Sei que ao se deparar com esse título vocês já devem ter imaginado que o tema é política.
Lamento informar, mas estou pouco criativo para títulos. O assunto é um tucano. Mesmo! Aquela ave de corpo preto, pequenos olhos emoldurados numa plumagem branca e um enorme bico colorido.
Já passei dos 40 anos, a maior parte deles vividos no ambiente urbano. Um paulistano daqueles que não deixam o sotaque característico e que não consegue parar de engolir os "s", por maior que seja o esforço para não esquecê-los.
Então, nunca fui de observar passarinhos, para mim todos são absolutamente iguais, quer dizer, nem tanto, diferenciam-se entre os maiores que são pombos e os menores que são pardais. Claro que não sou insensível, gosto de ouvi-los cantar. Outro dia entrei na biblioteca e adorei ser recebido com um lindo canto reproduzido nas caixas de som.
Atualmente moro na capital do Vale do Paraíba. Quando me mudei, adorei ver as noites estreladas, mas elas duraram pouco, logo sumiram na poluição de uma cidade que teima em crescer, com espigões esticando-se todos os dias, apagando o horizonte.
Hoje, caminhando pelas ruas da UNIVAP me espanto ao ver surgir um enorme tucano do meio das árvores e alçar um voo solitário com suas enormes asas. Reconheci-o pelo bico, não é difícil, exatamente igual às ilustrações do partido. Não contive a surpresa e bobamente gritei para ninguém: - Olha! Um tucano!!
Além do próprio bicho que não deu bola ao ouvir seu nome pronunciado, ninguém mais ouviu e por isso preciso deixar esse momento registrado por aqui.
Uma visão rara para um bicho do trânsito.
Um tucano!!
Melona - direto da Coreia do Sul
Resolvi me dar um sorvete diferente, Melona. Já vi no WalMart, mas nos comércios locais só quando o dono do estabelecimento é da comunidade japonesa, o que me leva a imaginar que ainda não é tão fácil de ser encontrado.
Peguei o tradicional, sabor melão. Muito bom, macio e saboroso. O preço não é tão convidativo, R$3,50, mas também não é proibitivo a ponto de não merecer a experiência.
Depois da primeira dentada me dou conta: "Cacete, e se esse negócio foi feito com águas radioativas do Japão?", concordo que tem um pouco de neurose nisso, mas corro os olhos pela embalagem e vejo a inscrição "feito na Coreia do Sul". Não sei até que ponto essa inscrição é uma garantia de qualidade sanitária, mas resolvi deixar as neuroses de lado e me deliciar.
Se virem geladeiras de Melona por aí, experimentem, muito bom.
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Stop Motion com GoPro
A GoPro produz excelentes vídeos. Mas a característica que mais curto é a possibilidade de fazer fotos automaticamente a cada 2 segundos.
Pedalei e resolvi fotografar todo o caminho, gerando mais 600 imagens distintas, vistas isoladamente com uma beleza própria, mas que podem também ser vistas em sequência, criando um efeito de “stop motion” muito bacana.
Fotobike - Duas paixões juntas
A velocidade da bicicleta é perfeita, com ela consigo ver a cidade, sentir o sol queimando e o vento no rosto, uma brincadeira de criança que faço questão de não esquecer.
Fotografia é outra paixão. Dizem que fotógrafos vêem o mundo em quadradinhos, pode ser, estou sempre registrando momentos perfeitos, mas quase sempre sem minha câmera. Haverá um dia em que as câmeras equiparão discretamente os óculos e registrarão todos os cliques com a força de um olhar, aqueles flagrantes que só a gente consegue perceber, efêmeros, que desaparecem quando perdemos tempo para armar o equipamento.
Há tempos fiz uma experiência com um resultado desastroso, amarrei minha Kodak Zx1 no guidão da minha bike para registrar um passeio noturno e o equipamento quase se espatifou depois de gravar alguns segundos de pulos e saltos. Mesmo que inventasse um avançado sistema de estabilização, acredito que os vídeos continuariam ruins.
