Rádio Velhão - Trem das Cores
Para comemorar, ao invés do raso "Parabéns", vou programar "Trem das Cores" como minha música do dia.
Ouçam também, de olhos fechados, colorindo o pensamento, permitindo-se a uns instantes de tranquilidade.
Tenham todos um belo dia.
Meus carros: O fusca azul pavão que nunca foi meu
Sou da época em que era comum os garotos trabalharem cedo, cresci sabendo que o trabalho é a parte mais importante da vida e, claro, a importância de poupar alguns trocados para não passar tantos apertos.
Assim, com uns quatorze anos já era um dos mensageiros do Banco de Crédito Nacional, o BCN, que desapareceu absorvido pelo gigante Bradesco. O salário era mínimo e a carga horária pesada, gastando a sola o dia inteiro pelas ruas da metrópole. Muitas vezes optava por esticar uma caminhada para embolsar o dinheiro da condução. Naquela época o trabalhador não tinha mordomia, o mínimo salário tinha que dar conta do transporte e da alimentação, o que sobrava mal dava para comprar uma calça jeans genérica e um par de tênis de tempos em tempos, roupa que era gasta para o próprio trabalho, assim, no início da minha adolescência, era um obediente escravo de banqueiro, pois os trocados que recebia mal eram suficientes para me manter com mínima dignidade no trabalho.
Mesmo assim, administrando a pobreza, conseguia guardar alguns trocados numa poupança, coisa pequena. Certo dia, enquanto espremia minhas espinhas de 17 anos, meu pai chegou com uma novidade, oferecia uma sociedade na compra de um carro. Achei estranho, mas ele continuou com a oferta, havia encontrado um fusca 1970, de uma viúva, abandonado a uns 5 anos no quintal, pois a dona não sabia dirigir e não queria se livrar do querido carro do falecido. O estado da lataria, largada a própria sorte sob sol e chuva por cinco anos, não era das melhores, mas era um carro que o defunto tinha desde 0km, sem nunca ter sido batido e com pouca quilometragem.
Com o saldo da minha poupança, 5 mil alguma coisa (não lembro mais a moeda da época), foi possível contentar a viúva e limpar o seu quintal. O carro seguiu direto para a oficina e depois de uma reforma na funilaria e uma bela revisão mecânica que consumiu outros 5 mil do meu pai, chegou em casa tinindo de novo, aquele azul pavão espelhado, as partes cromadas doendo os olhos, calotas, acessórios e equipamentos originais, enfim, um carrinho totalmente novo de novo.
Mas o problema é que ainda estava proibido para mim. Não tinha idade suficiente para me matricular numa auto-escola. No fundo sabia que a verdadeira idéia do meu pai era lucrar com o negócio, não pretendia ser tão generoso comigo, mas alimentava uma esperança.
Precisava mostrar que não abriria mão do Fusca tão fácil, por isso não desanimei, acordava cedo todos os sábados, com todos os utensílios necessários, dava a partida, engatava a primeira e ajeitava meu sonho no quintal, caprichava na limpeza, fantasiando em desfilar seu brilho pelas ruas.
Não comentei que na época tinha uma namorada que não agradava muito meu pai, então um dia recebi uma proposta de novela mexicana, caso desistisse do namoro, conseguia as chaves do carro.
Na época, nunca tinha sido apresentado a Maquiavel, estava ainda na fase romântica, um jovem tolo, por isso esbravejei, gritei que poderia me separar por outros motivos, mas meu coração não estava à venda. Hoje talvez optasse por aceitar a proposta, garantir meu nome no documento e depois continuar minha vida como bem entendesse, deixando o velho esperneando de raiva. Mas o fato é que preservei minha dignidade, sem acreditar que ele poderia levar a frente uma proposta tão baixa.
O carro continuou ocupando a garagem e os meus sonhos. No dia que completei 18 anos entrei na auto-escola. No dia que recebi minha carteira de motorista, fui para a aula noturna prometendo para os amigos que na noite seguinte voltaria dirigindo meu carro.
Era quase meia-noite quando desci do ônibus e corri para a casa, o dia tinha sido cansativo. Cheguei no portão e a garagem estava vazia.
Demorei muito para conseguir perdoar meu pai.
Velharias que valem a pena
Quem nunca passou por um bazar de caridade com curiosidade, procurando alguma coisa rara e interessante que atire a primeira pedra.
Nesse sábado participei de um bazar desses, levei umas peças de informática que estavam empatando o samba aqui em casa e dei uma olhada nas novidades, entre elas, encontrei um aparelho de som “tinindo” de conservado, na caixa original, com isopores, acessórios e até manual. Um GPX Sing Along.
O aparelho deve ter sido projetado para os fãs de karaokê, pois tem entrada para dois microfones e no controle das fitas há um recurso que suprime o canal de voz para que o cantor doméstico fique à vontade para berrar no microfone. A caixa é hilária, estampada com fotos de felizes pessoas liberando a garganta, embaladas em roupas dos anos 80.
O equipamento tem mesmo um formato estranho, mas o que me surpreendeu foi a qualidade do som, cristalino, com uma sintonização de AM/FM perfeita, bem raro de se achar nos dias de hoje, com o botão do dial rodando macio, sem chiados ao passar pelas estações.
