Somos todos humanos!

facebook-curtir-e-nao-curtir

Acabo de conferir meu status no Facebook. Conto com 138 amigos! Muitos são pessoas realmente queridas. De outros mal ouvi falar e provavelmente não reconheceria se cruzasse numa alameda qualquer.

Dessas pessoas queridas, se usasse um único critério, procurando apontar qual delas realmente se importa comigo, sobrariam poucas, numa perspectiva positiva.

Penso que não sou o único, mas certamente sou um dos poucos corajosos a admitir isso, principalmente num mundo pautado pelos contatos pessoais, onde as pessoas precisam parecer sempre gentis, agradáveis e bem humoradas. Nessa realidade, o ostracismo na rede de relacionamentos pode ser fatal.

Mas como ter um amigo verdadeiro numa sociedade que prioriza o próprio ego? Todos querem mostrar-se na sua melhor forma, com os melhores dentes, usando máscaras que mal conseguem disfarçar nas suas rachaduras uma infelicidade profunda. Ninguém tem tempo para ouvir o outro, mas sobra disposição para mostrar fotos da última viagem de férias e checar a todo instante os comentários sobre elas.

Será considerado bom amigo aquele que se dispor a criar frases criativas e elogiosas para cada foto postada. O simpático será aquele que clicar no botão “curtir”. O que preferir continuar cuidando da própria vida, deixando de curtir a vida alheia, certamente se transformará num peso morto, um número insignificante na lista de contatos.

Colocar-se nessa rede de relacionamentos é um jogo perigoso. Um deslize, um comentário mal interpretado pode ter consequências assombrosas. Imagine um sujeito que despretensiosamente copia uma frase colhida entre tantas do Google: “O amor pode morrer na verdade, a amizade na mentira”, claro que sem citar seu autor, Abel Bonnard, pois é preciso fazer-se parecer inteligente. Pois bem. Um amigo mal intencionado pode interpretar por essa simples frase que o autor está vivendo uma crise conjugal, outro que realmente mentiu para o sujeito pode acreditar que foi descoberto e passa a criar uma rede de intrigas, ou ainda um terceiro pode entender que o “amigo” está num momento de crise e passa a disparar uma infinidade de comentários com frases cristãs para ajudar a levantar o moral do pobre coitado. As possibilidades a partir de uma única frase podem criar um novelo de confusões.

Pessoas que trabalharam felizes durante o dia vão para casa e perseguem-se virtualmente durante a noite. Chegam para trabalhar no dia seguinte sem ao menos cumprimentarem-se, com as cabeças cheias de mal entendidos.

Pior são as fofocas. Uma resposta antipática durante o trabalho, dada numa condição de pressão e de obrigação com uma determinada norma interna pode virar um motivo de uma verdadeira cruzada difamatória na rede de relacionamentos, onde o pobre coitado que não acompanha a comunidade paralela se transforma num dos piores vilões de ficção, tendo sua reputação destruída, sem direito de defesa. No dia seguinte sua caveira está feita.

Por outro lado, aquele que se importa menos com a qualidade do trabalho e mais com a política da boa amizade pode ser o primeiro a ser lembrado para uma promoção.

O que me preocupa é o peso que tem se dado a esse tipo de interação pessoal. Claro que é importante participar das redes de relacionamento, elas já fazem parte da nossa vida e são ferramentas que colaboram efetivamente nas interações pessoais e profissionais, mas é preciso lembrar que as pessoas estão muito acima das imagens e frases que publicam nesses espaços.

Facebook é uma referência, mas não pode ser a única fonte. Para formar uma opinião sobre alguém ainda é fundamental a paciência de saber ouvir e olhar o olho do outro. Todos somos humanos, seres grandiosos, mas sujeitos a pequenas falhas que podem ser corrigidas.

Como a coisa está caminhando, temo que uma vírgula mal colocada se transforme numa avalanche.