Descobri a GoPro, uma pequena e maravilhosa câmera específica para fixar nos equipamentos esportivos e registrar tudo com uma belíssima lente grande angular. Não vou me estender falando de suas qualidades, quem se interessar pode conseguir todas as informações necessárias no site oficial, www.gopro.com , mas preciso dizer que encontrei nela tudo o que esperava, qualidade, resistência, acessórios de fixação e ótimas imagens.´
A câmera é oferecida em algumas versões, preferi a Motorsports Hero e não tive muito trabalho em fixá-la na minha francesinha (Elops 3). Logo saí para um passeio registrando um pequeno filme e depois uma sequência de fotos, com a programação automática de uma foto a cada 2 segundos. Voltei para casa e babei com o resultado, pois mesmo percebendo uma forte vibração, o sistema de estabilização do vídeo mostrou-se perfeito, atenuando todas trepidações. As fotos ficaram incrivelmente nítidas, com um colorido muito bonito, lembrando as cores obtidas nos antigos filmes positivos da Kodak. Foram mais de 200 fotos em poucos minutos e a maioria merece uma impressão para a eternidade.
Encontrei a parceria perfeita para minha minha bike, GoPro e Elops 3, com elas vou me divertir bastante.
Algumas coisas são para sempre
Acredite. Houve uma época em que as coisas eram feitas para durar. Provavelmente nem os fabricantes imaginavam quanto iriam aguentar. Muitos produtos sobrevivem até hoje, perdidos em gavetas dos avós, enquanto as empresas que os produziram não existem nem na memória. Câmeras fotográficas são exemplos clássicos. Eram produzidas como jóias, com uma precisão mecânica e ótica refinada, para funcionar sob qualquer condição, leves e precisas.
De vez em quando nos deparamos com achados arqueológicos e nos surpreendemos. Nesse final de semana me vi numa loja de coisas usadas, mantida por uma entidade assistencial. Pensando na onda de lomografia, resolvi então procurar por uma câmera antiga. Numa vitrine, no meio da poeira, alguns estojos de couro me chamaram a atenção, pedi para ver e a atendente jogou as peças no balcão como se fossem lixo. Alguns eram mesmo, daquelas câmeras plásticas piratas que imitavam câmeras famosas.
Mas, entre o pó, surge uma linda Regula Sprinty C 300, fabricada pela King, com a inscrição “Made in Western Germany”, nascida de uma Alemanha dividida. Pois é, eu também nunca tinha visto uma antes.
Nem sabia que existia. Mas me chamou a atenção seu estado de conservação, sem riscos, perfeita. Uma preciosidade. Câmera totalmente mecânica, de concepção simples, sem fotômetro e, portanto, sem baterias, garantindo seu funcionamento eterno. A primeira reação é movimentar a alavança para avançar o filme, um movimento leve e delicado, com um som macio. Abro a tampa do filme e percebo que tudo está no lugar, dou uns disparos e vejo a cortina se movimentar perfeitamente. Testo todas as possibilidades e a máquina se mostra como nova.
Pergunto o preço, mas a atendente não sabe responder. Mando 10 reais. Ela sai e volta com uma proposta de 30. Mando 25 reais, mas ela não aceita. Ficamos de comum acordo nos 28 reais. Volto para casa acreditanto que, caso não funcione, terei um lindo peso de papel.
Faço uma pequena pesquisa no Google e descubro que meu achado tem quase 50 anos de idade e mesmo não sendo uma Leica, tem uma história de qualidade, apesar da simplicidade.
Um Kodak Pro Image 100 de 36 poses que aguardava na geladeira serve como teste. Coloco na câmera e saio para a praça. Uma pequena caminhada pelas ruas num domingo à tarde e logo termino o filme. Mando revelar e me surpreendo.
A câmera é old school, ou seja, nada de fotômetro e nada de cliques automáticos. É preciso usar uma sensibilidade pessoal para a luz, arrisco algumas com abertura 5.6 e 125 de velocidade e, quando o dia de inverno vai perdendo o sol, mantenho a abertura e diminuo a velocidade para 60, segurando mais firme, mas garantindo alguns desfoques de fundo. Não dá para enxergar o foco, só chutar as distâncias. Acertei a maioria, mas errei algumas, uma pena. Mesmo assim, uma surpresa com o resultado. Imagens perfeitas, nítidas, com efeitos e uma linda reprodução de cores, uma qualidade que a gente só encontra nas profissionais.
