sosseguei até encontrar a mesma oferta. Então agora estou aqui, teclando deliciosamente no meu novo HP Mini. A configuração é típica de equipamento de fim de estoque, Windows XP com 1Gb de memória e HD de 160Gb, daí o ótimo preço. Mas para quem começou com um CP200 da Prológica e teve seu primeiro contato com equipamento IBM num XT da Cobra com 10Mb de HD, esse netbook é um sonho de ficção concretizado nas mãos.

Um HP. Tenho certeza que me acompanhará por muito tempo e registrará muitos pensamentos.

Bianco-Lorraine

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Não sei nada sobre esse carro, mas caminhando por uma rua da cidade topei com esse belo exemplar, com a identificação “Bianco-Lorraine” no parabrisa. Deve ser um carro desenvolvido na garagem, não sei se chegou a ser produzido em escala. Mas de qualquer forma, lindo.

Fim de semana agitado

Fim de semana com corrida de F1 me deixa particularmente animado, esse foi ótimo, afinal foi a primeira corrida da temporada, seguida de uma estranha etapa de Fórmula Indy no asfalto ridículo de São Paulo, com direito a pulos gigantescos dos carros, poças d’água e todos os perigos que os motoristas que pagam seus impostos sofrem diariamente nas ruas da cidade. Para finalizar, um clássico de tirar o fôlego, Santos e Palmeiras.

A F1 trouxe um monte de novidades, mas o resultado acabou seguindo a lógica, as grandes equipes conseguiram os melhores resultados. Gostei do fim do reabastecimento, deu uma boa sacudida, todo mundo já estava pra lá de saturado de ver as estratégias consagradas da época em que se podia ganhar uma corrida nos boxes. Agora é só pneu, uma parada rápida que não permite grandes alterações no resultado final. Os estreantes Bruno Senna e Di Grassi cumpriram seu papel, fizeram o que podiam com o que tinham nas mãos. Barrichello realizou seu sonho de pilotar uma Williams e recebeu uma boa dose de realidade, terá que trabalhar muito para conseguir levar esse carro para a frente. Massa colocou uma pá de cal sobre qualquer desconfiança que ainda poderiam ter sobre sua performance pós-acidente, andou forte o tempo inteiro e como é um piloto de uma equipe, respeitou seu companheiro na largada, evitando uma escorregada que pudesse mandar o espanhol para o meio do deserto. Com o segundo lugar, premiou a equipe de Maranello com uma dobradinha na estréia da temporada e conteve-se para não gerar uma crise, merece palmas. Na próxima a sorte deve virar e Alonso pode não ter tantos motivos para comemorar.

A Indy em Sampa foi um show de horrores. Parecia um espetáculo de circo pobre, com lona rasgada. Os artistas procuram manter a dignidade e o brilho de sua performance, tentando disfarçar para o público a condição miserável do seu picadeiro. O dinheiro público gasto para montar o grande palanque dessa corrida não conseguiu encobrir a vergonha do total abandono das ruas da cidade, com o asfalto podre, os carros pulavam o tempo inteiro e quando veio a chuva, as poças destacaram todos os defeitos da pista. Lembrando que para o paulistano comum, que paga seus impostos, aquela pista estava um tapete.

Tirando o lado político do evento, foi bom ver uma corrida desse porte na cidade, um belo show.

Mas espetáculo quem deu foi o Palmeiras. Quando o time levou os dois gols dos meninos da Vila, torci para que os jogadores não desanimassem e que o jogo não virasse um massacre com uma goleada humilhante para o time alviverde. Os garotos do Santos vinham de uma vitória de 10 a 0, mesmo que sobre um time insignificante, um resultado desses mexe com a cabeça dos jogadores que aceitam com facilidade o salto alto.

Com raça e superando suas limitações, os jogadores do Palmeiras mostraram que merecem respeito e impuseram aos moleques santistas uma lição que devem carregar para o resto de suas vidas. Vão pensar melhor antes de desrespeitarem grandes adversários. Uma virada histórica de 4 a 3, para calar a boca da crítica e para lavar a alma do torcedor.

Agora já é segunda-feira, mais uma semana de trabalho intenso. Mas a semana fica leve depois de um domingo desses.

Domingão numa esquina da cidade


Para mostrar um teste com a Kodak Zx1, gadget que comentei aqui a alguns dias, resolvi filmar uns instantes de uma esquina aqui da cidade. É só um teste, mas dá para ver bem a qualidade da filmagem em 720p e também é preciso lembrar que a edição foi feita com o programa que acompanha o equipamento, de um jeito bem fácil, incluindo o upload para o YouTube.

Meus Carros – Fusca da Telesp – 1977

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Como todo novo motorista que a mais de vinte anos começava suas aventuras sobre as quatro rodas, aprendi a dirigir um Fusca. Não era um Fusca qualquer, mas um que meu pai havia comprado num leilão da Telesp para o uso da família. Lamento muito não ter uma foto que registre o carro como ele chegou, todo laranja com os emblemas e inscrições borrados por pinceladas de uma tinta azul, então fica essa, encontrada numa busca do Google, perfeita para lembrar aos que não conheceram ou não se lembram, como era o carrinho da companhia telefônica de SP.