O preço da raridade? R$30!!! Uma ninharia!! Arranjei um cantinho para ele no quarto, sob o olhar crítico da esposa, mas não tem problema, agora vou amanhecer todos os dias, ouvindo o Pulo do Gato, num sonzão, em grande estilo.
Sucesso! Dobrou o número de seguidores!
A audência de seguidores aumentou 100% no último final de semana, um aumento significativo que merece um post de agradecimento, afinal, para um blog que sofre poucas atualizações e que não tem um tema específico, onde me dou o direito de escrever o que bem me dá na telha, ter dois seguidores fiéis, sem contar os parentes e amigos que visitam eventualmente, é um baita reconhecimento.
Por vocês, fiéis seguidores, prometo me dedicar ainda mais, escrevendo cada vez mais bobagens.
Obrigado!!
HP Lover
Ok, pode parecer propaganda, mas não é. Como já mencionei por aqui, sou viciado em tecnologia a muito tempo, já teclei em um monte de equipamento diferente, muitos já viraram peça de museu, desde os da Prológica e o primeiro padrão IBM da Cobra.
Meu primeiro PC de verdade, comprado para usar em casa, foi um 286 conquistado através de um consórcio informal entre colegas de escritório, uma forma de forçar uma poupança e poder adquirir alguma coisa, já que a inflação da época impedia qualquer financiamento maior que 3 parcelas, claro que as mensalidades eram corrigidas pelo valor do dólar.
Como todo PC-Frank, montado com peças de “garantia soy jo”, esse computador me deu muita dor de cabeça. O único saldo positivo foi que aprendi a desvendar as entranhas da máquina, tentando resolver seus problemas.
Depois, quando o mercado de informática passou a se interessar pelo usuário doméstico, vislumbrando um enorme potencial a ser explorado, as empresas passaram a pensar num computador pessoal mais sociável que reunisse várias soluções, aproveitando a onda da novidade Windows 95. Resolvi arriscar mais uma vez minhas economias num novo equipamento, um Compaq Presario com o avançado chip Intel Pentium 75, com um gabinete muito parecido com o Macintosh da época, totalmente integrado, com monitor e CPU ocupando o mesmo gabinete. Esse computador era assombrosamente bem construído, nunca deu um único defeito de hardware e trabalhou por muitos anos, turbinado por umas upgrades de HD, memória e processador.
Virei fã da Compaq. Quando chegou a hora da troca, optei por outro Compaq, um Presario com processador AMD. Outro hardware que era um tanque de guerra indestrutível, rendeu mais uns 6 anos até que não foi mais possível atualizá-lo. Vendi, mas até hoje preservo suas excelentes caixas de som.
Não gostei quando a Compaq, melhor fabricante de PC’s do mundo, foi abocanhada pela HP, mas resolvi dar um certo crédito e confiei minhas economias num novo HP, uma máquina poderosa com o recém lançado chip Pentium Dual Core e o polêmico Windows Vista. Gostei, equipamento robusto, com uma construção eficiente, um teclado e mouse maravilhosos, seguindo o a tradição da Compaq. Já com quase quatro anos de uso, o único componente que apresentou defeito foi o único que acrescentei depois, uma placa de vídeo genérica com chip NVidia.
Agora resolvi acrescentar um novo equipamento para a minha coleção, um netbook que pudesse me manter mais tempo linkado durante o dia, com facilidade para acessar de qualquer lugar e que não fosse um grande peso para ser arrastado. Pesquisei várias marcas, poucas me agradaram. Sou exigente com teclado, uso todos os dedos e preciso ter um espaço confortável para abrigá-los nos lugares certos quando estou digitando. As marcas comuns nas gôndolas não me convenceram, achava tudo muito pequeno e estreito, desconfortável.
Um colega de trabalho chegou com a novidade, um HP Mini. Pedi para experimentar e pela primeira vez consegui digitar um texto num aparelho do gênero sem errar uma única tecla. Os botões são amplos, o toque macio e preciso. Não sosseguei até encontrar a mesma oferta. Então agora estou aqui, teclando deliciosamente no meu novo HP Mini. A configuração é típica de equipamento de fim de estoque, Windows XP com 1Gb de memória e HD de 160Gb, daí o ótimo preço. Mas para quem começou com um CP200 da Prológica e teve seu primeiro contato com equipamento IBM num XT da Cobra com 10Mb de HD, esse netbook é um sonho de ficção concretizado nas mãos.
Um HP. Tenho certeza que me acompanhará por muito tempo e registrará muitos pensamentos.
Bianco-Lorraine
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Não sei nada sobre esse carro, mas caminhando por uma rua da cidade topei com esse belo exemplar, com a identificação “Bianco-Lorraine” no parabrisa. Deve ser um carro desenvolvido na garagem, não sei se chegou a ser produzido em escala. Mas de qualquer forma, lindo.
Fim de semana agitado
Fim de semana com corrida de F1 me deixa particularmente animado, esse foi ótimo, afinal foi a primeira corrida da temporada, seguida de uma estranha etapa de Fórmula Indy no asfalto ridículo de São Paulo, com direito a pulos gigantescos dos carros, poças d’água e todos os perigos que os motoristas que pagam seus impostos sofrem diariamente nas ruas da cidade. Para finalizar, um clássico de tirar o fôlego, Santos e Palmeiras.