Mas, mais do que boas imagens, fotografar com esse novo brinquedo me deu um prazer danado, uma diversão, experimentando um processo que nem lembrava mais, de tão acostumado que fiquei com o AF, segurando o disparador no meio do caminho. Tive que me calibrar, imaginando distâncias e percebendo as mudanças de luz, detalhes tão importantes, mas que a tecnologia nos faz esquecer.
Com essa velha alemãzinha, revivo aquele frio na barriga ao arriscar um clique por intuição, adivinhando medidas e torcendo por boas imagens ao abrir o envelope no balcão do laboratório. A emoção quase esquecida que me tornou um apaixonado por fotografias.
Como fotógrafo, eu odeio!
Sou fotógrafo amador porque amo fotografar. Sou profissional só na hora de gastar em fotografia, raramente ganho alguma coisa com isso além de algumas chateações, aliás, deixei de anunciar minha paixão ou carregar minha câmera para festas e eventos porque ODEIO as situações que surgem por causa disso.
Resolvi registrá-las:
1. Receber um convite para uma festa de aniversário de algum filho de colega de trabalho emendada com o pedido: “- Dá pra você levar sua câmera?” Se digo sim, sinto-me:
Desprestigiado, afinal está claro que minha presença só está sendo desejada porque virá acompanhada da minha câmera, muitas vezes a pessoa mal me conhece ou provavelmente nem gosta de mim.
Explorado, pois enquanto poderia estar sentado com amigos, acompanhado de uma cerveja gelada e alguns salgadinhos, tenho que virar o fotógrafo, obrigando-me a rastejar atrás de uma criança toda melada e mal humorada que ainda quer enfiar o dedo na lente, sem ganhar um único centavo com isso.
Um idiota, trabalhando num raro final de semana de folga, totalmente de graça, tendo como único pagamento um pedaço amassado de bolo depois de ouvir “- Pode deixar que separo um pedacinho pra você! Cuido bem de quem trabalha pra mim!”. E, como sou um convidado oficial, ainda tenho que entregar um presente na entrada do Buffet infantil.
Se digo não, respondendo que tenho outro compromisso, a pessoa fica checando minha mentira na segunda-feira, afinal, teve que se contentar com as fotos feitas na xereta da tia velha porque resolvi ser um convidado ranzinza. O normal é deixar de se cumprimentado por um bom tempo.
2. Estou num lugar público, com minha câmera na mão e ouço um sujeito que nunca vi na vida me cumprimentar com a maior intimidade, para depois ficar apontando onde tenho que fotografar: “- Olha, abaixa aqui, pega essa pranta, virando pra lá...” Também tem aquele aposentado que é o segurança da praça, aquele tipo que tem medo da própria sombra e vem te alarmar: “- Olha, toma cuidado com essa câmera, tem um pessoal aqui que é barra pesada, ontem mesmo levaram a câmera de um sujeito que era menor que a sua...” Também tem o segurança truculento, um armário de terno preto com um fiozinho saindo da orelha, esbravejando um “Não pode fotografar aqui não!”, como se eu fosse um terrorista plantando uma bomba ou estivesse apontando uma arma automática para o público que carrega sacolas da C&A.
3. Sempre tem um sujeito doido pra experimentar sua câmera, querendo enfiar aqueles dedos engordurados de coxinha. Primeiro tenta puxar conversa do tipo “Que câmera legal, custou muito caro?”, geralmente dispenso dizendo que é muito cara e que sou bastante ciumento com ela, mas o sujeito é insistente e dá um grito animado: “- Ah!!! Mas o fotógrafo tem que aparecer também!!!!!”. A vontade que tenho é enfiar a câmera na mochila e ir embora, pior ainda quando consegue um coro... “Isso mesmo! Vem tirar foto também!!! Pode deixar que ele não vai sair correndo com sua máquina!!!” – Já disse que odeio isso?
4. “- Deixa eu ver como ficou? Ah, pode apagar!! Tira outra!!!! Meu olho ficou fechado, parece olho de peixe morto!!!” – A vontade é ser franco, você é feia assim mesmo, isso é fotografia e milagre não existe, só morrendo e nascendo de novo! Mas para não apanhar ou não perder ainda mais amigos na minha lista do Facebook, respondo que a bateria está baixa, por isso não dá pra mostrar.