Carro de leilão é uma caixinha surpresa, o lote é adquirido sem testes, totalmente no escuro. Chegou no guincho e por sorte deu a partida no motor movido a álcool depois que recebeu uma bateria nova. Esse motor era da fase experimental do Pró-Álcool, antes de ser uma opção para os carros produzidos em grande escala, equipou os veículos do Estado, como as viaturas policiais, ambulâncias e carros de serviço, como o da estatal Telesp.

Não demorou a ficar bege, ninguém em casa ficava confortável a pagar o mico de andar com o carro daquela cor. No começo a intenção foi vendê-lo, lucrando alguns trocados, mas o carrinho estava incrivelmente bem conservado, com uma suspensão suave e silenciosa, sem nunca ter levado uma batida, andava suave pelas ruas e era econômico, então passou a fazer parte da família por muitos anos e como meu pai sempre mexeu com construção, carregou de tudo: escadas, portas, madeiras, sacos de cimento, portões, latas de areia, enfim, tudo que pudesse ser encaixado no seu bagageiro de teto. Foram anos de trabalho pesado que acabaram com sua carroceria, com ferrugem e amassados, sem muita esperança de recuperação. Um dia foi encontrada uma carroceira completa num desmanche, inteira e do mesmo tom bege, feito o negócio, bastou fazer a troca e o Fusca ficou como novo de novo.

Não foi meu, sempre foi o Fusca do meu pai, mas foi o que aguentou minhas primeiras barbeiragens, incluindo aqueles solavancos de quem tira o pé muito rápido da embreagem e aquelas raspadas no portão.

A primeira experiência de dirigir foi com ele e, claro, inesquecível. Naquele ano eu completaria 18 e insistia muito para que meu pai me ensinasse a dirigir antes de entrar na auto-escola, pois como era comum naqueles dias, a maioria dos garotos já chegava na auto-escola com experiência no volante. Tinha pressa e pouca grana, por isso não suportaria o sacrifício de fazer muitas horas de aula.

Um garoto de 18 anos que nunca sentou num banco de motorista a não ser por brincadeira já sabe a teoria da arte de dirigir a muito tempo, não consegue pensar em outra coisa. Eu, pelo menos, era assim. Observava cada movimento dos pés, cada mudança de marchas, cada virada de volante. Quando andava de ônibus, procurava ficar ao lado do motorista, observando todo o seu trabalho, a arte de cada curva. Garanto que se me dessem a oportunidade, seria capaz de dirigir um ônibus lotado sem muita dificuldade. Foi assim com meu pai. De tanto encher sua paciência, num domingo à tarde, enquanto voltávamos para casa, ele se aborreceu e encostou o carro, trocou de lugar comigo e desafiou: – Vamos ver o que você sabe fazer, não quer ser motorista? Mal pude acreditar e claro que não fiz muito feio para uma primeira experiência. Toquei o carro sem errar uma única marcha e cheguei tranquilamente até em casa, sob o olhar atento e atônito do Velho. Me confundi um pouco quando precisei sair de uma avenida e entrar numa travessa, meio perdido sobre a melhor posição para driblar o trânsito no cruzamento e fazer a conversão, um taxista xingou, dane-se, no final foi uma nota 9, com louvor.

Depois de conseguir minha habilitação, um problema que vou relatar num próximo tópico, me impediu de conquistar logo meu primeiro carro, por isso continuei por pelo menos um ano dividindo esse Fusca com meu pai, que dirigia o carro durante a semana e me cedia o carrinho para os passeios das tardes de domingo. Foi uma bela experiência, aprendi muito com ele, um dos Fusquinhas mais gostosos que dirigi.

Tenho saudades e torço para que ainda continue vivo, rodando por aí.

Casinha Pequenina


Casinha Pequenina
Upload feito originalmente por Velhão

Casinha de Bonecas da EMEI Jane Palumbo - SJC - SP

Foto tirada com a Kodak Zx1, recomendada no post abaixo. O gadget, apesar de ser essencialmente uma filmadora, não desaponta quando usado como uma câmera simples.

Gadget maneiro – Kodak Zx1

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Qualquer um tem um bom celular com câmera, capaz de filmar e fotografar com um desempenho básico, além das outras quase infinitas funções que esses aparelhos costumam reunir.

Apesar de ser viciado em tecnologia e adorar tudo que é novidade, nunca fui um alucinado por celulares, sempre me contentei com meu bom e velho Motorola V3, sem entrada para memória, com algumas firulas como câmera VGA, mas usado basicamente para sua função mais primitiva, telefonar.

Para mim, fotografar só mesmo com uma câmera razoável, aliás, para isso sou um pouco chato, acostumado com minhas câmeras, não gosto nem de fotografar com digitais comuns que parecem demorar um século entre o aperto do botão e o registro da imagem. Sou das antigas, cresci acionando a bobina do filme e apertando o botão depois de encontrar a velocidade e abertura ideal com o auxílio do fotômetro, depois de achar o melhor foco.

Mas confesso que é muito complicado carregar minha D80 a tiracolo para todo o lugar. Além do peso e do volume, incluindo flash, lente e outras traquitanas, é sempre arriscado exibir todo esse equipamento em qualquer lugar.

