Peixinhos

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Frases prontas, ditados populares, muitos conservam a sabedoria coletiva, outros são grandes idiotices.

Um dos que sempre ouvi foi “Filho de peixe, peixinho é”. Esse, sem dúvida, se encaixa na segunda categoria, afinal é de um determinismo cruel. Muito triste uma criança sentir-se obrigada a seguir os passos do pai e, pior, ser comparada a ele.

A muito tempo vi uma entrevista com Emerson Fittipaldi na TV Bandeirantes, no auge do sucesso que o piloto experimentava na Fórmula Indy. Visivelmente constrangido, o campeão respondeu sobre seu filho mais velho, quase lamentando o fato do rapaz se desinteressar pelas pistas e ter optado por outra profissão, acho que designer, ou qualquer outra coisa que na época me pareceu boiolice, afinal, não podia aceitar o fato de um cara rejeitar uma carreira automobilística, sonho que ainda vivia, mas que só pude fingir alguma satisfação nos videogames. Hoje, penso que esse Fittipaldi Kid teve uma sábia decisão, deixando o peso do sobrenome para o primo Christian embaçar.

Apesar da crueldade da inevitável comparação, muitos filhos de famosos insistem em seguir seus papais. Se o sucesso fosse transmitido geneticamente, com alguma melhoria, seria ótimo, mas a realidade é bem diferente. Poucos são os exemplos de superação, agora, de cabeça, só consigo me lembrar da Débora Bloch. Fernanda Torres chega perto, mas não supera a mamãe.

No último domingo, durante a transmissão do GP da Bélgica, Reginaldo Leme solta a bombática notícia sobre a investigação do incidente do Piquet pimpolho em Cingapura. Se confirmadas as suspeitas, Nelson Angelo fez uma cagada gigantesca, participando de uma fraude que manchará para sempre sua trajetória no esporte. O velho Piquet jamais aceitaria isso, provavelmente mandaria o chefe enfiar o carro no rabo. Mostraria no asfalto, como mostrou, ser melhor que qualquer piloto que estivesse ao seu lado. Se o que dizem é verdade, deve ter sofrido com tanta decepção.

Hoje, ao abrir o UOL vejo Sean Lennon imitando a famosa pose dos pais. Talvez a melhor contribuição que o filho de  Lennon deu para a música foi a inspiração para a belíssima canção “Beautiful Boy (Darling Boy)”, involuntária. Agora, com a pose, teve pelo menos o bom senso de trocar de posição, expondo a namorada. Ainda bem.

Um comentário:

zenilda disse...

Luciano sempre reflexivo, crítico e muito sábio ao usar as palavras...

Que peso um filho ou um pai pode carregar...

Que bom seria se fossemos toods leves...

Bjão