5. De todas, talvez a que mais me ofende é a seguinte: “- Nossa, que foto linda! Também, com uma máquina dessas...” – A vontade é responder, no mínimo, um “Vai te catar”.
Bem feito para a prefeitura de SP
Como todos que acompanham o blog sabem, adoro automobilismo, não acompanho apenas a F1, mas também a Indy.
Mas nunca concordei com essa ridícula corrida da Indy em São Paulo simplesmente porque não há condições de ela acontecer numa cidade que já entrou em colapso a muito tempo.
Paralisar um trecho importante de circulação de veículos durante mais de uma semana para receber a corrida é um absurdo, aliás, como costumam ser absurdas as decisões do prefeito da cidade. Até hoje não deu pra engolir a proibição da circulação dos ônibus fretados para dar lugar a carros ocupados apenas por motoristas, uma insanidade.
A chuva de hoje sobre o circuito escancarou para o mundo as péssimas condições que os motoristas enfrentam todos os dias, basta uma chuva mais forte para a cidade ficar travada.
A TV mostrou por horas os pobres coitados dos funcionários tentando secar a poças de água, cenas patéticas. Ninguém se entendia, coitado do Luciano do Valle, tentando segurar a audiência mostrando o caos que todos já conhecem.
O pior é que o sofrimento de quem é obrigado a passar todos os dias pelo trecho será prorrogado até amanhã, uma segunda-feira, dia de muito trabalho. A cidade parada para os carros correrem, para tornar válida sua aventura no Anhembi, para fazer valer a pena o dinheiro público gasto para nada.
Todos que sofrem diariamente com o trânsito caótico, com as enchentes e com os desmandos do prefeito, sentiram-se um pouco vingados por vê-lo passar tanta vergonha.
Vi 3D
Tenho um problema no meu olho direito chamado “ceratocone” que me impede de enxergar bem. Minha sorte é que o outro olho, apesar da miopia e do astigmatismo, consegue 100% de visão com os óculos, por isso consigo viver bem porque um compensa o outro. Mas a novidade 3D que está invadindo as mídias visuais me oferece alguma dificuldade.
Há alguns anos experimentei um filminho 3D no Aquário de SP e me senti ridículo, tentando adaptar os óculos especiais sobre os meus óculos normais, sem ver resultado algum enquanto todos vibravam com as imagens saltando da tela. Desde esse dia, nunca mais me arrisquei em outra experiência 3D, apesar dos cinemas modernos oferecerem equipamentos bem melhores do que havia experimentado. Pensava que não valia a pena pagar mais caro para arriscar e ficar vendo tudo esquisito enquanto os outros se divertiam.
Meu filho sempre foi solidário ao meu problema, nos nossos passeios nunca exigiu ver os filmes em 3D, apesar de perceber seu interesse. Hoje resolvi presenteá-lo. Ele insistiu que não queria porque eu não podia, mas claro que seu entusiasmo estava evidente.
Entramos na sala para ver “Rio”, antes escolhi uma fileira mais próxima da tela. Recebemos os óculos especiais e coloquei sem esperanças que fosse funcionar. Mas, para a minha surpresa, consegui ver as maravilhas da nova tecnologia. Um espetáculo visual, num filme belíssimo, muito colorido e cheio de efeitos. Fiquei feliz por descobrir não só um novo jeito de assistir filmes, mas também porque me senti menos incapacitado pelo meu problema visual.
Meus gastos com cinema irão ficar mais caros, mas claro que valerá muito a pena explorar tudo que está por vir.
Tchau Reali Jr.
“A Jovem Pan chama direto de Paris o correspondente Reali Júnior, é a Jovem Pan na Europa…”
Ouvir Reali Júnior transmitindo as novidades de Paris todas as manhãs direto da Maison de la Radio, de la RadiÔ, enquanto lutava para atravessar a cidade para as minhas atividades era bom, me dava uma sensação de tranquilidade, mesmo estando pouco interessado nas notícias de Paris, servia como um ritual matinal, como o pingadinho com pão na chapa na mesma padaria, como o primeiro ronco do motor do meu fusca 1969…
Tudo muda. Mudei de cidade, de carro, de padaria e às vezes mudo de estação, gosto também de ouvir o miado do Pulo do Gato. Reali mudou para o céu, de onde não poderá ser correspondente, mas diferente do carro, da estação e da padaria, nunca poderá ser substituído.