Então optei por uma Panasonic FZ-18, uma câmera digital mais simples, mas que tem uma ótima lente Leica equivalente a 28~504mm, um belo zoom, mas que tem uns “defeitos” comuns à maioria das digitais portáteis, um pequeno atraso no obturador, um sensor que gera ruído em ISOs altos dificultando fotografias em ambientes escuros e a falta de uma sapata para flash externo. Com luz natural do dia, consigo imagens fantásticas, em ambientes fechados tenho que me contentar com a falta de recursos. Mas é mais fácil de carregar, apesar de ter um volume grande, comparado com as portáteis comuns.

Mas ultimamente começou a me dar uma vontade danada de filmar cenas cotidianas, registrar momentos em que a fotografia fica limitada, como uma gracinha do meu filho, um movimento, uma voz. É possível fazer isso como a FZ-18, apesar de não filmar em HD, mas acho complicado recorrer a ela a qualquer instante, inesperado, como uma careta com vontade de encontrar um banheiro, cenas inusitadas que não podem esperar.

Queria um equipamento mais leve, que coubesse no meu bolso e pudesse me acompanhar a todo instante, sem muito volume e que ao mesmo tempo oferecesse uma boa qualidade de imagem e resistência a choques e a respingos, ou seja, uma filmadora portátil, sem frescuras.

Encontrei a Kodak ZX1 (ou ela me encontrou?). Uma câmera incrivelmente simples, fácil de carregar, ultra resistente e com uma qualidade de imagens excelente, filmando em HD com 720p a 60fps. Não é o modelo mais atual da Kodak, mas é o único disponível nesse momento no Brasil, pelo menos até chegar os novos modelos com full HD e à prova d’água prometidos para abril desse ano, provavelmente custando inicialmente o triplo do que os gringos pagam nos EUA. Numa promoção de desova para abrir espaço para o novo modelo, a ZX1 estava sendo vendida no Submarino.com a 300 paus, quase os mesmos 150 dólares de quando era oferecida nos EUA em 2008/2009. Como prefiro comprar com NF e garantia, achei uma ótima oferta.

Os defeitos são os mesmos de qualquer câmera portátil, com pouca iluminação gera ruído e queda de frames, mas com luz natural, as imagens são excelentes, muito superior a qualquer celular e câmera digital. Até dá para fotografar com resolução de 3 megapixel, mas o foco fixo não dá muito espaço para a criatividade. Melhor julgá-la como filmadora, onde realmente cumpre o que promete. Talvez seu maior problema seja a falta de um estabilizador de imagens, qualquer tremidinha na mão fica registrada. Mas em compensação tem a enorme vantagem de não chamar a atenção, permite capturar qualquer cena de forma natural, sem denunciar. Todo mundo pode ser pego enfiando o dedo no nariz, distraidamente, enquanto espera o próximo ônibus e depois virar hit no YouTube, já que o software que acompanha o equipamento permite a edição de maneira muito simplificada e a fácil disponibilização no site de vídeos.

A ZX1 tem me acompanhado nos últimos dias e tem agradado bastante. A foto abaixo do meu Homer foi tirada com ela, com uma luz fluorescente bem fraca, bastou apontar e clicar, sem nenhum outro ajuste. O ruído fica evidente, mas a praticidade compensa. Se quiser ver vídeos demonstrativos, procure no YouTube, digite ZX1 no espaço de busca, assista em 720p e se surpreenda.

Homer

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Ganhei um Homer de presente. Adoro esse cara. Não tem como olhar pra ele e não abrir um sorriso. Ao lado do PC, junto com minha bagunça habitual, foi o melhor lugar para acomodar meu novo parceiro de mesa.
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Meus Carros – O do meu pai

O carro do meu pai. A minha primeira experiência com ronco de motor e cheiro de gasolina queimada. Inesquecível, cheio de histórias.

Um Dodge Kingsway 1951 Station Wagon, que a gente chamava de “Perua Dodge”. Um carrão americano, enorme e cheio de estilo e de vontades. Acompanhou tanto tempo a nossa família que deixou de ser simplesmente um carro, foi um dos nossos, sofreu e compartilhou alegrias. Gosto de pensar assim, carros não são máquinas frias, tem sentimentos, dias bons e ruins, alguns são sempre simpáticos, outros são mal humorados. Gosto de carros sorridentes, como aquele belo sorriso gringo que a nossa Perua Dodge estampava.

A nossa era temperamental. Às vezes se negava a chegar ao destino, hoje penso que sua personalidade era tão forte que era a única a ter coragem de discordar do meu pai, mudando o que ele planejava. Talvez preferisse parar no meio do caminho e nos proporcionar um piquenic num posto de gasolina de beira de estrada, ou simplesmente ficava cansada e preferia voltar para casa debruçada sobre um guincho, nos deixando ainda mais animados, apesar do mau humor do meu pai.

Uma viagem de carro naquela época, mesmo que curta, era certeza de aventura. Sabíamos a hora que saíamos de casa, mas nunca podíamos prever quando e nem menos se chegaríamos. Quando minha mãe anunciava que iríamos passear no fim de semana, ficava todo empolgado. Pouco me importava o destino, não me interessava se iríamos para a casa de um tio próximo ou se cruzaríamos o estado, o que me importava era o tempo que ficaria no carro, admirando as ruas pela janela apressada, apontando para cada carro que via na rua, gritando para mostrar para todos que sabia qual era a marca e o modelo. Na véspera, minha mãe preparava coxinhas, pastéis, pães e um monte de outras delícias, para nos abastecer durante o caminho, pois contava com a possibilidade de ficarmos parados, por um tempo que só a perua sabia.