A F1 trouxe um monte de novidades, mas o resultado acabou seguindo a lógica, as grandes equipes conseguiram os melhores resultados. Gostei do fim do reabastecimento, deu uma boa sacudida, todo mundo já estava pra lá de saturado de ver as estratégias consagradas da época em que se podia ganhar uma corrida nos boxes. Agora é só pneu, uma parada rápida que não permite grandes alterações no resultado final. Os estreantes Bruno Senna e Di Grassi cumpriram seu papel, fizeram o que podiam com o que tinham nas mãos. Barrichello realizou seu sonho de pilotar uma Williams e recebeu uma boa dose de realidade, terá que trabalhar muito para conseguir levar esse carro para a frente. Massa colocou uma pá de cal sobre qualquer desconfiança que ainda poderiam ter sobre sua performance pós-acidente, andou forte o tempo inteiro e como é um piloto de uma equipe, respeitou seu companheiro na largada, evitando uma escorregada que pudesse mandar o espanhol para o meio do deserto. Com o segundo lugar, premiou a equipe de Maranello com uma dobradinha na estréia da temporada e conteve-se para não gerar uma crise, merece palmas. Na próxima a sorte deve virar e Alonso pode não ter tantos motivos para comemorar.
A Indy em Sampa foi um show de horrores. Parecia um espetáculo de circo pobre, com lona rasgada. Os artistas procuram manter a dignidade e o brilho de sua performance, tentando disfarçar para o público a condição miserável do seu picadeiro. O dinheiro público gasto para montar o grande palanque dessa corrida não conseguiu encobrir a vergonha do total abandono das ruas da cidade, com o asfalto podre, os carros pulavam o tempo inteiro e quando veio a chuva, as poças destacaram todos os defeitos da pista. Lembrando que para o paulistano comum, que paga seus impostos, aquela pista estava um tapete.
Tirando o lado político do evento, foi bom ver uma corrida desse porte na cidade, um belo show.
Mas espetáculo quem deu foi o Palmeiras. Quando o time levou os dois gols dos meninos da Vila, torci para que os jogadores não desanimassem e que o jogo não virasse um massacre com uma goleada humilhante para o time alviverde. Os garotos do Santos vinham de uma vitória de 10 a 0, mesmo que sobre um time insignificante, um resultado desses mexe com a cabeça dos jogadores que aceitam com facilidade o salto alto.
Com raça e superando suas limitações, os jogadores do Palmeiras mostraram que merecem respeito e impuseram aos moleques santistas uma lição que devem carregar para o resto de suas vidas. Vão pensar melhor antes de desrespeitarem grandes adversários. Uma virada histórica de 4 a 3, para calar a boca da crítica e para lavar a alma do torcedor.
Agora já é segunda-feira, mais uma semana de trabalho intenso. Mas a semana fica leve depois de um domingo desses.
Domingão numa esquina da cidade
Para mostrar um teste com a Kodak Zx1, gadget que comentei aqui a alguns dias, resolvi filmar uns instantes de uma esquina aqui da cidade. É só um teste, mas dá para ver bem a qualidade da filmagem em 720p e também é preciso lembrar que a edição foi feita com o programa que acompanha o equipamento, de um jeito bem fácil, incluindo o upload para o YouTube.
Meus Carros – Fusca da Telesp – 1977
Como todo novo motorista que a mais de vinte anos começava suas aventuras sobre as quatro rodas, aprendi a dirigir um Fusca. Não era um Fusca qualquer, mas um que meu pai havia comprado num leilão da Telesp para o uso da família. Lamento muito não ter uma foto que registre o carro como ele chegou, todo laranja com os emblemas e inscrições borrados por pinceladas de uma tinta azul, então fica essa, encontrada numa busca do Google, perfeita para lembrar aos que não conheceram ou não se lembram, como era o carrinho da companhia telefônica de SP.
Carro de leilão é uma caixinha surpresa, o lote é adquirido sem testes, totalmente no escuro. Chegou no guincho e por sorte deu a partida no motor movido a álcool depois que recebeu uma bateria nova. Esse motor era da fase experimental do Pró-Álcool, antes de ser uma opção para os carros produzidos em grande escala, equipou os veículos do Estado, como as viaturas policiais, ambulâncias e carros de serviço, como o da estatal Telesp.
Não demorou a ficar bege, ninguém em casa ficava confortável a pagar o mico de andar com o carro daquela cor. No começo a intenção foi vendê-lo, lucrando alguns trocados, mas o carrinho estava incrivelmente bem conservado, com uma suspensão suave e silenciosa, sem nunca ter levado uma batida, andava suave pelas ruas e era econômico, então passou a fazer parte da família por muitos anos e como meu pai sempre mexeu com construção, carregou de tudo: escadas, portas, madeiras, sacos de cimento, portões, latas de areia, enfim, tudo que pudesse ser encaixado no seu bagageiro de teto. Foram anos de trabalho pesado que acabaram com sua carroceria, com ferrugem e amassados, sem muita esperança de recuperação. Um dia foi encontrada uma carroceira completa num desmanche, inteira e do mesmo tom bege, feito o negócio, bastou fazer a troca e o Fusca ficou como novo de novo.
Não foi meu, sempre foi o Fusca do meu pai, mas foi o que aguentou minhas primeiras barbeiragens, incluindo aqueles solavancos de quem tira o pé muito rápido da embreagem e aquelas raspadas no portão.