Num dia triste, melhor lembrar da alegria
Não há o que comentar sobre o ataque raivoso de um louco contra crianças, um dia triste, para chorar.
Mas fugindo de tantos dramas relatados, com pormenores à exaustão, uma rápida notícia foi um alento: hoje Mussum faria 70 anos. Claro que todos ficaram mais tristes sem ele, mas lembrá-lo me faz voltar para a época em que era permitido rir de tudo.
Não havia o polticamente correto e não havia fanáticos executando estudantes.
Bolsonaro - Se fosse só ele…
A declaração absurda do deputado Bolsonaro em resposta à pergunta de Preta Gil no CQC mobilizou as opiniões dessa semana com declarações extremistas dos dois lados, truculentos conservadores e liberais indignados.
Não é possível no mundo atual admitirmos declarações estapafúrdias de quem deve ler Mein Kampf no banheiro. Mas me causa mais surpresa ver a quantidade de mensagens em defesa do deputado, de pessoas que exercem atividades representativas na sociedade, alguns são profissionais liberais que não podem ser chamados de ignorantes por falta de acesso à educação.
O mesmo aconteceu na ocasião em que o funcionário público do Banco Central resolveu que tinha o direito de atropelar uma manifestação ciclística. Não foram poucos os que se posicionaram em sua defesa nas redes sociais, com frases de apoio esdrúxulas, míopes e calhordas.
É com tristeza que me deparo com tantas pessoas defendendo o que é inadmissível, muitas vezes jovens que nasceram num país democrático em que a grande maioria colocou um operário no poder, que nunca viveram um dia de ditadura, que não precisaram sair às ruas para gritar pelas “Diretas Já”, que ganharam um mundo completo com internet e TV à cabo e não sabem o que fazer com tanta informação. Garotos que nunca trabalharam para calçar um Nike e que falam mal do país, preferindo ter nascido em outro lugar.
Claro que é uma minoria. Mas Bolsonaro foi eleito várias vezes, sendo regiamente pago com os nossos impostos, porque está representando uma boa parcela da população.
Faz parte da democracia conviver com as diferenças, mas fico me perguntando como ideias retrógradas continuam latentes em tantas cabeças e o pior, tão jovens.
Milestone com Android 2.2
A Motorola finalmente liberou nesta sexta-feira a versão 2.2 do Android para os donos do Milestone.
Com o novo sistema, o que era bom ficou muito melhor. O teclado touch screen ganhou mais conforto e precisão, facilitando muito a inserção de textos, contando ainda com um sistema de correção automática, facilitando a acentuação e corrigindo erros de digitação.
Uma outra novidade é o sistema de reconhecimento de fala que serve para inserir comandos e também para escrever. Não chega a ser muito preciso, exige boa pronúncia e fala pausada, mas entende 80% bem. O recurso está disponível também para fazer pesquisas no Google. Não estranhe se vir pessoas falando com máquinas daqui pra frente, o sistema pode evoluir bastante e logo estará mais funcional.
Alguns recursos ficaram mais estáveis, como o YouTube. Também percebi uma melhora em relação ao Wi-fi e ao Bluetooth.
Pena que foi a última atualização oficial da Motorola para o aparelho, logo sua produção será descontinuada e somente o Milestone 2 receberá alguma atenção.
Esse post foi totalmente escrito no Milestone, mostrando o avanço. Antes limitaria-me a uma frase no máximo.
A Tyrrell de seis rodas
Houve um tempo em que a Fórmula 1 era mesmo um laboratório livre para buscar soluções para alcançar mais velocidade. Das pranchetas saíram carros com efeito asa, com turbina e, talvez o mais estranho, um carro de seis rodas.
Projetado por Derek Gardner com a intenção de conquistar mais aderência nas rodas dianteiras para conseguir mais performance nas curvas, o Projeto 34 como ficou conhecida a Tyrrell de 1976 não alcançou grandes resultados, principalmente pela falta de desenvolvimento dos pneus pela Goodyear e acabou virando história, pois depois disso o regulamento obrigou que fossem construídos apenas carros com quatro rodas.