O carro era enorme, abrigava a todos com um certo conforto e, apertando um pouquinho, dava pra encaixar primos e tios. Num domingo saímos bem cedo para um passeio típico de uma família católica, juntos com primos e tios, seguimos rumo à cidade de Aparecida. Não sei até que ponto chegamos, mas conheci cada posto de gasolina da Dutra. Muitos anos mais tarde, quando meu pai comprou um Fiat 147 novinho, levou meus tios para o passeio, pagando essa dívida, mas claro que todos nós, incluindo os primos, ficamos em casa.

Mas a história mais curiosa que passei nessa Perua Dodge se deu quando minha irmã nasceu, no começo de 1973. Sozinho com os 3 filhos e querendo visitá-la na maternidade, meu pai ordenou que nos arrumássemos para sair. Sem minha mãe por perto, vesti uma roupa qualquer e me enfiei no carro. Um dia de verão escaldante, o banco de corvin colava na pele. Seguimos, saindo da periferia da zona norte em direção ao centro de São Paulo. Tudo ia bem até que no meio de um trânsito caótico, que já existia na época, justamente no ponto mais baixo do “Buraco do Adhemar”, no Anhangabaú, entre DKWs, Fuscas, Kombis e Corcéis, a Perua resolveu engasgar e morrer. Nada a tirava do lugar, era enorme e pesada, impossível empurrá-la para frente ou para trás. Um guarda de trânsito, irritadíssimo com o transtorno que estávamos causando, ordenou a um motorista de Kombi, aquela corujinha, que encostasse na traseira do nosso carro e nos empurrasse para fora. Até hoje lembro da cara irritada do sujeito, praticamente colado ao nosso vidro de trás, gritando muitos palavrões, ensopado de suor. Nos tirou para fora e nos deixou no meio de um entroncamento enorme, acho que naquela convergência entre a 23 de Maio e a 9 de Julho. Não havia semáforo, um guarda ficava numa torre amarela, no meio do cruzamento, apitando e apontando freneticamente os braços, tentando reger o caos.

Com uma estranha calma, meu pai virou para trás e perguntou se queríamos sorvete, assim, no meio de carros raspando e buzinas disparando. Pulamos de alegria, cada um escolheu um sabor. Então ele pediu para que ficássemos quietos dentro do carro e saiu. Voltou um tempo depois com as mãos cheias de picolés. Deu um para cada um, abriu o capô e enquanto chupava o seu picolé, segurou o outro sobre a bomba de gasolina do carro. Nos lambuzamos e em pouco tempo ele fecha o capô, entra no carro, dá a partida e sai tranquilamente, como se nada tivesse acontecido. Curioso para saber o que tinha feito com aquele sorvete que estava sobrando, ele me responde que estava muito calor e que a Perua chupou todo o picolé, deixando só o palito. Simples assim. Só entendi muito tempo depois.

Outros tantos momentos como esse aconteceram, a maioria virou apenas flashes de memória. Um desses flashes traz a imagem nítida da minha mãe rezando o terço na descida da serra para Santos, preocupada com uma tal de Curva da Onça.

Um certo dia meu pai resolveu vender a Perua, cansado das reclamações da minha mãe que, por sua vez, estava cansada de empurrar aquele monstro sobre rodas. Um senhor passou pela rua, viu a placa, parou, trocou algumas palavras e fechou o negócio. Chorei, enquanto minha mãe comemorava. No dia seguinte, arrependido, meu pai procurou o sujeito e tentou desfazer o acordo, chegou a oferecer mais do que havia recebido, mas o comprador estava feliz e não aceitou. Nunca mais soube dela.

Outro dia encontrei essa foto na internet, uma Dodge idêntica, com a mesma cor e o mesmo jeito. Gosto de pensar que a mesma.

Meus Carros – O primeiro

jeepedal

Amo carros. Um amor intenso, uma atração que faz parte do meu DNA. A minha lembrança mais remota da infância é sentado num chão cercado de carrinhos de plástico barato, um tipo de brinquedo que não existe mais, réplicas feitas de um plástico mole, moldadas numa forma única, destacando-se apenas as rodas, presas por eixos de metal. Rodas que se soltavam com facilidade, um perigo para as crianças, muitos acidentes devem ter acontecido com garotos entupindo as gargantas com elas ou se espetando com os eixos. Nada grave comigo, só uns arranhões que deixaram algumas marcas. Toda vez que minha mãe se despedia, indo para as compras na feira, pedia um novo carrinho, às vezes ganhava, muitas não. Minha maior diversão era recortar as portas e os capôs, imaginando que dentro deles encontraria os bancos, o volante, o painel e, quem sabe, uns bonequinhos. Claro que era uma fantasia boba, mas insistia na possibilidade, tanto que levava uns tapões na bunda, com minha mãe irritada por ter destruído outro fusca.

Nos anos 70, automóvel novo só era possível para quem tinha muito dinheiro. As famílias de classe média baixa ficavam felizes quando possuíam um carro velho. A esperança era encontrar a sorte nos carnês do Baú da Felicidade. Havia na minha casa uma gaveta com muitos carnês pagos, com o sorriso do apresentador. Lembro da minha empolgação quando, num passeio de domingo, cruzamos com uma carreata de fuscas novos, enfeitados com balões, guiados por felizes sorteados no Programa Silvio Santos, saindo da Vimave.