Fotógrafos importantes estão em mostra na Pinacoteca

A mostra “Percursos e Afetos” expõe trabalhos de importantes fotógrafos como German Lorca, Jean Manzon, Nair Benedicto e Mario Cravo Neto. As fotografias podem ser vistas na Pinacoteca do Estado de São Paulo até 12 de janeiro e 2012.

Pinacoteca do Estado de São Paulo – Praça da Luz, 2 – São Paulo (11) 3324-1000 – pinacoteca.org.br

percursos e afetos

Tripé para Câmera Fotográfica - Pro 400 DX - Slik

PRO400DX

Você gastou boa parte do seu orçamento adquirindo uma moderna câmera DSLR. Fica impressionado com a qualidade da imagem, mas tem consciência que não consegue explorar todo o potencial que seu equipamento pode oferecer. Seu ponto de segurança é aquele verde, o modo automático da câmera.

Não se preocupe, o importante é ter consciência que há muito que aprender. A má notícia é que provavelmente ninguém te avisou que além da câmera você precisará comprar alguns acessórios extras para alcançar resultados mais profissionais. A lista é enorme, mas um dos itens que encabeçam qualquer seleção de equipamentos obrigatórios é a escolha de um bom tripé.

Carregar um tripé é uma tarefa incômoda. Ele pesa, ocupa muito espaço e nem sempre é fácil acomodá-lo. Mas sem dúvida o seu uso, entre muitas outras coisas, destaca o bom fotógrafo do resto da humanidade.

Como escolher o melhor tripé? Dois fatores contam muito: o peso e a capacidade de carga. Não adianta ter um tripé leve, mas incapaz de suportar uma DSLR com uma teleobjetiva. Por outro lado, tripés estáveis, com boa capacidade de carga, são pesados e dificultam a portabilidade.

Por isso os melhores são feitos de fibra de carbono, estáveis e leves. Mas o principal problema para a maioria dos mortais é o seu preço proibitivo, principalmente para quem está começando na fotografia profissional ou não pode gastar muito com seu hobby, sob a pena de sacrificar a mensalidade escolar ou o plano de saúde dos filhos.

Um tripé que suporta pelo menos 5kg e oferece boa estabilidade, feito de liga de metais leves e plástico, pesa alguma coisa entre 2 e 3 quilos que se multiplicam à medida do tempo em que são carregados, a velha lógica que nenhuma fórmula da física consegue explicar. Mas não desanime, esse esforço é só um pequeno preço a se pagar por uma boa foto.

Estava precisando de um novo tripé. O meu já desmoronou algumas vezes e só melhorou um pouco depois de alguns parafusos e rebites que providenciei. Mas os remendos me deixam envergonhado e com uma sensação de que ele pode implodir a qualquer momento.

Com a grana sempre apertada, busquei um bom tripé na Internet. Gostei de saber que a Elgin passou a distribuir oficialmente os da marca japonesa Slik no Brasil que mesmo não sendo tão famosa quanto a Manfrotto, recebe excelentes avaliações por sua relação peso/estabilidade e pela qualidade da sua construção, feita numa liga de magnésio, titânio e alumínio.

Difícil escolher entre os diferentes modelos disponíveis. Há para todos os gostos, com vários tamanhos e cabeças diferentes. O manual disponível em pdf no site da Elgin não ajuda muito, praticamente traz o mesmo texto genérico para todos os modelos. O site oficial da Slik, em inglês, tem mais detalhes, mas são insuficientes para uma escolha à distância.

Quase no escuro, optei pelo Pro 400 DX pensando em equilibrar o menor preço com a melhor qualidade. Fiquei satisfeito com a construção que confere ao equipamento uma robustez que parece superior à sua capacidade nominal de carga. Tem bom acabamento, com todos os encaixes perfeitos, sem rebarbas. Oferece várias possibilidades de posicionamento, com diferentes graus de abertura e extensão das pernas, com a coluna central que pode ser reduzida, permitindo a câmera chegar bem perto do chão. Outra possibilidade é a inversão da cabeça na coluna, facilitando o posicionamento da câmera de cabeça para baixo, ótimo para fotografar formigueiros e pedrinhas. As pernas têm um acabamento em espuma que deve fazer a alegria de quem precisa carregar o equipamento em regiões geladas, mas que para a nossa realidade tem apenas uma função estética.