A primeira experiência de dirigir foi com ele e, claro, inesquecível. Naquele ano eu completaria 18 e insistia muito para que meu pai me ensinasse a dirigir antes de entrar na auto-escola, pois como era comum naqueles dias, a maioria dos garotos já chegava na auto-escola com experiência no volante. Tinha pressa e pouca grana, por isso não suportaria o sacrifício de fazer muitas horas de aula.
Um garoto de 18 anos que nunca sentou num banco de motorista a não ser por brincadeira já sabe a teoria da arte de dirigir a muito tempo, não consegue pensar em outra coisa. Eu, pelo menos, era assim. Observava cada movimento dos pés, cada mudança de marchas, cada virada de volante. Quando andava de ônibus, procurava ficar ao lado do motorista, observando todo o seu trabalho, a arte de cada curva. Garanto que se me dessem a oportunidade, seria capaz de dirigir um ônibus lotado sem muita dificuldade. Foi assim com meu pai. De tanto encher sua paciência, num domingo à tarde, enquanto voltávamos para casa, ele se aborreceu e encostou o carro, trocou de lugar comigo e desafiou: – Vamos ver o que você sabe fazer, não quer ser motorista? Mal pude acreditar e claro que não fiz muito feio para uma primeira experiência. Toquei o carro sem errar uma única marcha e cheguei tranquilamente até em casa, sob o olhar atento e atônito do Velho. Me confundi um pouco quando precisei sair de uma avenida e entrar numa travessa, meio perdido sobre a melhor posição para driblar o trânsito no cruzamento e fazer a conversão, um taxista xingou, dane-se, no final foi uma nota 9, com louvor.
Depois de conseguir minha habilitação, um problema que vou relatar num próximo tópico, me impediu de conquistar logo meu primeiro carro, por isso continuei por pelo menos um ano dividindo esse Fusca com meu pai, que dirigia o carro durante a semana e me cedia o carrinho para os passeios das tardes de domingo. Foi uma bela experiência, aprendi muito com ele, um dos Fusquinhas mais gostosos que dirigi.
Tenho saudades e torço para que ainda continue vivo, rodando por aí.
Casinha Pequenina
Casinha Pequenina
Upload feito originalmente por Velhão
Casinha de Bonecas da EMEI Jane Palumbo - SJC - SP
Foto tirada com a Kodak Zx1, recomendada no post abaixo. O gadget, apesar de ser essencialmente uma filmadora, não desaponta quando usado como uma câmera simples.
Gadget maneiro – Kodak Zx1
Qualquer um tem um bom celular com câmera, capaz de filmar e fotografar com um desempenho básico, além das outras quase infinitas funções que esses aparelhos costumam reunir.
Apesar de ser viciado em tecnologia e adorar tudo que é novidade, nunca fui um alucinado por celulares, sempre me contentei com meu bom e velho Motorola V3, sem entrada para memória, com algumas firulas como câmera VGA, mas usado basicamente para sua função mais primitiva, telefonar.
Para mim, fotografar só mesmo com uma câmera razoável, aliás, para isso sou um pouco chato, acostumado com minhas câmeras, não gosto nem de fotografar com digitais comuns que parecem demorar um século entre o aperto do botão e o registro da imagem. Sou das antigas, cresci acionando a bobina do filme e apertando o botão depois de encontrar a velocidade e abertura ideal com o auxílio do fotômetro, depois de achar o melhor foco.
Mas confesso que é muito complicado carregar minha D80 a tiracolo para todo o lugar. Além do peso e do volume, incluindo flash, lente e outras traquitanas, é sempre arriscado exibir todo esse equipamento em qualquer lugar.
Então optei por uma Panasonic FZ-18, uma câmera digital mais simples, mas que tem uma ótima lente Leica equivalente a 28~504mm, um belo zoom, mas que tem uns “defeitos” comuns à maioria das digitais portáteis, um pequeno atraso no obturador, um sensor que gera ruído em ISOs altos dificultando fotografias em ambientes escuros e a falta de uma sapata para flash externo. Com luz natural do dia, consigo imagens fantásticas, em ambientes fechados tenho que me contentar com a falta de recursos. Mas é mais fácil de carregar, apesar de ter um volume grande, comparado com as portáteis comuns.
Mas ultimamente começou a me dar uma vontade danada de filmar cenas cotidianas, registrar momentos em que a fotografia fica limitada, como uma gracinha do meu filho, um movimento, uma voz. É possível fazer isso como a FZ-18, apesar de não filmar em HD, mas acho complicado recorrer a ela a qualquer instante, inesperado, como uma careta com vontade de encontrar um banheiro, cenas inusitadas que não podem esperar.
Queria um equipamento mais leve, que coubesse no meu bolso e pudesse me acompanhar a todo instante, sem muito volume e que ao mesmo tempo oferecesse uma boa qualidade de imagem e resistência a choques e a respingos, ou seja, uma filmadora portátil, sem frescuras.
Encontrei a Kodak ZX1 (ou ela me encontrou?). Uma câmera incrivelmente simples, fácil de carregar, ultra resistente e com uma qualidade de imagens excelente, filmando em HD com 720p a 60fps. Não é o modelo mais atual da Kodak, mas é o único disponível nesse momento no Brasil, pelo menos até chegar os novos modelos com full HD e à prova d’água prometidos para abril desse ano, provavelmente custando inicialmente o triplo do que os gringos pagam nos EUA. Numa promoção de desova para abrir espaço para o novo modelo, a ZX1 estava sendo vendida no Submarino.com a 300 paus, quase os mesmos 150 dólares de quando era oferecida nos EUA em 2008/2009. Como prefiro comprar com NF e garantia, achei uma ótima oferta.