Carro era o sonho coletivo, turbinado pelos programas dominicais, as músicas da Jovem Guarda e pelas vitórias de Emerson Fittipaldi.

Um certo dia, saí com minha mãe para uma longa caminhada, até uma enorme loja de tecidos no Jaçanã, onde ela compraria um lote de panos para confeccionar as roupas da família. Usar “roupa pronta” era um luxo distante para nós. Na volta, passamos na casa “da comadre”, madrinha da minha irmã. Quando entrei no quintal, topei com a coisa mais maravilhosa que poderia existir, um Jipinho de pedal, feito de lata, lindo, pintado num verde oliva do exército, com rodinhas brancas e calotinhas vermelhas. Fiquei encantado. O filho da madrinha era bonzinho e cedeu alguns instantes de felicidade, deixando-me sentar naquele sonho sobre rodas.

Chorei muito no momento da despedida. Depois, quando cheguei em casa, tive febre, daquelas que deixam a mãe preocupada, pois não abaixava mesmo depois da medicação. Uns dois dias se passaram e minha mãe já tinha me levado para umas duas benzedeiras, sem resultado. Já planejava o último recurso, me carregar na madrugada seguinte para um atendimento no “ienepê esse”.

Porém meu pai não demorou a descobrir o remédio, naquela noite chegou com um Jipinho novo nas costas, idêntico ao que tinha me encantado. Essa cena de felicidade extrema está gravada para sempre e adoro relembrá-la.

Esse Jipinho se tornou o meu maior companheiro, não me contentava só com o quintal, saía pelas calçadas, circulando pelo quarteirão, todos os dias, sob sol intenso, sem nunca cansar. Adorava manobrá-lo para frente e para trás, com balizas perfeitas encaixando entre caixas de garrafas vazias. Outras crianças da rua também curtiram meu carro, revezando nas ladeiras, muitas vezes freando só na beira das guias.

A despedida não poderia ser mais triste, saiu da minha vida amontoado numa carroça, totalmente enferrujado, amassado e sem rodas. Pequeno para as minhas pernas compridas, mas com a sua missão cumprida.

Carros que gostaria de ter…

Lada Niva, quando foi lançado no Brasil, tive o privilégio de sentar num zerinho que estava exposto numa loja da Praça da República em São Paulo.

Por pouco não comprei, fiz as contas e naquela época de inflação alta preferi não arriscar uma prestação que poderia me levar à falência. O sonho foi adiado e nunca mais realizado, outras prioridades foram aparecendo.

Quando vejo um Niva cruzando meu caminho, relembro aquele primeiro contato, com o carrinho cheirando a novo. Quem sabe um dia… Em 2008 disseram que voltariam a importá-lo e venderiam por 30 mil, cheguei a me empolgar, fazendo as contas para encomendar o meu em longas prestações, mas pelo jeito o negócio furou.

A esperança não acabou, a AutoVaz fabrica até hoje o carrinho, do mesmo jeito, quem sabe um dia voltam a importá-lo, ou encontre um antigo, totalmente original, com um preço bom.

O retorno da dupla


Pena Branca & Xavantinho formaram uma das melhores duplas de música caipira de todos os tempos. Talvez empatados apenas com Tonico & Tinoco. Música raiz, de qualidade, longe do apelo pop das duplas atuais, mas com uma sensibilidade sonora maravilhosa. Impossível não se emocionar ouvindo suas gravações.

Xavantinho foi mais cedo, Pena Branca agora. Ambos numa despedida precoce, mas aonde quer que estejam, devem estar felizes, finalmente juntos.

O cd “Renato Teixeira & Pena Branca e Xavantinho – Ao vivo em Tatuí” não sai do meu MP3, hoje ouvi como faço quase todos os dias, mas com uma dor de saudade.

“Meus queridos amigos, aceitem de coração aquele abraço apertado, boa noite do Pena Branca. Boa noite gente!”

iPad, que cazzo é isso?


“Há espaço para uma categoria entre os smartphone e o notebook. E precisávamos criar algo melhor do que um netbook”, com essa frase, Steve Jobs apresentou o iPad, uma espécie de prancheta eletrônica com o formato idêntico ao iPhone, provavelmente com as mesmas funções, mas num tamanho bem maior.

A tela colorida e de alta definição impressiona, deve ser realmente mágico ter numa única tela seus vídeos, livros, fotos, músicas, jogos, internet e o que mais a imaginação puder alcançar, tudo na ponta dos dedos, sem fios e outros penduricalhos, como teclado e mouse.

Mas, por mais entusiasmado que sou com equipamentos eletrônicos, chego a ser compulsivo por tecnologia, não consigo enxergar uma utilidade importante para que eu adote imediatamente essa novidade. Claro que muitos podem me acusar, afinal, já passei dos quarenta e quando nasci o aparelho doméstico mais sofisticado era uma TV preto e branco à válvula. De lá pra cá, não dá pra descrever o tamanho da evolução, o que era absurdamente dispensável virou equipamento de primeira necessidade. Talvez queime minha língua e em pouco tempo não consiga respirar se não tiver um iPad, mas agora me julgo completamente lúcido a ponto de afirmar que esse iPad é a coisa mais inútil que já vi nas mãos do ídolo dos nerds, Steve Jobs.