A cabeça tem um modo de fixação bem moderno, com uma trava que permite o encaixe e a liberação rápida da câmera, muito diferente do meu velho suporte. Seus movimentos são suaves em todos os sentidos. Se tivesse bolhas de nível, seria perfeito, talvez o principal ponto negativo, mas que também não é o caso de fazer uma troca por outra cabeça mais cara, basta continuar carregando meu nível de pedreiro, muito eficiente que custou menos de dez reais. As travas das pernas parecem bem fortes, mas sei que não durarão para sempre, feitas em plástico, podem ressecar e perder a eficiência.

Talvez outros modelos sejam mais interessantes, dependendo das necessidades de cada um. No meu caso, os 2,5Kg do tripé não assustaram, prefiro carregar uma carga maior e ter mais confiabilidade. O importante é que os tripés Slik, trazidos oficialmente e com total garantia da Elgin, tornaram-se uma opção de qualidade e custo possível, disponíveis nas grandes lojas com boas condições de pagamento, permitindo que qualquer amador com sua nova DSLR seja capaz de fotografar com lindos efeitos de velocidade, conseguir aquelas inéditas imagens da lua cheia e sol poente e perfeitas fotografias de macro, com aquela mosca verde em cima da flor amarela.

Boas fotos a todos!

Um tucano!!

Sei que ao se deparar com esse título vocês já devem ter imaginado que o tema é política.
Lamento informar, mas estou pouco criativo para títulos. O assunto é um tucano. Mesmo! Aquela ave de corpo preto, pequenos olhos emoldurados numa plumagem branca e um enorme bico colorido.
Já passei dos 40 anos, a maior parte deles vividos no ambiente urbano. Um paulistano daqueles que não deixam o sotaque característico e que não consegue parar de engolir os "s", por maior que seja o esforço para não esquecê-los.
Então, nunca fui de observar passarinhos, para mim todos são absolutamente iguais, quer dizer, nem tanto, diferenciam-se entre os maiores que são pombos e os menores que são pardais. Claro que não sou insensível, gosto de ouvi-los cantar. Outro dia entrei na biblioteca e adorei ser recebido com um lindo canto reproduzido nas caixas de som.
Atualmente moro na capital do Vale do Paraíba. Quando me mudei, adorei ver as noites estreladas, mas elas duraram pouco, logo sumiram na poluição de uma cidade que teima em crescer, com espigões esticando-se todos os dias, apagando o horizonte.
Hoje, caminhando pelas ruas da UNIVAP me espanto ao ver surgir um enorme tucano do meio das árvores e alçar um voo solitário com suas enormes asas. Reconheci-o pelo bico, não é difícil, exatamente igual às ilustrações do partido. Não contive a surpresa e bobamente gritei para ninguém: - Olha! Um tucano!!
Além do próprio bicho que não deu bola ao ouvir seu nome pronunciado, ninguém mais ouviu e por isso preciso deixar esse momento registrado por aqui.
Uma visão rara para um bicho do trânsito.

Melona - direto da Coreia do Sul

A primavera nem chegou oficialmente, mas as temperaturas já indicam que vem muito calor pela frente.
Resolvi me dar um sorvete diferente, Melona. Já vi no WalMart, mas nos comércios locais só quando o dono do estabelecimento é da comunidade japonesa, o que me leva a imaginar que ainda não é tão fácil de ser encontrado.
Peguei o tradicional, sabor melão. Muito bom, macio e saboroso. O preço não é tão convidativo, R$3,50, mas também não é proibitivo a ponto de não merecer a experiência.
Depois da primeira dentada me dou conta: "Cacete, e se esse negócio foi feito com águas radioativas do Japão?", concordo que tem um pouco de neurose nisso, mas corro os olhos pela embalagem e vejo a inscrição "feito na Coreia do Sul". Não sei até que ponto essa inscrição é uma garantia de qualidade sanitária, mas resolvi deixar as neuroses de lado e me deliciar.
Se virem geladeiras de Melona por aí, experimentem, muito bom.