Os defeitos são os mesmos de qualquer câmera portátil, com pouca iluminação gera ruído e queda de frames, mas com luz natural, as imagens são excelentes, muito superior a qualquer celular e câmera digital. Até dá para fotografar com resolução de 3 megapixel, mas o foco fixo não dá muito espaço para a criatividade. Melhor julgá-la como filmadora, onde realmente cumpre o que promete. Talvez seu maior problema seja a falta de um estabilizador de imagens, qualquer tremidinha na mão fica registrada. Mas em compensação tem a enorme vantagem de não chamar a atenção, permite capturar qualquer cena de forma natural, sem denunciar. Todo mundo pode ser pego enfiando o dedo no nariz, distraidamente, enquanto espera o próximo ônibus e depois virar hit no YouTube, já que o software que acompanha o equipamento permite a edição de maneira muito simplificada e a fácil disponibilização no site de vídeos.
A ZX1 tem me acompanhado nos últimos dias e tem agradado bastante. A foto abaixo do meu Homer foi tirada com ela, com uma luz fluorescente bem fraca, bastou apontar e clicar, sem nenhum outro ajuste. O ruído fica evidente, mas a praticidade compensa. Se quiser ver vídeos demonstrativos, procure no YouTube, digite ZX1 no espaço de busca, assista em 720p e se surpreenda.
Homer
Meus Carros – O do meu pai
O carro do meu pai. A minha primeira experiência com ronco de motor e cheiro de gasolina queimada. Inesquecível, cheio de histórias.
Um Dodge Kingsway 1951 Station Wagon, que a gente chamava de “Perua Dodge”. Um carrão americano, enorme e cheio de estilo e de vontades. Acompanhou tanto tempo a nossa família que deixou de ser simplesmente um carro, foi um dos nossos, sofreu e compartilhou alegrias. Gosto de pensar assim, carros não são máquinas frias, tem sentimentos, dias bons e ruins, alguns são sempre simpáticos, outros são mal humorados. Gosto de carros sorridentes, como aquele belo sorriso gringo que a nossa Perua Dodge estampava.
A nossa era temperamental. Às vezes se negava a chegar ao destino, hoje penso que sua personalidade era tão forte que era a única a ter coragem de discordar do meu pai, mudando o que ele planejava. Talvez preferisse parar no meio do caminho e nos proporcionar um piquenic num posto de gasolina de beira de estrada, ou simplesmente ficava cansada e preferia voltar para casa debruçada sobre um guincho, nos deixando ainda mais animados, apesar do mau humor do meu pai.
Uma viagem de carro naquela época, mesmo que curta, era certeza de aventura. Sabíamos a hora que saíamos de casa, mas nunca podíamos prever quando e nem menos se chegaríamos. Quando minha mãe anunciava que iríamos passear no fim de semana, ficava todo empolgado. Pouco me importava o destino, não me interessava se iríamos para a casa de um tio próximo ou se cruzaríamos o estado, o que me importava era o tempo que ficaria no carro, admirando as ruas pela janela apressada, apontando para cada carro que via na rua, gritando para mostrar para todos que sabia qual era a marca e o modelo. Na véspera, minha mãe preparava coxinhas, pastéis, pães e um monte de outras delícias, para nos abastecer durante o caminho, pois contava com a possibilidade de ficarmos parados, por um tempo que só a perua sabia.
O carro era enorme, abrigava a todos com um certo conforto e, apertando um pouquinho, dava pra encaixar primos e tios. Num domingo saímos bem cedo para um passeio típico de uma família católica, juntos com primos e tios, seguimos rumo à cidade de Aparecida. Não sei até que ponto chegamos, mas conheci cada posto de gasolina da Dutra. Muitos anos mais tarde, quando meu pai comprou um Fiat 147 novinho, levou meus tios para o passeio, pagando essa dívida, mas claro que todos nós, incluindo os primos, ficamos em casa.
Mas a história mais curiosa que passei nessa Perua Dodge se deu quando minha irmã nasceu, no começo de 1973. Sozinho com os 3 filhos e querendo visitá-la na maternidade, meu pai ordenou que nos arrumássemos para sair. Sem minha mãe por perto, vesti uma roupa qualquer e me enfiei no carro. Um dia de verão escaldante, o banco de corvin colava na pele. Seguimos, saindo da periferia da zona norte em direção ao centro de São Paulo. Tudo ia bem até que no meio de um trânsito caótico, que já existia na época, justamente no ponto mais baixo do “Buraco do Adhemar”, no Anhangabaú, entre DKWs, Fuscas, Kombis e Corcéis, a Perua resolveu engasgar e morrer. Nada a tirava do lugar, era enorme e pesada, impossível empurrá-la para frente ou para trás. Um guarda de trânsito, irritadíssimo com o transtorno que estávamos causando, ordenou a um motorista de Kombi, aquela corujinha, que encostasse na traseira do nosso carro e nos empurrasse para fora. Até hoje lembro da cara irritada do sujeito, praticamente colado ao nosso vidro de trás, gritando muitos palavrões, ensopado de suor. Nos tirou para fora e nos deixou no meio de um entroncamento enorme, acho que naquela convergência entre a 23 de Maio e a 9 de Julho. Não havia semáforo, um guarda ficava numa torre amarela, no meio do cruzamento, apitando e apontando freneticamente os braços, tentando reger o caos.