Explico. Em casa e no trabalho tenho à disposição um computador razoável com boa conexão de internet, com eles satisfaço minhas necessidades de trabalho e lazer tecnológico.

Se quero jogar, tenho à disposição minha coleção de videogames, ainda em uso, primeiro Xbox, Dreamcast, PS2, GameCube, Wii, PS3, sem contar os portáteis GameBoy e PSP, esse último até me permite acessar a internet Wi-Fi e jogar online.

Para fotografar não dispenso a companhia da minha FZ-18, com um zoom respeitável de 18X com a qualidade da lente Leica. Mas poderia muito bem me virar com a câmera do meu bom e velho V3.

Todas as minhas músicas cabem no meu Walkman da Sony, melhor e mais barato que um iPod que tem uma excelente qualidade de som e uma tela respeitável para ver meus vídeos em MP4. Um luxo, poderia ficar satisfeito com um MP3 genérico de camelô.

Não tenho cacife para ter um iPhone, nem menos um iPod Touch. Nunca me interessei em ter um Notebook, gosto de teclado espaçoso e mouse, com boa tela e som, odeio ser obrigado a desligar por falta de bateria, acabaria ligando na tomada e usando como um Desktop comum.

Concordo que para carregar os meus brinquedos preciso de um cinto de utilidades do Batman, com muito espaço também para os diferentes cabos, mas não carrego todos de uma vez, geralmente levo cada um para uma ocasião diferente, devidamente acomodados nos bolsos ou numa mochila. Esse iPad reúne todas as funções, mas também está longe de ser portátil. Nessa apresentação gostaria de ver o Mr. Jobs tentando enfiar esse gigante no bolsinho da calça, como costumou fazer nas apresentações do iPod.

Tento imaginar algumas situações do meu cotidiano onde poderia usar um iPad:

  • Sentando num banco de uma praça e sacando o aparelho para ler um livro. Será que a luz tropical me permitiria enxergar alguma coisa? Duvido. E quando me distraísse? Sobreviveria a um trombadinha que veria no aparelho uma oportunidade de dinheiro fácil? Livro ninguém rouba. O risco máximo é emprestar e nunca mais ver de volta. Sem violência.
  • Numa reunião de trabalho, com todos fazendo anotações como seres humanos normais, em agendas, papéis soltos ou até netbooks, saco esse iPad não sei de onde e começo arrastar o dedo por sua tela? Sou tímido demais pra isso e também jamais ousaria chamar mais atenção que a reunião.
  • No transporte público, quando finalmente consigo algum assento, revelo meu iPad para a lotação cansada e com um fone de ouvido bluetooth passo a assistir meus seriados favoritos? Duvido que consiga alcançar a porta de saída inteiro.
  • Talvez seja útil para o trânsito de São Paulo, no meio do engarrafamento encaixo o iPad entre a barriga e o volante e acesso meus emails, atualizo meu blog e twitto. Se estiver sozinho na parada, consigo fazer isso algumas vezes, mas se meu vizinho de congestionamento gostar da idéia e também sacar o seu e com o tempo o negócio se multiplicar, não demorará para virar uma infração de trânsito super-hiper-grave (super hiper grave?, superhipergrave?), tornando-me alvo preferido de marronzinhos.

Então, talvez, o único lugar que acabe sendo sossegado usar essa novidade seja quando estiver em casa, roubando-me o tempo que deveria brincar com meu filho e conversar com minha esposa.

Assim, não vejo outro destino para essa tranqueira tão festejada que não seja a lata de lixo. Mais um aparelho inútil que exerce com maestria a função de poluir o planeta e arrancar a grana dos nerds.

McLaren - Mesmas cores, nova bigorna


E a McLaren apresenta o MP4-25, com as mesmas cores do ano passado, um prata cromado com vermelho para destacar o patrocinador. Assim, com um carro muito parecido com a Mercedes GP, contrariou a expectativa da nossa enquete, onde a maioria esperava o resgate do tradicional laranja, cor oficial da equipe.

Aerodinamicamente, destaca-se o bico elevado e uma nova asa bigorna, reestilizada. Comparando com a grande rival, prefiro a Ferrari, mas carro bonito é carro rápido, então é preciso esperar os primeiros treinos para saber qual foi a melhor solução.

E os brasileiros na F1?

Vejo o alarde da Globo anunciando um campeonato com quatro brasileiros na disputa da temporada 2010 da F1 e penso o quanto se esforçam para atrair o público comum e mal informado.

Dizer que quatro brasileiros estão na disputa é uma bobagem, honesto é afirmar que quatro estão participando, talvez com algumas chances de vitória e, quem sabe, um realmente tenha chance de disputa. Mas com esse tipo de publicidade, a Globo só consegue gerar ainda mais frustração, pois cria uma expectativa mentirosa que acaba por manchar o nome e a reputação dos pilotos.