Sensacionalista » Multishow


Sensacionalista » Multishow

Sensacionalista - Um jornal isento de verdade

Num zapping encontrei o Sensacionalista no Multishow. Os caras são fantásticos, utilizam as técnicas consagradas dos jornais televisivos para notícias absurdas. Uma nova forma de fazer humor, com performances impagáveis dos atores que não perdem a pose como repórteres, apresentadores e especialistas, contando também com a participação de populares.

Hoje encontrei o site do programa e, no mesmo tom, parodiando os sites de notícia, aparecem as impagáveis piadas baseadas nas manchetes de verdade. Uma visita obrigatória para manter o humor em dia.

Stop Motion com GoPro

Stop Motion com GoPro

A GoPro produz excelentes vídeos. Mas a característica que mais curto é a possibilidade de fazer fotos automaticamente a cada 2 segundos.

Pedalei e resolvi fotografar todo o caminho, gerando mais 600 imagens distintas, vistas isoladamente com uma beleza própria, mas que podem também ser vistas em sequência, criando um efeito de “stop motion” muito bacana.

Fotobike - Duas paixões juntas

GoPro e Elops 3 - Parceria perfeita
7-17-2011_002
DCIM\100GOPRO
DCIM\100GOPRO
A velocidade da bicicleta é perfeita, com ela consigo ver a cidade, sentir o sol queimando e o vento no rosto, uma brincadeira de criança que faço questão de não esquecer.
Fotografia é outra paixão. Dizem que fotógrafos vêem o mundo em quadradinhos, pode ser, estou sempre registrando momentos perfeitos, mas quase sempre sem minha câmera. Haverá um dia em que as câmeras equiparão discretamente os óculos e registrarão todos os cliques com a força de um olhar, aqueles flagrantes que só a gente consegue perceber, efêmeros, que desaparecem quando perdemos tempo para armar o equipamento.
Há tempos fiz uma experiência com um resultado desastroso, amarrei minha Kodak Zx1 no guidão da minha bike para registrar um passeio noturno e o equipamento quase se espatifou depois de gravar alguns segundos de pulos e saltos. Mesmo que inventasse um avançado sistema de estabilização, acredito que os vídeos continuariam ruins.
Descobri a GoPro, uma pequena e maravilhosa câmera específica para fixar nos equipamentos esportivos e registrar tudo com uma belíssima lente grande angular. Não vou me estender falando de suas qualidades, quem se interessar pode conseguir todas as informações necessárias no site oficial, www.gopro.com , mas preciso dizer que encontrei nela tudo o que esperava, qualidade, resistência, acessórios de fixação e ótimas imagens.´
A câmera é oferecida em algumas versões, preferi a Motorsports Hero e não tive muito trabalho em fixá-la na minha francesinha (Elops 3). Logo saí para um passeio registrando um pequeno filme e depois uma sequência de fotos, com a programação automática de uma foto a cada 2 segundos. Voltei para casa e babei com o resultado, pois mesmo percebendo uma forte vibração, o sistema de estabilização do vídeo mostrou-se perfeito, atenuando todas trepidações. As fotos ficaram incrivelmente nítidas, com um colorido muito bonito, lembrando as cores obtidas nos antigos filmes positivos da Kodak. Foram mais de 200 fotos em poucos minutos e a maioria merece uma impressão para a eternidade.
Encontrei a parceria perfeita para minha minha bike, GoPro e Elops 3, com elas vou me divertir bastante.

Algumas coisas são para sempre

regula
xadrez

Acredite. Houve uma época em que as coisas eram feitas para durar. Provavelmente nem os fabricantes imaginavam quanto iriam aguentar. Muitos produtos sobrevivem até hoje, perdidos em gavetas dos avós, enquanto as empresas que os produziram não existem nem na memória. Câmeras fotográficas são exemplos clássicos. Eram produzidas como jóias, com uma precisão mecânica e ótica refinada, para funcionar sob qualquer condição, leves e precisas.