Com uma estranha calma, meu pai virou para trás e perguntou se queríamos sorvete, assim, no meio de carros raspando e buzinas disparando. Pulamos de alegria, cada um escolheu um sabor. Então ele pediu para que ficássemos quietos dentro do carro e saiu. Voltou um tempo depois com as mãos cheias de picolés. Deu um para cada um, abriu o capô e enquanto chupava o seu picolé, segurou o outro sobre a bomba de gasolina do carro. Nos lambuzamos e em pouco tempo ele fecha o capô, entra no carro, dá a partida e sai tranquilamente, como se nada tivesse acontecido. Curioso para saber o que tinha feito com aquele sorvete que estava sobrando, ele me responde que estava muito calor e que a Perua chupou todo o picolé, deixando só o palito. Simples assim. Só entendi muito tempo depois.
Outros tantos momentos como esse aconteceram, a maioria virou apenas flashes de memória. Um desses flashes traz a imagem nítida da minha mãe rezando o terço na descida da serra para Santos, preocupada com uma tal de Curva da Onça.
Um certo dia meu pai resolveu vender a Perua, cansado das reclamações da minha mãe que, por sua vez, estava cansada de empurrar aquele monstro sobre rodas. Um senhor passou pela rua, viu a placa, parou, trocou algumas palavras e fechou o negócio. Chorei, enquanto minha mãe comemorava. No dia seguinte, arrependido, meu pai procurou o sujeito e tentou desfazer o acordo, chegou a oferecer mais do que havia recebido, mas o comprador estava feliz e não aceitou. Nunca mais soube dela.
Outro dia encontrei essa foto na internet, uma Dodge idêntica, com a mesma cor e o mesmo jeito. Gosto de pensar que a mesma.
Meus Carros – O primeiro
Amo carros. Um amor intenso, uma atração que faz parte do meu DNA. A minha lembrança mais remota da infância é sentado num chão cercado de carrinhos de plástico barato, um tipo de brinquedo que não existe mais, réplicas feitas de um plástico mole, moldadas numa forma única, destacando-se apenas as rodas, presas por eixos de metal. Rodas que se soltavam com facilidade, um perigo para as crianças, muitos acidentes devem ter acontecido com garotos entupindo as gargantas com elas ou se espetando com os eixos. Nada grave comigo, só uns arranhões que deixaram algumas marcas. Toda vez que minha mãe se despedia, indo para as compras na feira, pedia um novo carrinho, às vezes ganhava, muitas não. Minha maior diversão era recortar as portas e os capôs, imaginando que dentro deles encontraria os bancos, o volante, o painel e, quem sabe, uns bonequinhos. Claro que era uma fantasia boba, mas insistia na possibilidade, tanto que levava uns tapões na bunda, com minha mãe irritada por ter destruído outro fusca.
Nos anos 70, automóvel novo só era possível para quem tinha muito dinheiro. As famílias de classe média baixa ficavam felizes quando possuíam um carro velho. A esperança era encontrar a sorte nos carnês do Baú da Felicidade. Havia na minha casa uma gaveta com muitos carnês pagos, com o sorriso do apresentador. Lembro da minha empolgação quando, num passeio de domingo, cruzamos com uma carreata de fuscas novos, enfeitados com balões, guiados por felizes sorteados no Programa Silvio Santos, saindo da Vimave.
Carro era o sonho coletivo, turbinado pelos programas dominicais, as músicas da Jovem Guarda e pelas vitórias de Emerson Fittipaldi.
Um certo dia, saí com minha mãe para uma longa caminhada, até uma enorme loja de tecidos no Jaçanã, onde ela compraria um lote de panos para confeccionar as roupas da família. Usar “roupa pronta” era um luxo distante para nós. Na volta, passamos na casa “da comadre”, madrinha da minha irmã. Quando entrei no quintal, topei com a coisa mais maravilhosa que poderia existir, um Jipinho de pedal, feito de lata, lindo, pintado num verde oliva do exército, com rodinhas brancas e calotinhas vermelhas. Fiquei encantado. O filho da madrinha era bonzinho e cedeu alguns instantes de felicidade, deixando-me sentar naquele sonho sobre rodas.
Chorei muito no momento da despedida. Depois, quando cheguei em casa, tive febre, daquelas que deixam a mãe preocupada, pois não abaixava mesmo depois da medicação. Uns dois dias se passaram e minha mãe já tinha me levado para umas duas benzedeiras, sem resultado. Já planejava o último recurso, me carregar na madrugada seguinte para um atendimento no “ienepê esse”.
Porém meu pai não demorou a descobrir o remédio, naquela noite chegou com um Jipinho novo nas costas, idêntico ao que tinha me encantado. Essa cena de felicidade extrema está gravada para sempre e adoro relembrá-la.
Esse Jipinho se tornou o meu maior companheiro, não me contentava só com o quintal, saía pelas calçadas, circulando pelo quarteirão, todos os dias, sob sol intenso, sem nunca cansar. Adorava manobrá-lo para frente e para trás, com balizas perfeitas encaixando entre caixas de garrafas vazias. Outras crianças da rua também curtiram meu carro, revezando nas ladeiras, muitas vezes freando só na beira das guias.