Massa é da Ferrari, tem um ótimo relacionamento com a equipe que reconhece publicamente ter tirado suas chances do campeonato 2008, com falhas grotescas. Talvez esse sentimento de culpa da Scuderia tenha garantido a permanência do brasileiro, mandando o finlandês campeão embora para trazer Alonso. Mas tudo leva a crer que o bicampeão terá privilégios e que a vida de Massa não será fácil. Terá que provar mais uma vez que merece a confiança do time e para isso conta com a improvável dificuldade do espanhol em se adaptar. Tem chances de vitória e, quem sabe, de brigar pelo campeonato, mas essas chances são pequenas.

Barrichello continua um dos melhores pilotos do grid. É bom, apesar do que os humoristas de plantão costumam repetir. Mas estréia na Williams, equipe tradicional que costuma mostrar competência na criação de um carro, mas sem o apoio de um grande fabricante, terá o mesmo motor Cosworth das equipes estreantes, uma incognita. Pode ser um motor muito bom, mas também pode ser o maior fracasso, com falta de potência e quebras. As chances de vitória são remotas, se conseguir pontuar ou conquistar alguns lugares no podium já poderá ficar bem satisfeito.

Lucas Di Grassi não tem nada de bobo. Mostrou-se um dos melhores da GP2 e talvez tenha conquistado o melhor cockpit entre as equipes estreantes. A Virgin tem grana pra construir uma espaçonave, então é bem possível que consiga fazer um carro que termine uma corrida. Se pontuar durante a temporada, será naquelas corridas atípicas em que muito carro quebra ou bate, como Mônaco em dia de vendaval ou um grande crash na largada de Spa. Torço apenas para que conquiste bons resultados individuais e que mostre competência para conquistar vagas melhores no futuro.

Bruno Senna associou-se a Campos Meta acreditando que o peso do sobrenome levantasse patrocinadores para fazer a equipe andar, mas até agora o plano fracassou. Nenhuma grande empresa, brasileira ou espanhola, resolveu arriscar e é bem possível que não tenha carro para estrear. Caminha para mais uma decepção.
Não sei quem o orienta nas decisões sobre sua carreira, mas está claro que não tem feito as melhores escolhas. Ficou parado em 2009 depois de ter perdido todas as possibilidades de andar na F1 2009, claro que não por sua culpa, apenas não era o momento. Mas abriu mão de correr pela Mercedes na DTM, o que lhe tirou qualquer possibilidade de associar-se à equipe alemã na F1, seja no time oficial, seja nos que correm com seus motores.
Não quis retornar à GP2 e provavelmente precisará de muitos quilômetros de treino para se readaptar às reações de um Fórmula 1.
Se conseguir carro para largar, talvez não tenha equipamento para completar uma volta. E se conseguir passar disso, possivelmente não terá tempo para retomar a precisão da pilotagem. Passeará muito pela grama, com escapadas de pista inexplicáveis.
Nenhuma chance de sucesso imediato.

Assim, resta a pergunta, quem disputará a temporada 2010? A resposta todo mundo já imagina, Schumacher, Alonso, Hamilton, Massa e Vettel. O resto só terá uma participação.

F10




Mais uma vez a Ferrari lança um belíssimo carro. Mas depois da empolgação com o belo carro 2009 que teve um desempenho sofrível, agora prefiro manter a cautela.
O branco tomou conta dos aerofólios, destacando o novo patrocinador, mas criou um visual atraente, resgatando um pouco a combinação branco/vermelho dos clássicos anos 70.
Esconderam o que todos queriam ver, o novo difusor, deficiência que determinou a falta de sucesso anterior e que agora promete muito, afinal, talvez tenha sido o modelo com mais tempo de desenvolvimento nos últimos 10 anos.
Mas o difusor não era o único desafio, precisavam também diminuir o consumo do motor, exigência do novo regulamento sem reabastecimento, para conseguir um melhor desempenho com menor peso. Será que conseguiram?
A resposta mesmo só depois da primeira corrida, mas não vejo a hora dos testes começarem, quando todas equipes estiverem prontas, comparando os resultados.

Novo visual

Está complicado conseguir mudar o projeto visual do Blog, mas aos poucos chego lá. Peço desculpas pelos eventuais problemas na visualização, mas é porque gostaria de encontrar um formato que permitisse inserir imagens maiores sem comprometer a diagramação.
A solução foi incluir a seção "Foto do Dia" onde pretendo disponibilizar fotos tiradas no cotidiano, transformando esse blog também num fotoblog.
Como costumo dizer, muitas vezes o mais simples é mais bonito e mais sofisticado, não sou fã do rococó. Então essa atual versão foi a que mais me agradou. Se tiverem alguma sugestão, fiquem à vontade.

Enquete McLaren 2010

A Formula 1 2010 está noticia uma novidade a cada dia. Todo mundo esperava e a Mercedes GP confirmou as cores prata/preto na nova equipe de Schumacher. Todos que acompanham o mundo da velocidade passaram a se perguntar, como será as cores da McLaren em 2010?
Dê sua opinião na enquete ao lado.

Vanguarda TV em HD – São José e Taubaté

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Demorou, mas finalmente a Vanguarda TV divulgou o início das transmissões em HD para São José e Taubaté. Como esperado, oficialmente começam na Copa do Mundo, com testes a partir de maio.

Considerando que a previsão do governo é acabar com as transmissões analógicas em 2016, o início da TV digital no Vale do Paraíba é tardio, ainda mais que dificilmente os outros canais vão transmitir o sinal em HD tão cedo. Mas é um começo.