De vez em quando nos deparamos com achados arqueológicos e nos surpreendemos. Nesse final de semana me vi numa loja de coisas usadas, mantida por uma entidade assistencial. Pensando na onda de lomografia, resolvi então procurar por uma câmera antiga. Numa vitrine, no meio da poeira, alguns estojos de couro me chamaram a atenção, pedi para ver e a atendente jogou as peças no balcão como se fossem lixo. Alguns eram mesmo, daquelas câmeras plásticas piratas que imitavam câmeras famosas.

Mas, entre o pó, surge uma linda Regula Sprinty C 300, fabricada pela King, com a inscrição “Made in Western Germany”, nascida de uma Alemanha dividida. Pois é, eu também nunca tinha visto uma antes.
Nem sabia que existia. Mas me chamou a atenção seu estado de conservação, sem riscos, perfeita. Uma preciosidade. Câmera totalmente mecânica, de concepção simples, sem fotômetro e, portanto, sem baterias, garantindo seu funcionamento eterno. A primeira reação é movimentar a alavança para avançar o filme, um movimento leve e delicado, com um som macio. Abro a tampa do filme e percebo que tudo está no lugar, dou uns disparos e vejo a cortina se movimentar perfeitamente. Testo todas as possibilidades e a máquina se mostra como nova.

Pergunto o preço, mas a atendente não sabe responder. Mando 10 reais. Ela sai e volta com uma proposta de 30. Mando 25 reais, mas ela não aceita. Ficamos de comum acordo nos 28 reais. Volto para casa acreditanto que, caso não funcione, terei um lindo peso de papel.

Faço uma pequena pesquisa no Google e descubro que meu achado tem quase 50 anos de idade e mesmo não sendo uma Leica, tem uma história de qualidade, apesar da simplicidade.

Um Kodak Pro Image 100 de 36 poses que aguardava na geladeira serve como teste. Coloco na câmera e saio para a praça. Uma pequena caminhada pelas ruas num domingo à tarde e logo termino o filme. Mando revelar e me surpreendo.

A câmera é old school, ou seja, nada de fotômetro e nada de cliques automáticos. É preciso usar uma sensibilidade pessoal para a luz, arrisco algumas com abertura 5.6 e 125 de velocidade e, quando o dia de inverno vai perdendo o sol, mantenho a abertura e diminuo a velocidade para 60, segurando mais firme, mas garantindo alguns desfoques de fundo. Não dá para enxergar o foco, só chutar as distâncias. Acertei a maioria, mas errei algumas, uma pena. Mesmo assim, uma surpresa com o resultado. Imagens perfeitas, nítidas, com efeitos e uma linda reprodução de cores, uma qualidade que a gente só encontra nas profissionais.

Mas, mais do que boas imagens, fotografar com esse novo brinquedo me deu um prazer danado, uma diversão, experimentando um processo que nem lembrava mais, de tão acostumado que fiquei com o AF, segurando o disparador no meio do caminho. Tive que me calibrar, imaginando distâncias e percebendo as mudanças de luz, detalhes tão importantes, mas que a tecnologia nos faz esquecer.

Com essa velha alemãzinha, revivo aquele frio na barriga ao arriscar um clique por intuição, adivinhando medidas e torcendo por boas imagens ao abrir o envelope no balcão do laboratório. A emoção quase esquecida que me tornou um apaixonado por fotografias.

Como fotógrafo, eu odeio!

odeio web

Sou fotógrafo amador porque amo fotografar. Sou profissional só na hora de gastar em fotografia, raramente ganho alguma coisa com isso além de algumas chateações, aliás, deixei de anunciar minha paixão ou carregar minha câmera para festas e eventos porque ODEIO as situações que surgem por causa disso.