A despedida não poderia ser mais triste, saiu da minha vida amontoado numa carroça, totalmente enferrujado, amassado e sem rodas. Pequeno para as minhas pernas compridas, mas com a sua missão cumprida.
Carros que gostaria de ter…
Lada Niva, quando foi lançado no Brasil, tive o privilégio de sentar num zerinho que estava exposto numa loja da Praça da República em São Paulo.
Por pouco não comprei, fiz as contas e naquela época de inflação alta preferi não arriscar uma prestação que poderia me levar à falência. O sonho foi adiado e nunca mais realizado, outras prioridades foram aparecendo.
Quando vejo um Niva cruzando meu caminho, relembro aquele primeiro contato, com o carrinho cheirando a novo. Quem sabe um dia… Em 2008 disseram que voltariam a importá-lo e venderiam por 30 mil, cheguei a me empolgar, fazendo as contas para encomendar o meu em longas prestações, mas pelo jeito o negócio furou.
A esperança não acabou, a AutoVaz fabrica até hoje o carrinho, do mesmo jeito, quem sabe um dia voltam a importá-lo, ou encontre um antigo, totalmente original, com um preço bom.
O retorno da dupla
Pena Branca & Xavantinho formaram uma das melhores duplas de música caipira de todos os tempos. Talvez empatados apenas com Tonico & Tinoco. Música raiz, de qualidade, longe do apelo pop das duplas atuais, mas com uma sensibilidade sonora maravilhosa. Impossível não se emocionar ouvindo suas gravações.
Xavantinho foi mais cedo, Pena Branca agora. Ambos numa despedida precoce, mas aonde quer que estejam, devem estar felizes, finalmente juntos.
O cd “Renato Teixeira & Pena Branca e Xavantinho – Ao vivo em Tatuí” não sai do meu MP3, hoje ouvi como faço quase todos os dias, mas com uma dor de saudade.
“Meus queridos amigos, aceitem de coração aquele abraço apertado, boa noite do Pena Branca. Boa noite gente!”
iPad, que cazzo é isso?
“Há espaço para uma categoria entre os smartphone e o notebook. E precisávamos criar algo melhor do que um netbook”, com essa frase, Steve Jobs apresentou o iPad, uma espécie de prancheta eletrônica com o formato idêntico ao iPhone, provavelmente com as mesmas funções, mas num tamanho bem maior.
A tela colorida e de alta definição impressiona, deve ser realmente mágico ter numa única tela seus vídeos, livros, fotos, músicas, jogos, internet e o que mais a imaginação puder alcançar, tudo na ponta dos dedos, sem fios e outros penduricalhos, como teclado e mouse.
Mas, por mais entusiasmado que sou com equipamentos eletrônicos, chego a ser compulsivo por tecnologia, não consigo enxergar uma utilidade importante para que eu adote imediatamente essa novidade. Claro que muitos podem me acusar, afinal, já passei dos quarenta e quando nasci o aparelho doméstico mais sofisticado era uma TV preto e branco à válvula. De lá pra cá, não dá pra descrever o tamanho da evolução, o que era absurdamente dispensável virou equipamento de primeira necessidade. Talvez queime minha língua e em pouco tempo não consiga respirar se não tiver um iPad, mas agora me julgo completamente lúcido a ponto de afirmar que esse iPad é a coisa mais inútil que já vi nas mãos do ídolo dos nerds, Steve Jobs.
Explico. Em casa e no trabalho tenho à disposição um computador razoável com boa conexão de internet, com eles satisfaço minhas necessidades de trabalho e lazer tecnológico.
Se quero jogar, tenho à disposição minha coleção de videogames, ainda em uso, primeiro Xbox, Dreamcast, PS2, GameCube, Wii, PS3, sem contar os portáteis GameBoy e PSP, esse último até me permite acessar a internet Wi-Fi e jogar online.
Para fotografar não dispenso a companhia da minha FZ-18, com um zoom respeitável de 18X com a qualidade da lente Leica. Mas poderia muito bem me virar com a câmera do meu bom e velho V3.
Todas as minhas músicas cabem no meu Walkman da Sony, melhor e mais barato que um iPod que tem uma excelente qualidade de som e uma tela respeitável para ver meus vídeos em MP4. Um luxo, poderia ficar satisfeito com um MP3 genérico de camelô.
Não tenho cacife para ter um iPhone, nem menos um iPod Touch. Nunca me interessei em ter um Notebook, gosto de teclado espaçoso e mouse, com boa tela e som, odeio ser obrigado a desligar por falta de bateria, acabaria ligando na tomada e usando como um Desktop comum.
Concordo que para carregar os meus brinquedos preciso de um cinto de utilidades do Batman, com muito espaço também para os diferentes cabos, mas não carrego todos de uma vez, geralmente levo cada um para uma ocasião diferente, devidamente acomodados nos bolsos ou numa mochila. Esse iPad reúne todas as funções, mas também está longe de ser portátil. Nessa apresentação gostaria de ver o Mr. Jobs tentando enfiar esse gigante no bolsinho da calça, como costumou fazer nas apresentações do iPod.