Os jogos de futebol ficarão bem mais interessantes, os noveleiros poderão conferir as rugas das atrizes, os seriados e filmes serão impressionantes e os grandes eventos esportivos, como a Formula 1, serão um espetáculo visual.

Não vejo a hora de começar.

Para conferir todas as explicações, incluindo datas e área de cobertura, siga o link:

http://www.vnews.com.br/hotsitetvdigital.php?id=531

Feliz 2010!

P1020458 Este ano promete! Carnaval, Copa do Mundo, Eleições… Quem sabe Vanguarda com sinal digital em São José dos Campos o que garantiria poder acompanhar a F1 em HDTV. Jogos aguardados como God of War III e Formula One.

Claro que também um ano de muito trabalho e ralação, mas nisso é melhor pensar quando acabar as férias.

O importante é fortalecer os laços de amizade, conhecer novas pessoas, viver a vida e ser feliz.

Comecei bem, com uma linda bacalhoada no forno, preparada por esse português que vos tecla. Juro que pensei em todos os amigos e em todas as pessoas que gosto.

Abração grandão a todos!!

Eau Rouge - Spa

shift Não é a toa que a pista preferida da maioria dos pilotos é a de Spa-Francorchamps, curvas alucinantes em alta velocidade. Para quem pode e não é piloto, há a possibilidade de fazer um curso de pilotagem no circuito, para mim, só se conseguir emplacar a sena do ano novo.

Para a minha realidade, consigo me contentar com os videogames, agora com Shift estou curtindo o antigo circuito, sem tantas áreas de escape e com a velha Bus Stop.

Mas a mais emocionante é a Eau Rouge, o desafio é mergulhar em alta velocidade, disputando lado a lado sem tirar o pé, ops, o dedo do botão do controle que faz acelerar.

Quem sabe um dia eu venha a conhecer essa curva de verdade, por enquanto, estou curtindo com Shift.

http://www.spa-francorchamps.be/en07/home/index.php

Marvel Ultimate Alliance 2 - Nosso presente

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Um dos meus presentes de Natal foi uma cópia de Marvel Ultimate Alliance 2 para o PS3, aliás, um presente que meu filho tratou logo de se apoderar, dizendo que era “nosso” game.

Não é um título que compraria para mim, mas certamente compraria para meu filho, já que o garoto é fã do universo Marvel. Tá bom, assumo minha culpa, afinal, acho que fui bem influente nisso, comprando revistas, levando-o ao cinema para curtir os heróis em ação e, claro, oferecendo vários games e bonecos, principalmente sobre Spiderman. Tá bom, também assumo que ofereci minha inestimável coleção de gibis para que ele também pudesse ver os traços do passado. Tá bom, assumo, sou fã do universo Marvel e quem me deu o presente me conhece desde criança, minha querida irmã.

A lembrança que trago no coração sobre o Natal é aquela tarde ensolarada, quando todos os adultos da casa dormem empanturrados com o almoço farto e as crianças vão para a rua desfilar seus brinquedos novos. Bicicletas reluzentes com rodinhas novas. O videogame diminuiu esse movimento infantil nas tardes de natal. Agora é comum ouvirmos crianças dusputando espaço com o Playstation na sala, a bicicleta perdeu o título de melhor presente. Sinal dos tempos.

Me livrei do celofane, abri a caixa, tirei o disco e coloquei direto no aparelho, uma atualização e a tela se abre com uma equipe de heróis correndo pelas ruas da Latvéria, Homem-Aranha, Wolverine, Homem de Ferro e Capitão América, uau, nada mal! Até quatro jogadores podem jogar ao mesmo tempo, num modo cooperativo. Perfeito para curtir com meu filho. As fases não oferecem grandes dificuldades, mas são interessantes, principalmente jogando em boa companhia como a minha, fica mais divertido poder assumir o papel do personagem preferido e poder ir para o pau, descarregando poderes especiais e com a novidade de poder combinar os poderes com os outros heróis, por exemplo, Wolverine pode refletir com suas garras de Adamantium os raios emitidos pelo Homem de Ferro e, assim, derrubar vários inimigos num único golpe. Bem legal! Depois, aos poucos, outros heróis vão aparecendo no menu de opções, até alguns conhecidos apenas pelos mais aficcionados, como Punho de Ferro.

O roteiro segue alguma série especial da Marvel, com certeza mais atual do que o tempo que lia gibis, mas tem algo a ver com uma guerra civil que dividiu os heróis. Um lado liderado pelo Homem de Ferro defende que todos os heróis devem ser registrados pelo governo , revelando suas identidades. Outro lado, liderado pelo Capitão América, não aceita essa imposição e se rebela. Claro que optei pelo lado rebelde.

Jogando no modo intermediário, as fases não são difíceis, mas não é um game para jogadores hardcore, mas um game para fãs e, visto assim, o melhor é relaxar e curtir as fases, descarregando todos os poderes possíveis a cada tela.

O resumo é que como todo bom game, Marvel Ultimate Alliance 2 é um acelerador de tempo. Com ele as horas passaram muito rápído e só não continuei porque outras coisas exigiam minha atenção. Mas ainda melhor foi poder curtir essas horas ao lado do meu filho, num momento inesquecível para os dois. Como ele disse, nosso presente de natal.