Resolvi registrá-las:

1. Receber um convite para uma festa de aniversário de algum filho de colega de trabalho emendada com o pedido: “- Dá pra você levar sua câmera?” Se digo sim, sinto-me:

Desprestigiado, afinal está claro que minha presença só está sendo desejada porque virá acompanhada da minha câmera, muitas vezes a pessoa mal me conhece ou provavelmente nem gosta de mim.

Explorado, pois enquanto poderia estar sentado com amigos, acompanhado de uma cerveja gelada e alguns salgadinhos, tenho que virar o fotógrafo, obrigando-me a rastejar atrás de uma criança toda melada e mal humorada que ainda quer enfiar o dedo na lente, sem ganhar um único centavo com isso.

Um idiota, trabalhando num raro final de semana de folga, totalmente de graça, tendo como único pagamento um pedaço amassado de bolo depois de ouvir “- Pode deixar que separo um pedacinho pra você! Cuido bem de quem trabalha pra mim!”. E, como sou um convidado oficial, ainda tenho que entregar um presente na entrada do Buffet infantil.

Se digo não, respondendo que tenho outro compromisso, a pessoa fica checando minha mentira na segunda-feira, afinal, teve que se contentar com as fotos feitas na xereta da tia velha porque resolvi ser um convidado ranzinza. O normal é deixar de se cumprimentado por um bom tempo.

2. Estou num lugar público, com minha câmera na mão e ouço um sujeito que nunca vi na vida me cumprimentar com a maior intimidade, para depois ficar apontando onde tenho que fotografar: “- Olha, abaixa aqui, pega essa pranta, virando pra lá...” Também tem aquele aposentado que é o segurança da praça, aquele tipo que tem medo da própria sombra e vem te alarmar: “- Olha, toma cuidado com essa câmera, tem um pessoal aqui que é barra pesada, ontem mesmo levaram a câmera de um sujeito que era menor que a sua...” Também tem o segurança truculento, um armário de terno preto com um fiozinho saindo da orelha, esbravejando um “Não pode fotografar aqui não!”, como se eu fosse um terrorista plantando uma bomba ou estivesse apontando uma arma automática para o público que carrega sacolas da C&A.

3. Sempre tem um sujeito doido pra experimentar sua câmera, querendo enfiar aqueles dedos engordurados de coxinha. Primeiro tenta puxar conversa do tipo “Que câmera legal, custou muito caro?”, geralmente dispenso dizendo que é muito cara e que sou bastante ciumento com ela, mas o sujeito é insistente e dá um grito animado: “- Ah!!! Mas o fotógrafo tem que aparecer também!!!!!”. A vontade que tenho é enfiar a câmera na mochila e ir embora, pior ainda quando consegue um coro... “Isso mesmo! Vem tirar foto também!!! Pode deixar que ele não vai sair correndo com sua máquina!!!” – Já disse que odeio isso?

4. “- Deixa eu ver como ficou? Ah, pode apagar!! Tira outra!!!! Meu olho ficou fechado, parece olho de peixe morto!!!” – A vontade é ser franco, você é feia assim mesmo, isso é fotografia e milagre não existe, só morrendo e nascendo de novo! Mas para não apanhar ou não perder ainda mais amigos na minha lista do Facebook, respondo que a bateria está baixa, por isso não dá pra mostrar.

5. De todas, talvez a que mais me ofende é a seguinte: “- Nossa, que foto linda! Também, com uma máquina dessas...” – A vontade é responder, no mínimo, um “Vai te catar”.

Bem feito para a prefeitura de SP

Como todos que acompanham o blog sabem, adoro automobilismo, não acompanho apenas a F1, mas também a Indy.

Mas nunca concordei com essa ridícula corrida da Indy em São Paulo simplesmente porque não há condições de ela acontecer numa cidade que já entrou em colapso a muito tempo.

Paralisar um trecho importante de circulação de veículos durante mais de uma semana para receber a corrida é um absurdo, aliás, como costumam ser absurdas as decisões do prefeito da cidade. Até hoje não deu pra engolir a proibição da circulação dos ônibus fretados para dar lugar a carros ocupados apenas por motoristas, uma insanidade.