Tento imaginar algumas situações do meu cotidiano onde poderia usar um iPad:
- Sentando num banco de uma praça e sacando o aparelho para ler um livro. Será que a luz tropical me permitiria enxergar alguma coisa? Duvido. E quando me distraísse? Sobreviveria a um trombadinha que veria no aparelho uma oportunidade de dinheiro fácil? Livro ninguém rouba. O risco máximo é emprestar e nunca mais ver de volta. Sem violência.
- Numa reunião de trabalho, com todos fazendo anotações como seres humanos normais, em agendas, papéis soltos ou até netbooks, saco esse iPad não sei de onde e começo arrastar o dedo por sua tela? Sou tímido demais pra isso e também jamais ousaria chamar mais atenção que a reunião.
- No transporte público, quando finalmente consigo algum assento, revelo meu iPad para a lotação cansada e com um fone de ouvido bluetooth passo a assistir meus seriados favoritos? Duvido que consiga alcançar a porta de saída inteiro.
- Talvez seja útil para o trânsito de São Paulo, no meio do engarrafamento encaixo o iPad entre a barriga e o volante e acesso meus emails, atualizo meu blog e twitto. Se estiver sozinho na parada, consigo fazer isso algumas vezes, mas se meu vizinho de congestionamento gostar da idéia e também sacar o seu e com o tempo o negócio se multiplicar, não demorará para virar uma infração de trânsito super-hiper-grave (super hiper grave?, superhipergrave?), tornando-me alvo preferido de marronzinhos.
Então, talvez, o único lugar que acabe sendo sossegado usar essa novidade seja quando estiver em casa, roubando-me o tempo que deveria brincar com meu filho e conversar com minha esposa.
Assim, não vejo outro destino para essa tranqueira tão festejada que não seja a lata de lixo. Mais um aparelho inútil que exerce com maestria a função de poluir o planeta e arrancar a grana dos nerds.
McLaren - Mesmas cores, nova bigorna
E os brasileiros na F1?
Dizer que quatro brasileiros estão na disputa é uma bobagem, honesto é afirmar que quatro estão participando, talvez com algumas chances de vitória e, quem sabe, um realmente tenha chance de disputa. Mas com esse tipo de publicidade, a Globo só consegue gerar ainda mais frustração, pois cria uma expectativa mentirosa que acaba por manchar o nome e a reputação dos pilotos.
Massa é da Ferrari, tem um ótimo relacionamento com a equipe que reconhece publicamente ter tirado suas chances do campeonato 2008, com falhas grotescas. Talvez esse sentimento de culpa da Scuderia tenha garantido a permanência do brasileiro, mandando o finlandês campeão embora para trazer Alonso. Mas tudo leva a crer que o bicampeão terá privilégios e que a vida de Massa não será fácil. Terá que provar mais uma vez que merece a confiança do time e para isso conta com a improvável dificuldade do espanhol em se adaptar. Tem chances de vitória e, quem sabe, de brigar pelo campeonato, mas essas chances são pequenas.
Barrichello continua um dos melhores pilotos do grid. É bom, apesar do que os humoristas de plantão costumam repetir. Mas estréia na Williams, equipe tradicional que costuma mostrar competência na criação de um carro, mas sem o apoio de um grande fabricante, terá o mesmo motor Cosworth das equipes estreantes, uma incognita. Pode ser um motor muito bom, mas também pode ser o maior fracasso, com falta de potência e quebras. As chances de vitória são remotas, se conseguir pontuar ou conquistar alguns lugares no podium já poderá ficar bem satisfeito.
Lucas Di Grassi não tem nada de bobo. Mostrou-se um dos melhores da GP2 e talvez tenha conquistado o melhor cockpit entre as equipes estreantes. A Virgin tem grana pra construir uma espaçonave, então é bem possível que consiga fazer um carro que termine uma corrida. Se pontuar durante a temporada, será naquelas corridas atípicas em que muito carro quebra ou bate, como Mônaco em dia de vendaval ou um grande crash na largada de Spa. Torço apenas para que conquiste bons resultados individuais e que mostre competência para conquistar vagas melhores no futuro.
Bruno Senna associou-se a Campos Meta acreditando que o peso do sobrenome levantasse patrocinadores para fazer a equipe andar, mas até agora o plano fracassou. Nenhuma grande empresa, brasileira ou espanhola, resolveu arriscar e é bem possível que não tenha carro para estrear. Caminha para mais uma decepção.
Não sei quem o orienta nas decisões sobre sua carreira, mas está claro que não tem feito as melhores escolhas. Ficou parado em 2009 depois de ter perdido todas as possibilidades de andar na F1 2009, claro que não por sua culpa, apenas não era o momento. Mas abriu mão de correr pela Mercedes na DTM, o que lhe tirou qualquer possibilidade de associar-se à equipe alemã na F1, seja no time oficial, seja nos que correm com seus motores.
Não quis retornar à GP2 e provavelmente precisará de muitos quilômetros de treino para se readaptar às reações de um Fórmula 1.
Se conseguir carro para largar, talvez não tenha equipamento para completar uma volta. E se conseguir passar disso, possivelmente não terá tempo para retomar a precisão da pilotagem. Passeará muito pela grama, com escapadas de pista inexplicáveis.
Nenhuma chance de sucesso imediato.
Assim, resta a pergunta, quem disputará a temporada 2010? A resposta todo mundo já imagina, Schumacher, Alonso, Hamilton, Massa e Vettel. O resto só terá uma participação.