A Hot Wheels lançou a Tyrrell P34 na coleção 2010, mas como tudo chega aqui com certo atraso, somente agora os modelos estão sendo encontrados nas prateleiras, por isso, corram para garantir o seu, pois logo será mosca branca e estará apenas nas mãos dos colecionadores. Já garanti as minhas, em duas versões, uma azul com detalhes em amarelo e outra branca com detalhes em azul.
Blogando pelo Android
Mobilidade! Agora com um novo aplicativo, posso postar no blog de qualquer lugar usando meu Android no Milestone.
Claro que não serão textos longos, mas pelo menos vou poder fazer comentários mais rápidos sobre o que acabei de presenciar. Reflexões mais longas só quando estiver no conforto do teclado normal.
Abração.

Sempre há tempo
Lenovo x100e – ótima compra
Depois de muita paquera, visitando-o quase que diariamente na página do Carrefour, finalmente me decidi pela compra do meu Lenovo Thinkpad x100e, um notebook pequeno e eficiente, com vários atrativos para quem adora tecnologia, como o Windows 7 Professional original, hardware robusto, tela de led, teclado confortável e à prova de líquidos, bateria com boa duração e mais algumas outras atraentes particularidades. Como explorei as informações disponibilizadas pelos compradores anteriores, acho razoável colocar também as minhas impressões para ajudar outros interessados.
Comprar pela Internet é sempre um tiro no escuro por mais que se pesquise opiniões de quem já comprou, porque simplesmente não dá para experimentar nas mãos, sentir como o teclado se comporta, ver a qualidade da tela, sentir o peso e tudo mais. Por outro lado, já me decepcionei com um produto que comprei numa prateleira de supermercado, depois de apertar muito seus botões e pensar que seria uma boa compra. Outro contratempo da compra online é ter que esperar o processo de entrega e torcer para que o transporte não sofra qualquer problema como assaltos ou enchentes, a fim de não adiar ainda mais a entrega. Tive que esperar 10 dias, não sei por qual motivo demoraram tanto para despachar minha compra e, no último dia previsto, uma tempestade dilatou o prazo para a manhã do dia seguinte.
Ao abrir o pacote, o primeiro impacto foi a qualidade do teclado, com toques suaves e precisos, encaixando perfeitamente nas mãos, apesar do tamanho menor que a média dos notebooks. O acabamento em preto fosco aponta que é uma ferramenta de trabalho, sem frescuras com brilhos e detalhes bonitinhos que se estragam facilmente com o uso. A tela com uma ótima resolução e vários níveis de luminosidade agrada aos olhos. Os programas Lenovo instalados são leves e eficientes, nada daquela tonelada de softwares inúteis que costumam acompanhar computadores de grandes fabricantes. Pena não ter vindo um MS Office Starter, seria melhor que a versão trial do MS Office 2007. Quando terminar os 60 dias, instalo uma versão de estudante, disponível nas prateleiras por R$199.
Para proteção, instalei um pacote Panda que ganhei de brinde numa compra anterior, mas estranhamente a performance caiu muito, mesmo depois de várias tentativas de configuração. Perdi a paciência e optei por desinstalar tudo e ficar só com Microsoft Security. Tudo voltou a funcionar bem e rápido, incluindo a aparência cheia de transparências e transições de wallpapers.
A quantidade de atualizações do Windows Update foi assustadora, com muitos megabytes de arquivos baixados e instalados, um problema para quem está ansioso para experimentar o novo brinquedo.
Com todos os sistemas básicos funcionando bem, resolvi experimentar o Bluetooth, recurso que não existia no meu notebook anterior e que não funcionava bem com aquele acessório de encaixar na USB. Foi difícil encontrar algum programa que habilitasse a conexão, a única pista era a existência de um software entre as opções de aplicativos a serem desinstalados. Manual de instruções? Esqueça! Como todos os materiais impressos que estão acompanhando os novos produtos, é inútil. Como já não é minha primeira máquina portátil, resolvi apelar para o teclado, tentando adivinhar os significados dos ícones da função Fn. Achei que o F5 pudesse ser útil e me dei bem, abriu um aplicativo com opções para interface sem fio, dando a chance de habilitar o Bluetooth. Feito isso, o sistema passou a instalar os drivers para o reconhecimento do hardware e tudo ficou mais fácil, bastou seguir os procedimentos do Windows para configurar o emparelhamento com meus celulares, MP4 e fone de ouvido. Testei bastante ouvindo músicas e me comunicando pelo Skype, perfeito, sem cortes.