A chuva de hoje sobre o circuito escancarou para o mundo as péssimas condições que os motoristas enfrentam todos os dias, basta uma chuva mais forte para a cidade ficar travada.

A TV mostrou por horas os pobres coitados dos funcionários tentando secar a poças de água, cenas patéticas. Ninguém se entendia, coitado do Luciano do Valle, tentando segurar a audiência mostrando o caos que todos já conhecem.

O pior é que o sofrimento de quem é obrigado a passar todos os dias pelo trecho será prorrogado até amanhã, uma segunda-feira, dia de muito trabalho. A cidade parada para os carros correrem, para tornar válida sua aventura no Anhembi, para fazer valer a pena o dinheiro público gasto para nada.

Todos que sofrem diariamente com o trânsito caótico, com as enchentes e com os desmandos do prefeito, sentiram-se um pouco vingados por vê-lo passar tanta vergonha.

Vi 3D

rio-3d2

Tenho um problema no meu olho direito chamado “ceratocone” que me impede de enxergar bem. Minha sorte é que o outro olho, apesar da miopia e do astigmatismo, consegue 100% de visão com os óculos, por isso consigo viver bem porque um compensa o outro. Mas a novidade 3D que está invadindo as mídias visuais me oferece alguma dificuldade.

Há alguns anos experimentei um filminho 3D no Aquário de SP e me senti ridículo, tentando adaptar os óculos especiais sobre os meus óculos normais, sem ver resultado algum enquanto todos vibravam com as imagens saltando da tela. Desde esse dia, nunca mais me arrisquei em outra experiência 3D, apesar dos cinemas modernos oferecerem equipamentos bem melhores do que havia experimentado. Pensava que não valia a pena pagar mais caro para arriscar e ficar vendo tudo esquisito enquanto os outros se divertiam.

Meu filho sempre foi solidário ao meu problema, nos nossos passeios nunca exigiu ver os filmes em 3D, apesar de perceber seu interesse. Hoje resolvi presenteá-lo. Ele insistiu que não queria porque eu não podia, mas claro que seu entusiasmo estava evidente.

Entramos na sala para ver “Rio”, antes escolhi uma fileira mais próxima da tela. Recebemos os óculos especiais e coloquei sem esperanças que fosse funcionar. Mas, para a minha surpresa, consegui ver as maravilhas da nova tecnologia. Um espetáculo visual, num filme belíssimo, muito colorido e cheio de efeitos. Fiquei feliz por descobrir não só um novo jeito de assistir filmes, mas também porque me senti menos incapacitado pelo meu problema visual.

Meus gastos com cinema irão ficar mais caros, mas claro que valerá muito a pena explorar tudo que está por vir.

Tchau Reali Jr.



“A Jovem Pan chama direto de Paris o correspondente Reali Júnior, é a Jovem Pan na Europa…”

Ouvir Reali Júnior transmitindo as novidades de Paris todas as manhãs direto da Maison de la Radio, de la RadiÔ, enquanto lutava para atravessar a cidade para as minhas atividades era bom, me dava uma sensação de tranquilidade, mesmo estando pouco interessado nas notícias de Paris, servia como um ritual matinal, como o pingadinho com pão na chapa na mesma padaria, como o primeiro ronco do motor do meu fusca 1969…

Tudo muda. Mudei de cidade, de carro, de padaria e às vezes mudo de estação, gosto também de ouvir o miado do Pulo do Gato. Reali mudou para o céu, de onde não poderá ser correspondente, mas diferente do carro, da estação e da padaria, nunca poderá ser substituído.

Num dia triste, melhor lembrar da alegria

mussum4
Não há o que comentar sobre o ataque raivoso de um louco contra crianças, um dia triste, para chorar.
Mas fugindo de tantos dramas relatados, com pormenores à exaustão, uma rápida notícia foi um alento: hoje Mussum faria 70 anos. Claro que todos ficaram mais tristes sem ele, mas lembrá-lo me faz voltar para a época em que era permitido rir de tudo.
Não havia o polticamente correto e não havia fanáticos executando estudantes.

Bolsonaro - Se fosse só ele…

A declaração absurda do deputado Bolsonaro em resposta à pergunta de Preta Gil no CQC mobilizou as opiniões dessa semana com declarações extremistas dos dois lados, truculentos conservadores e liberais indignados.

Não é possível no mundo atual admitirmos declarações estapafúrdias de quem deve ler Mein Kampf no banheiro. Mas me causa mais surpresa ver a quantidade de mensagens em defesa do deputado, de pessoas que exercem atividades representativas na sociedade, alguns são profissionais liberais que não podem ser chamados de ignorantes por falta de acesso à educação.

O mesmo aconteceu na ocasião em que o funcionário público do Banco Central resolveu que tinha o direito de atropelar uma manifestação ciclística. Não foram poucos os que se posicionaram em sua defesa nas redes sociais, com frases de apoio esdrúxulas, míopes e calhordas.

É com tristeza que me deparo com tantas pessoas defendendo o que é inadmissível, muitas vezes jovens que nasceram num país democrático em que a grande maioria colocou um operário no poder, que nunca viveram um dia de ditadura, que não precisaram sair às ruas para gritar pelas “Diretas Já”, que ganharam um mundo completo com internet e TV à cabo e não sabem o que fazer com tanta informação. Garotos que nunca trabalharam para calçar um Nike e que falam mal do país, preferindo ter nascido em outro lugar.

Claro que é uma minoria. Mas Bolsonaro foi eleito várias vezes, sendo regiamente pago com os nossos impostos, porque está representando uma boa parcela da população.

Faz parte da democracia conviver com as diferenças, mas fico me perguntando como ideias retrógradas continuam latentes em tantas cabeças e o pior, tão jovens.

Milestone com Android 2.2

A Motorola finalmente liberou nesta sexta-feira a versão 2.2 do Android para os donos do Milestone.
Com o novo sistema, o que era bom ficou muito melhor. O teclado touch screen ganhou mais conforto e precisão, facilitando muito a inserção de textos, contando ainda com um sistema de correção automática, facilitando a acentuação e corrigindo erros de digitação.
Uma outra novidade é o sistema de reconhecimento de fala que serve para inserir comandos e também para escrever. Não chega a ser muito preciso, exige boa pronúncia e fala pausada, mas entende 80% bem. O recurso está disponível também para fazer pesquisas no Google. Não estranhe se vir pessoas falando com máquinas daqui pra frente, o sistema pode evoluir bastante e logo estará mais funcional.
Alguns recursos ficaram mais estáveis, como o YouTube. Também percebi uma melhora em relação ao Wi-fi e ao Bluetooth.
Pena que foi a última atualização oficial da Motorola para o aparelho, logo sua produção será descontinuada e somente o Milestone 2 receberá alguma atenção.
Esse post foi totalmente escrito no Milestone, mostrando o avanço. Antes limitaria-me a uma frase no máximo.

A Tyrrell de seis rodas

tyrrellp34

Houve um tempo em que a Fórmula 1 era mesmo um laboratório livre para buscar soluções para alcançar mais velocidade. Das pranchetas saíram carros com efeito asa, com turbina e, talvez o mais estranho, um carro de seis rodas.

Projetado por Derek Gardner com a intenção de conquistar mais aderência nas rodas dianteiras para conseguir mais performance nas curvas, o Projeto 34 como ficou conhecida a Tyrrell de 1976 não alcançou grandes resultados, principalmente pela falta de desenvolvimento dos pneus pela Goodyear e acabou virando história, pois depois disso o regulamento obrigou que fossem construídos apenas carros com quatro rodas.

A Hot Wheels lançou a Tyrrell P34 na coleção 2010, mas como tudo chega aqui com certo atraso, somente agora os modelos estão sendo encontrados nas prateleiras, por isso, corram para garantir o seu, pois logo será mosca branca e estará apenas nas mãos dos colecionadores. Já garanti as minhas, em duas versões, uma azul com detalhes em amarelo e outra branca com detalhes em azul.