O Wi-Fi, segundo dizem, capta até pensamentos. Exageros à parte, o sistema é bastante eficiente, funcionando nos padrões b, g e n, ou seja, conecta-se com qualquer tipo de roteador wireless com um ótimo nível de recepção. Na minha conexão doméstica atingiu velocidade máxima de download, taxa que antes só tinha conseguido alcançar com o cabo. Em outros lugares tive sempre conexões estáveis. Um bom atrativo é o software de gerenciamento de conexões sem fio da Lenovo que mostra visualmente os pontos de acesso disponíveis num gráfico parecido com o sistema solar, onde o computador fica no centro e os pontos de acesso nas órbitas, indicando as distâncias e os níveis de sinal.
Escrevendo esse texto, experimento a digitação no teclado, até agora, aprovado com louvores, um dos melhores teclados com que trabalhei, com respostas precisas e sem erros de posicionamento, possibilitando trabalhar por horas sem cansar. Teclado pode ser apenas um detalhe para a maioria das pessoas, mas para mim, formado na época da datilografia, usando todos os dedos para produzir textos, uma boa ergonomia é fundamental. Algumas teclas do x100e estão em posições invertidas, característica que parece ser comum na linha Thinkpad, como a inversão dos botões Ctrl e Fn, o reposicionamento do botão Delete e do botão de interrogação, nada que atrapalhe, mas que exige de um tempo de treinamento.
O Trackpoint, aquele mini joystick vermelho no meio do teclado, pode causar algum estranhamento, mas como já havia tido a oportunidade de trabalhar com um velho notebook IBM, gostei da presença do recurso. Com um pouco de prática, não demora a ser o preferido para movimentar o cursor. O Touchpad tem boa sensibilidade, não decepciona, mas comparando com outros que experimentei, perde para o acessório da linha HP, mesmo trazendo um recurso legal como a possibilidade de movimentação do zoom da tela, repetindo os movimentos de extensão dos dedos indicador e polegar, já aprendidos nos celulares com telas sensíveis, como o iPhone.
As três portas USB são suficientes, uma delas é energizada, ou seja, quando o equipamento estiver desligado, mas ligado na fonte, a entrada pode ser utilizada para carregar outros equipamentos, uma boa solução para quem sofre com poucas tomadas ou não tem um carregador USB disponível. Uma entrada para fone com microfone, típico de celular, elimina a entrada de microfone externo. Entrada de rede, e adaptador de cartão de memória completam as conexões laterais. Na parte de trás, entrada para fonte e saída de vídeo comum para projetores, ficando de fora uma saída HDMI, obrigatória nos equipamentos modernos.
O fabricante indica uma duração máxima de 5 horas da bateria. Claro que não esperava isso na prática, provavelmente a bateria de 6 células só dura tudo isso com a tela no mínimo de luminosidade e sem estressar o processador, mas no primeiro teste, com uma luminosidade intermediária e confortável, com Wi-Fi e Bluetooth ligados, deu pra chegar num bom tempo de 3 horas longe da tomada. Um indicador na barra indica o tempo restante, além do nível de carga, ajudando a um planejamento de uso.
Como nos netbooks, não existe uma gaveta de mídia óptica, assim, não é possível assistir DVDs. Mas claro que isso deixa de ser um problema se os discos se transformarem em imagens (.iso) em outros máquinas para serem acessadas por pendrives através de uma rápida instalação do software gratuito Daemon Tools.
O Lenovo x100e oferecido por menos de R$1000 e em promoções por cerca de R$800 é uma excelente opção de compra, pois trata-se de um hardware com muito mais qualidade que a média de produtos oferecidos nessa faixa de preço, além de ser o único com Windows 7 Professional. Tem um bom tamanho, intermediário entre netbooks e notebooks, além de leve, tornando-se uma ótima opção de equipamento para ser carregado o tempo inteiro na mochila e que acaba se transformando na sua máquina principal, aposentando aos poucos o desktop doméstico que fica necessário apenas para acessar cd’s e dvd’s.



